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Pernambuco

Camponês denuncia pistoleiros de Usina dos tempos da escravidão

A luta dos camponeses por terra no interior de Pernambuco está derrotando uma campanha de perseguição política

A Nova Democracia – Comitê de Apoio – Agreste Pernambucano (PE) Está em curso uma grande mobilização de estudantes, professores e trabalhadoras em apoio às ações dos camponeses na cidade de Jaqueira, em Pernambuco. Fruto dessa união, uma série de ações foram realizadas recentemente, vistas como grande vitória da luta pela terra, como a autodemarcação das suas terras, conhecida como “Corte Popular”. Essa luta promete parar todo o estado e pode ser o prelúdio de um grande enfrentamento entre camponeses apoiados pelos trabalhadores da cidade contra o latifúndio usineiro herdeiro direto dos senhores de escravo do Império, e que hoje é a base econômica de sustentação do presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira.

Nos últimos meses, os camponeses de Barro Branco, posseiros e verdadeiros donos das terras registradas no nome da escravocrata e fraudaria usina Frei Caneca, têm vivido um verdadeiro Estado de Sítio instaurado pela Polícia Civil do município de Jaqueira-PE. O objetivo é amedrontar os camponeses e fazê-los abandonar a luta por aquelas terras, que há mais de seculo estão sob suas posses. Os camponeses chegaram a apelidar a delegacia da Polícia Civil como “DOPS de Jaqueira”.

Os camponeses denunciam que os policiais estão atuando como pistoleiros do latifundiário Guilherme Maranhão, dono da Agropecuária Mata Sul LTDA, que arrenda essas terras na zona da mata pernambucana.

A atuação pró-latifúndio da Polícia Civil
Em entrevista a um correspondente local do jornal A Nova Democracia, um trabalhador denunciou a perseguição brutal que estão sofrendo, cujos métodos incluem desde a criminalização de panfletagens em feiras, ate a instauração de inquérito ilegal, com batidas policiais, depoimento forçado e ameaças de prisão de topógrafos e até mesmo advogados numa clara violação ao direito constitucional a defesa jurídica.

— Eles chegaram querendo saber quem era a liderança, entrando sem apresentar qualquer mandato, fazendo perguntas sobre a LCP e ameaçando de prender todo mundo em uma outra área nossa. Intimaram um dos nosso advogados e quiseram obrigar ele a dar depoimento. Queriam que ele falasse que somos organização criminosa. Nos chamam de ladrão, nos acusam de roubar materiais de construção, de provocar incêndios e dizem que somos associação criminosa. Nunca provaram nada. Eu sou crente, não sou ladrão. Quem é bandido aqui é essa Agropecuária Mata Sul.

Em suas justificativas, a Policia Civil diz estar investigando devido aos sucessivos boletins de ocorrência na localidade. Embora afirmem que tais incursões nada tem haver com a luta pela terra ou com tentativa de perseguição política, não esclarecem o que está por trás da tentativa de arrancar informações sobre lideranças camponesas e sobre a luta.

Através de fontes, que preferiram manter o anonimato, a equipe de AND teve acesso aos autos do inquérito, com boletins de ocorrência registrados a mais de ano, que somam um montante de 10, sempre feitos pelas mesmas pessoas representantes da Agropecuária Mata Sul. O conteúdo deles passa por acusações de incêndios e roubos de materiais de construção, porém sem apresentar nenhuma prova material.

Sobre isso, falou um camponês:

— Aqui é terra de usina, onde se planta cana. Queimadas são comuns. Eles mesmo incendeiam e depois vão lá e denunciam para incriminar a gente. Pode ver que nesse boletim eles falam que tem barreira para o fogo não se alastrar. Quem quer fazer incêndio está preocupado com isso?

Entre os autos está um relato da própria Policia Civil investigando uma atividade de panfletagem realizadas pelos camponeses em uma tradicional feira da região, o que denuncia o caráter político do processo. Essa quantidade de boletins que parecem cópias um do outro, são um material demasiadamente inconsistente para a abertura de inquérito capaz de esclarecer qualquer coisa. Mas eles servem para instaurar um estado policial sobre as massas. A delegacia da Polícia Civil, chamada de “DOPS de jaqueira” pelos camponeses, instaurou um inquérito policial a serviço do latifúndio:

— Eles disseram que não tem nada haver com terra, que nisso nós estamos com a razão, mas que eles querem combater as ações de uma organização criminosa, tão falando isso por ai. Falam assim porque sabem que tem que pintar a gente de criminoso pois não podem negar que essa terra é nossa.

Tal comportamento ostensivo da Policia Civil acontece num momento em que, após levantar a bandeira da Liga dos Camponeses Pobres, os camponeses têm avançado muito em sua luta, obtendo vitórias, como a suspensão do leilão de terras e a decisão em audiência publica onde a empresa será obrigada a demarcar cacimbas de águas que vinham sendo envenenadas, como já noticiado nessa tribuna.

A resposta do povo
Entre a enxurrada de boletins de conteúdo replicado, está o boletim de homens apontados pelos camponeses como pistoleiros da empresa. No ato em defesa das cacimbas estes homens efetuaram disparos de tiros e agrediram camponeses. As famílias prontamente repeliram a ofensiva.

Em tais boletins os homens (já conhecidos pelos camponeses) se fazem de vítimas para tentar incriminá-los como delinquentes e agressores. Chegam a dizer que apanharam de porretes sem nenhum motivo, porém, em toda a região é conhecido o comportamento provocador e agressivo desses sujeitos.

— É uma palhaçada, nós estávamos fazendo manifestação e eles chegaram zombando, xingando, atiraram com arma para intimidar e depois partiram pra cima da gente. O povo respondeu, ninguém vai ficar apanhado, ainda mais quando os cabras são pistoleiros e estão armados — denunciou um camponês.

Ele prosseguiu defendendo a ação como autodefesa das famílias:

— É lei, a gente pode se defender. Mas ai apanharam e foram chorar para polícia, bandido se fazendo de vitima e a polícia acoitando. Na confusão, o drone deles quebrou e querem botar a culpa na gente. Quem num pode com cacete, não anda mostrando porrete. Com a Liga é assim: bateu, leva de volta para aprender a ser gente.

Velho Estado ignora denúncia dos camponeses
É flagrante o caráter persecutório do inquérito pela própria falta de materialidade das acusações presentes nos boletins que a polícia se baseia para perseguir a luta camponesa. O delegado afirma que existe uma “conexão intersubjetiva entres incêndios, furtos e uma confusão em uma manifestação”, porém não apresenta provas concretas.

Da parte dos camponeses, existem uma centena de boletins de ocorrência denunciando invasões a casas por homens encapuzados com viaturas, ameaças de pistoleiros, agressão físicas e verbais, tortura e envenenamento através de drones. Essa robusta coleção de provas foi feita pelos camponeses sem qualquer apoio das instituições do velho Estado, pois não houve vontade por parte da Polícia Civil em investigar as ações que vinculam o latifúndio à ações ilegais e criminosas.

Os camponeses questionam essa atitude de dois pesos duas medidas:

— São tudo comprado, boletins nós já fizemos de muito. Aqui em casa eles vieram invadindo, encapuzados, com bermudinha e viatura da polícia, dizendo que nós tínhamos que ‘cair fora’. Jogaram veneno em criança autista, mataram plantação de banana, xingaram companheira de ‘puta’ e para polícia isso não é nada. Quem é criminoso? São eles, feito diabo agindo para matar, roubar e destruir.

Uma operação da Policia Federal, intitulada “Fogo Morto, executou mandados de busca e apreensão na sede da empresa Agropecuária Mata Sul em meio à investigações de fraudes e outros crimes de Guilherme Maranhão e outros usineiros do estado.

O comportamento da Policia Civil, que para as famílias camponesas está há anos vinculada ao latifúndio, reflete o desespero dos donos de terra da região frente a luta do povo. Esta luta não retrocede, mas se intensifica no objetivo repelir com combatividade as investidas dos pistoleiros, erguendo sua luta ainda mais alto, desmascarando as promessas falsas do oportunismo. Os camponeses chegam a afirmar que estão “encurralando o ladrão de terras Guilherme Maranhão e os arrendamentos fraudulentos da Usina Frei Caneca”.

— Sabemos que eles estão com medo, já não passam mais boi na estrada, não olham nem mais na nossa cara, estão assutados, desde que a bandeira da liga foi levantada o povo finalmente olha para cima e eles para baixo. A palavra do senhor diz que os humilhados serão exaltados, estamos derrubando a muralha de jericó. Com Deus e a Liga, nós vamos até o fim.

Posseiros de barro branco realizam vitoriosa assembleia popular e denunciam: policia é para ladrão, camponês não!

A equipe de AND também esteve presente em uma assembleia popular organizada pelos camponeses.

Realizada no dia 11 de maio, véspera do dia das mães, a assembleia reuniu mais de 60 camponeses de Barro Branco para celebrar as vitorias da luta e avaliar os próximos passos da luta contra a perseguição policial. Os camponeses são posseiros das terras da usina Frei Caneca, que é alvo de denúncias pelas famílias em luta de ser arrendada ilegalmente por Guilherme Maranhão e sua empresa “Agropecuária Mata Sul”, situada no município de Jaqueira, zona da mata de Pernambuco.

Na assembleia, os camponeses denunciaram que a usina é oriunda da escravidão e se encontra atualmente falida. Eles celebraram a vitoria da demarcação das cacimbas que estavam sendo contaminadas e envenenadas pela empresa latifundista e também rechaçaram a perseguição da Policia Civil que realizou uma série de arbitrariedades e perseguições. O objetivo da ação da Policial Civil, segundo os camponeses, é de amedrontar e dividir a luta pela terra.

No total, mais de 60 camponeses estiveram presentes em tal assembleia participando de maneira altiva e vibrante. Os camponeses definiram a palavra de ordem “Policia para ladrão, camponês não!” em rechaço à perseguição e apontando que o verdadeiro ladrão é o proprietário da Agropecuária Mata Sul e daqueles que as famílias também apontam como sendo seus pistoleiros (caracterizados pelo movimento camponês como “bandidos cujo histórico de ameaças, torturas e perseguições já é conhecido”).

Durante a assembleia, os camponeses denunciaram que a Policia Civil cumpre um papel de “serviçal do latifúndio”, chegando até mesmo a investigar uma simples panfletagem em feira, violando o mais básico direito democrático, o direito de lutar.

Em fala muito aclamada na assembleia, a Liga dos Camponeses Pobres afirmou o seguinte:

— Se pensam que com isso vocês vão amedrontar os camponeses estão muito enganados. Estamos unidos em nossa luta e certos da nossa vitória. Associação criminosa é Agropecuária Mata Sul e sua corja de bandidos! Vamos responder com mais luta e mobilização para conquistar o que é nosso por direito!

Na mesma assembleia os camponeses decidiram por unanimidade erguer a bandeira do povo palestino em homenagem a sua resistência nacional e afirmando sua solidariedade com essa luta, bem como desencadear uma campanha de propaganda contra a perseguição policial e denunciando os crimes do latifúndio.

Um dia depois, a comissão já estava com a mão na massa, trabalhando a todo vapor, como consta nas imagens abaixo:

* Os artigos aqui reproduzidos não expressam necessariamente a opinião deste Diário

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