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Eleições nos EUA

A mão dos craqueiros eleitorais coça para votar em Biden

A esquerda pequeno-burguesa começa a defender que Trump é pior do que Biden até naquilo que todos sabem ser mentira: a política internacional

As eleições dos EUA estão se aproximando. A esquerda brasileira, em sanha pela falida frente ampla, se prepara para apoiar o genocida Joe Biden. Acreditam que Trump é a pior coisa do mundo, ou seja, caem na campanha do Partido Democrata, que representa os maiores inimigos dos trabalhadores do mundo, isto é, o principal setor do imperialismo mundial. Marcelo Zero publicou no Brasil 247 o texto Trump promete ser pior. A tese seria que, até na política externa, Trump é pior que Biden, algo difícil de acreditar.

Ele começa citando um artigo da revista internacional Foreign Policy, que é a principal base de seus argumentos, então comenta: “alguns analistas, sem uma fundamentação sólida, argumentam que uma futura administração Trump poderia ser mais pragmática e menos agressiva que a atual administração Biden, especialmente em alguns campos, como o do conflito ucraniano”. Essa é uma afirmação baseada na atuação de Trump em seus anos de presidência. Em 2014, Obama escalou contra a Rússia com o golpe na Ucrânia. Trump nada fez. Biden, quando assumiu, escalou com a Rússia mais uma vez. E Trump se coloca de forma crítica à guerra desde seu princípio.

Ele então afirma: “desnecessário dizer que essa estratégia geoeconômica seria um desastre e agravaria os problemas e a instabilidade da economia mundial. Trump poderá levar o planeta a uma guerra econômica e comercial generalizada”. E mais adiante cita “contenção da China deverá ter também aspectos militares”. Aqui há uma incompreensão comum, em que se assume que Trump seria mais agressivo com a China e Biden mais agressivo com a Rússia. Mas basta ver o comportamento de Biden atualmente em relação à Formosa Chinesa (chamada de Taiuan pela imprensa burguesa). Os democratas já se preparam para uma possível guerra com a China.

Aqui, é preciso acabar com o argumento de que o discurso é uma demonstração concreta da política. Isso ficou claro com a questão de “Israel”. Trump, supostamente, seria mais sionista. Mas, no fim, ele não tem a mesma base que Biden, o complexo industrial militar, as petroleiras e os grandes bancos, então tem menos motivos materiais para defender “Israel”. Biden, por sua vez, que seria ideologicamente menos sionista, está sustentando o genocídio na Palestina há oito meses com menos críticas a Netaniahu que Trump. Ou seja, a base social de Biden é o que o faz ser mais bélico que Trump, e isso vale também para a China.

Ele segue comentando: “o autor menciona a ideia de os EUA realizarem exercícios militares não apenas com aliados clássicos da zona do Indo-Pacífico, como Austrália e Coreia do Sul, mas também com as Filipinas, Indonésia e Vietnã, países que têm disputas territoriais com a China, principalmente concernentes ao Mar do Sul da China e ao Estreito de Malaka. Para esses últimos países, Trump promete extensa ajuda militar, semelhante à já ofertada para Israel”. Como já dito acima, as promessas de Trump não são piores que a realidade de Biden.

E continua: “em relação ao Oriente Médio, o autor prevê ‘o retorno da pressão máxima’. Tal pressão será exercida essencialmente sobre o Irã, que, de acordo com O’Brien, ‘é a fonte de toda a instabilidade na região’, inclusive do conflito israelo-palestino. Nenhuma palavra sobre Netanyahu e sua política desastrosa”. Isso não é verdade. Trump criticou Netaniahu em mais de uma ocasião. Além disso, a base trumpista importante, como Tucker Carlson, teve que rachar com o sionismo diante da pressão da população.

Por fim, é mentira que Trump seja mais radical contra o Irã. O grande ataque de Trump contra o país foi o assassinato de Qassem Soleimani em 2020. Aquilo foi uma política atípica do presidente, levada adiante, provavelmente, por John Bolton, um tradicional republicano ligado a Bush. Ou seja, a política dos democratas também era mais radical contra o Irã do que Trump. E, nesse momento em que o sionismo se enfraquece em suas bases, os democratas tendem a ser muito piores que Trump.

Sobre a Ucrânia, o artigo destaca que: “o autor sugere, por conseguinte, que Trump poderá enviar armas mais destrutivas e modernas para Quieve [Ucrânia]. O’Brien e Trump, assim como Biden, parecem apostar, desse modo, numa muito improvável vitória militar da Ucrânia”. Pode ser que Trump envie mais armas para a Ucrânia, mas é absurdo considerar que ele seria pior que Biden, o responsável direto pela guerra. O próprio filho de Biden estava envolvido em todo o processo que levou a Ucrânia a se tornar uma espécie de base da OTAN.

Então ele conclui: “Trump não disfarça que quer voltar para liderar a extrema-direita em nível global. Esse será o centro de sua política externa. Trump, se eleito, tenderá a criar uma ordem mundial ainda mais fragmentada, conflituosa e incerta. Uma ordem ‘hobbesiana’ baseada numa única regra: a força, como o próprio título do artigo sugere. E a instituições multilaterais, como a ONU, a OMC etc., depositárias das regras acordadas, que se lixem”. 

Esse é outro argumento que desmente a tese de que Trump seria pior no quesito política externa. Isso porque a extrema direita mundial segue uma linha parecida com Trump. Na Europa, os partidos desse bloco são contra a OTAN, contra a guerra na Rússia. O governo da Hungria é a grande oposição interna da OTAN e é um dos mais antigos da extrema direita. Dos países imperialistas, o menos bélico, nesse momento, é a Itália governada pela extrema direita. Nesse sentido, o efeito Trump tende a ser de diminuir essa tendência bélica.

Por fim, é sempre valido explicar o porquê de Trump ser menos agressivo na política externa que Biden. O atual presidente dos EUA é um representante das principais forças do imperialismo. Os banqueiros, as petroleiras, a indústria bélica e os maiores monopólios do mundo. Ou seja, ele leva adiante a política de dominação mundial desse bloco. Trump é representante do setor capitalista secundário dos EUA, que ainda é grande, mas muito menor. As empreiteiras, as minas de carvão, as indústrias decadentes do país. Esse setor está mais preocupado com a economia interna dos EUA. No fim, é um setor do imperialismo mais fraco, menos agressivo.

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