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Henrique Áreas de Araujo

Militante do PCO, é membro do Comitê Central do partido. É coordenador do GARI (Grupo por Uma Arte Revolucionária e Independente) e vocalista da banda Revolução Permanente. Formado em Política pela Unicamp, participou do movimento estudantil. É trabalhador demitido político dos Correios e foi diretor da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios)

523 anos da chegada de Cabral

Viva o Brasil, descoberto dois meses depois do carnaval!

Imperialismo, com a ajuda do identitarismo reacionário, escondeu a data da chegada dos portugueses

Ontem, dia 22, completaram-se 523 anos da chegada dos portugueses a essa terra, depois chamada Brasil.

Abri o Google pela manhã, e lá estava a homenagem… ao Dia da Terra. Pensei: “que raios de ‘Dia da Terra’ é esse?”. O meu interesse chegou apenas até o ponto de saber que é um dia internacional para as pessoas terem “consciência” ambiental, ou qualquer babaquice desse tipo. Descobri também, sem nenhum espanto, que o tal Dia da Terra foi instituída pela ONU em 2009 e inventada por um senador norte-americano em 1970, chamado Gaylord Nelson. Quem poderia imaginar que o tal dia foi criado pelo imperialismo?

Voltando ao Brasil, a escolha do Google, que costuma homenagear datas internacionais ou de países para fazer demagogia ou propaganda de alguma coisa, revela bem o que está por trás da concepção identitária sobre a história do nosso País. A empresa imperialista preferiu falar de um dia que ninguém sabe o que é e esquecer o dia do Descobrimento do Brasil (talvez sejamos cancelados por chamar assim).

O mais irônico, e parece até que foi feito de propósito, é que a data alternativa é justamente algo que está relacionado ao meio ambiente, um dos principais flancos de ataque imperialistas contra o Brasil. Tudo se encaixou.

Mas não foi apenas o Google que ignorou os 523 anos do Brasil. Pouco se falou na imprensa, apesar de o Brasil um país bem jovem se compararmos a outros países do mundo, nosso aniversário ficou esquecido como um velho de 92 anos sozinho no asilo de cujo aniversário ninguém se lembra, nem ele mesmo.

Esse é o resultado da intensão propaganda imperialista feita no Brasil contra o nosso País. A ordem é fazer o brasileiro pensar que somos um verdadeiro lixo. Tudo o que foi feito no Brasil é ruim, incluindo o próprio povo brasileiro. Essa ordem é dada pelo imperialismo, não devemos ter dúvida disso. É ele que financia essa ideologia reacionária contra o nosso país e o Google está aí para não termos dúvida mesmo.

Não tenho aqui a pretensão de explicar as besteiras ideológicas sobre a história do Brasil. Mas apenas marcar que essa data é muito importante. Nossa história, feitas de contradições como a de qualquer outro lugar do mundo, é bonita e deve ser encarada assim.

A chegada dos portugueses é um marco importante não apenas para o Brasil, mas para o mundo. Nesse sentido, o empreendimento português que resultou na descoberta do Brasil é um fenômeno essencial para o desenvolvimento histórico do mundo.

Além disso, a chegada dos portugueses aqui marca a fundação de um País que o mundo reconhece como um dos mais maravilhosos do planeta. Pelo seu povo, por sua cultura popular, por suas belezas naturais, por suas riquezas. O Brasil só não é melhor porque aqui existem canalhas dispostos a enregar o país para o estrangeiro, há a burguesia entreguista, os direitistas e a nova classe de entreguistas chamada identitários, entre outros.

Viva o Brasil e o seu povo. O povo que estava aqui desde o começo e os povos que chegaram durante esses 523 anos.

Escolho terminar com a música popular, uma das nossas maiores riquezas e que sabe, melhor do que qualquer identitário, expressar o que é o Brasil que, como diz o grande Lamartine Babo, não à toa foi descoberto só dois meses depois do carnaval.

História do Brasil (Lamartine Babo)

Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral!
Foi seu Cabral!

No dia vinte e um de abril
Dois meses depois do carnaval

Depois
Ceci amou Peri
Peri beijou Ceci
Ao som…
Ao som do Guarani!

Do Guarani ao guaraná
Surgiu a feijoada
E mais tarde o Paraty

Depois
Ceci virou Iaiá
Peri virou Ioiô

De lá…
Pra cá tudo mudou!
Passou-se o tempo da vovó
Quem manda é a Severa
E o cavalo Mossoró

História do Brasil (marcha/carnaval) - Lamartine Babo

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