"Representatividade"

Um socialismo de butique

Em nome da "representatividade", Erika Hilton defende um socialismo de butique e é contratada para desfilar para os grandes capitalistas

Erika Hilton, do PSOL, desfilou na São Paulo Fashion Week – SPFW-, no shopping Iguatemi, Zona Sul da capital paulista. A deputada federal tinha sido contratada por uma agência de modelos, a Joy Management, em julho de 2023. Anteriormente, Erika Hilton já vinha posando para capas de revista e desfiles.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, nos bastidores do desfile, Erika Hilton afirmou que “moda é política”, revelando como a deputada do PSOL realiza seu trabalho no Congresso Nacional, ou seja, por um socialismo de butique.

Perguntada sobre a “importância da sua representatividade em uma passarela tão importante”, Hilton respondeu: “Me sinto realizada […] de unir as coisas que eu gosto ao meu trabalho e ao projeto político que eu tenho para o Brasil. A política, ela não pode ser o que ela é e ela não pode representar o que representa. Ela precisa ser oxigenada, precisa ser renovada e repensada. Fazemos isso interseccionando outras coisas a ela”. (grifos nossos)

Essa fusão da moda, a maior representação do fetichismo da mercadoria, com o trabalho para o povo no Congresso, revela os interesses das representações criadas pelo PSOL, isto é, fazer da representação parlamentar somente um trabalho de propaganda, onde a “representatividade” e o fetichismo se sobreponham à política séria. Um segundo aspecto é o da “renovação” da política, tão proferida por políticos da direita, como, por exemplo, o partido Novo.

De acordo com Hilton, “entendendo que a moda é política, a passarela é política e as marcas são políticas. Então, quando eu entro pela primeira vez na passarela, sendo uma representante das causas que eu represento e do poder legislativo, sinto que mudei não só a minha história, mas a história da política”. (grifos nossos)

Se tudo é política, e a deputada está representando as causas que ela diz representar, logo não está defendendo nenhuma causa socialista, nenhuma causa de esquerda. Se ela diz estar levando suas causas para a passarela de um evento que representa o ápice da objetificação da mulher e dos interesses estéticos do capitalismo, logo, ela não está representando nenhum interesse dos trabalhadores, apenas das corporações, dos grandes capitalistas. 

Ao mesmo tempo, a deputada confessa: “Eu disse e continuo dizendo que não me adequarei, não me adequo à política e continua “quando eu recebi pela primeira vez o convite para participar da São Paulo Fashion Week, para mim, foi como se tivesse sido um reencontro com aquela Erika de 10 anos de idade. É diferente, mas é uma coisa para a qual acho que tenho perfil”. 

Hilton foi eleita para um cargo que não está disposta a exercer, e mais do que isso, foi eleita justamente para se promover. Ela não quer defender nenhum direito da população, seja dos trabalhadores, seja dos “transexuais” que ela diz representar. De acordo com a deputada, sua carreira política serviu, até aqui, para sua autopromoção.

Evidentemente que estamos diante de uma representação parlamentar de si mesma, desvinculada de qualquer interesse dos trabalhadores, que mais sofrem com a política de deputados como Érika Hilton. Segundo a deputada “Não é à toa que eu sou um fenômeno entre jovens. Jovens não tinham interesse por política. E eles não vêm para a política porque pensam ‘eu quero ver a assembleia’, mas sim porque querem estar com a popstar”. (grifos nossos)

A soberba não é o pior, embora seja muito negativo, o problema é atuar como vedete da burguesia, representando na prática os interesses dos grandes capitalistas em ter um personagem ao invés de uma política. Trata-se, na prática, de uma esquerda de butique, e essa política de Érica Hilton revela o seu oportunismo, tanto na carreira na moda, quanto na política. Enquanto isso os trabalhadores ficam sem representação alguma.

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