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Em vias de guerra

Sudão: golpe e guerra civil para esparramar as peças do xadrez

Forças de aliado da CIA promove intensificação de golpe patrocinado por Washington

O estágio de desenvolvimento desigual e combinado de um país como o Sudão é permanecer dividido, para que imperialistas reinem. O Sudão é um dos países mais ricos em recursos naturais na África, especialmente Ouro e Petróleo (o protagonista de quase todas as crises nos países atrasados). Essa é a aparência de um conflito que vem escalando após a crise internacional aprofundada após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a África entra em grande contradição com o imperialismo, e em 1956 o Sudão declara independência do Reino Unido e do Egito, sucedendo diversas guerras civis. O país se torna palco de divisões fortalecidas pelo imperialismo, que estabeleceu um governo fantoche desde a independência, sendo estimulado que ocorresse um golpe de estado em 1958.

Agora, o Sudão (norte) está sendo dividido entre o golpismo e a guerra, que pode ser de grande extensão na África e Oriente Médio, em um país que oferece petróleo e, principalmente ouro, nas trocas desiguais promovidas pelo imperialismo.

A raiz utilizada pelo imperialismo para manobrar a divisão do Sudão é a promoção das diferenças étnico-religiosas, agora, a profunda luta por ouro. Em 1948, foi elaborada uma Constituição que instituía eleições parlamentares locais no Sudão, as quais foram realizadas e seguidas por disputas internas entre grupos mais ligados às forças britânicas e outros às egípcias, o outro país que estava no consórcio entre Reino Unido e Egito. O Sudão se tornou o maior país africano em extensão territorial, um dos mais ricos em petróleo, diamante, ouro entre outros recursos, numa diferença absurda entre o deserto e a floresta, entre a região composta por rios e a totalmente sem água potável.

As diferenças entre os dois territórios e o poder político concentrado no norte, nas reservas auríferas (onde se localiza a capital, Khartoum) foram mantidas após a independência. A explosão da guerra seria rápida, já em 1956, durando até 1972. Grupos armados de libertação foram financiados para prosseguir a guerra até que acordos internacionais pudessem envolver o petróleo do Sudão para estancar o choque neoliberal com a revogação de Bretton Woods e a consequente crise do petróleo mundial.

Pausas na guerra e o desenvolvimento da situação para a intensificação da guerra

A segunda guerra do Sudão foi de 1983 até 2005 e é um dos maiores conflitos bélicos da história. A atuação grosseira da CIA no conflito, estimulando o jorro de sangue, passa por uma mudança estratégica, por intermédio de ONGs. Organizar o norte para impor a Charia em todo país, principalmente ao Sul, de maioria animista e católica, fortaleceria as pretensões de dominação imperialista, num país que contém recursos, posição estratégica junto ao mar negro e sem solução aparente a não ser para causas humanitárias de ONGs imperialistas, bem como para a indústria bélica e indústria do petróleo.

Em 21 anos foram mais de 2 milhões de civis mortos no sul, além de muita fome e doenças, sendo um dos países com o maior número de refugiados. Milhares de crianças lutaram na guerra, intensificando a campanha para a separação entre as duas regiões em conflito estimulado pelo imperialismo. Apesar de uma relativa trégua, o norte continuou fustigando as forças rebeldes e separatistas até que em 2011, foi realizado um referendo que definiu a separação e emancipação da região na porção meridional, tendo como capital a cidade de Juba. Em meio a um cenário de “primavera árabe”, o Sudão do Sul (católico e animista), sofreu pelos conflitos entre vizinhos do norte e com o próprio imperialismo, que logo tratou de organizar um governo fantoche para distribuir o petróleo.

Extraído da BBC (sem escala) [1]

Golpe de Estado no Sudão (norte)

Em outubro de 2021 sucedeu um golpe no Sudão que dissolveu o conselho civil-militar conjunto que comandava o país. Prisões de políticos e mortes de civil não pararam de lá para cá. O enfraquecimento do Sudão com a fragmentação no ponto nevrálgico de parte do território que poderia desenvolvê-lo, aprofundou a crise no desértico país nos últimos 12 anos. O Estado de emergência visava estancar a crise no país muçulmano. De acordo com a OMS “A violência que tomou conta do Sudão já deixou ao menos 413 mortos e 3.551 feridos, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na sexta-feira (21/04). Os confrontos entre paramilitares e forças do governo eclodiram nas ruas da capital, Cartum, em 16 de abril e se estenderam por outras regiões do país africano.” [2]

Os combates começaram após tensão que vinha sendo desenvolvida as Forças Armadas do Sudão, sob o comando do general Abdel Fatah al-Burhan, e paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR), chefiadas pelo vice-presidente do Conselho Soberano, Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti. A disputa se dá entre os ‘nacionalistas’ da FAR e as Forças Armadas do Sudão, de al-Burhan, capacho da CIA, de acordo com Thomas Mountain, jornalista independente [3].

Embaixada dos EUA emite alerta de segurança no Sudão

A embaixada americana no Sudão emitiu um alerta de segurança aconselhando os cerca de 16.000 cidadãos dos EUA no país a se abrigarem no local, porque atualmente não é seguro realizar um esforço de evacuação em meio a combates ferozes entre as forças do governo e militantes em Cartum. A violência é tão feroz que a própria embaixada permanece sob uma ordem de abrigo no local e não pode fornecer serviços consulares, de acordo com um alerta emitido no sábado. Autoridades dos EUA citaram combates e tiros em andamento em Cartum e áreas vizinhas.

“Também houve relatos de assaltos, invasões de casas e saques”, disse a embaixada. “Os cidadãos dos EUA são fortemente aconselhados a permanecer dentro de casa, abrigo no local até novo aviso e evitar viagens para a Embaixada dos EUA.”

O aeroporto de Cartum está atualmente fechado, e a embaixada se distanciou de quaisquer esforços para tirar as pessoas do país, viajando pela rota terrestre de 500 milhas para Port Sudan, no Mar Vermelho. “Atualmente, não é seguro realizar uma evacuação coordenada pelo governo dos EUA de cidadãos privados dos EUA”, disse o aviso. “Há informações incompletas sobre comboios significativos que partem de Cartum em direção a Port Sudan. A embaixada não pode ajudar os comboios. Viajar em qualquer comboio é por sua conta e risco.”(informações da RT) [4].

Cessar-fogo

As Forças Armadas sudanesas (SAF) e as paramilitares rivais Forças de Apoio Rápido (RSF) concordaram com um cessar-fogo de 72 horas a partir de terça-feira. A notícia vem depois de um fracasso em alcançar uma trégua de 24 horas na semana passada em meio a violentos conflitos armados entre os grupos. “Este cessar-fogo visa estabelecer corredores humanitários, permitindo que cidadãos e residentes acessem recursos essenciais, cuidados de saúde e zonas seguras, ao mesmo tempo em que evacua missões diplomáticas”, disse a RSF em um comunicado na segunda-feira. A RSF disse que a trégua foi mediada pelos EUA, enquanto a SAF disse que o acordo foi resultado de um esforço EUA-Arábia Saudita. A SAF expressou esperança na segunda-feira de que o cessar-fogo ajude a criar “condições humanitárias apropriadas” para os civis. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, pediu a ambos os lados que “apoiem imediata e totalmente o cessar-fogo”. No entanto, na terça-feira, a RSF acusou “a outra parte” de violar a trégua ao ter “seus aviões sobrevoando Cartum”, a capital do país. O grupo reiterou seu “compromisso absoluto” com o acordo. [5]

Há riscos biológicos envolvidos para estabelecimento do cessar-fogo: “Há um enorme risco biológico associado à ocupação do laboratório central de saúde pública… por uma das partes em combate“, disse Nima Saeed Abid, representante da OMS no Sudão, a repórteres em Genebra por videoconferência. Ele disse que os técnicos foram expulsos sem “nenhuma acessibilidade” ao laboratório e sem nenhuma maneira de “conter com segurança o material biológico e as substâncias disponíveis“. [6]

Nova Síria?

A instabilidade não interessa aos países da região do Oriente Médio e África, justamente no momento em que as forças se voltam para estabelecimento de uma paz duradouras entre árabes/muçulmanos e países em contradição com o imperialismo. Conversações estão em andamento reunindo adversários históricos. O nível de violência superior ao conflito entre Rússia e Ucrânia pode escalar num nível Síria, de acordo com analistas consultados por este Diário, em levantamento da escala do conflito. Está arriscado que a permanência da guerra no Sudão se alastre aos países vizinhos, especialmente na frágil região do Sahel.

A União Africana vem tentando manter o diálogo, mas o surgimento de Blinken na região, parece que seja para manter o golpe de Estado e aprofundar o nível de violência. A luta pelo controle do palácio presidencial e dos aeroportos impediu que delegações de paz do Quênia, Sudão do Sul e Djibuti chegassem ao inseguro aeroporto de Cartum. Apelos da Liga Árabe, do Conselho de Cooperação do Golfo, da Organização de Cooperação Islâmica, do Egito, do Reino da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, das Nações Unidas, da União Europeia, dos Estados Unidos e da Rússia não tem sido suficientes. Ouro, petróleo e rivalidades ferozes estão sendo tratados com combustível pelo Departamento de Estado norte-americano, que já vê no conflito uma oportunidade de equipar suas bases no chifre da África. Um novo golpe e novo desequilíbrio no epicentro do xadrez da conciliação entre China, Rússia, Irã e Arábia Saudita, é oportunidade para o imperialismo, infelizmente.

Nota

[1] BBC. Sudão do Sul se torna o mais novo país do mundo. 8 de julho, 2011

[2] DW. Entenda o conflito que já deixou mais de 400 mortos no Sudão.

[3] RT. Sudan’s fight to the finish: General Burhan is the CIA’s henchman in Sudan, Thomas Mountain says. https://www.rt.com/shows/going-underground/575124-sudan-armed-conflict-cia-henchman/

[4] RT. US Embassy issues security alert in Sudan. https://www.rt.com/news/575197-us-embassy-sudan-security-alert/ 22 abr. 2023.

[5] RT. Warring parties in Sudan declare ceasefire. https://www.rt.com/africa/575291-sudan-72-hour-ceasefire/ . 25 abr. 2023

[6] RT. Biohazard risk in Sudan as warring faction seizes lab – WHO. https://www.rt.com/africa/575314-who-biohazard-risk-sudan/

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