HISTÓRIA DA PALESTINA

Sionistas estupraram mulheres e mataram mais de 70 palestinos

"Em Safsaf, mulheres imploraram por misericórdia. Três casos de estupro... Uma menina de 14 anos estuprada"

Safsaf era um vilarejo palestino árabe localizado na região da Galiléia, mais um dos mais de 400 que foram alvos das atrocidades perpetradas pelos judeus sionistas durante a Nakba, ou seja, a sistemática expulsão e assassinato dos palestinos no final da década de 40. O ataque à aldeia foi parte da Operação Hiram, a qual, liderada por Moshe Carmel, general das Forças de Defesa de Israel, tinha por objetivo a destruição do “inimigo” na parte central da Galiléia para garantir o controle de sua fronteira norte e, consequentemente, de toda a região. Região que, inclusive, mesmo segundo o criminoso Plano de Partição da Palestina (Resolução 181 da ONU), deveria pertencer aos palestinos.

O massacre se deu no dia 29 de outubro de 1948, seguindo o mesmo modus operandi do qual as tropas sionistas se utilizaram nos massacres precedentes. Conforme depoimento de um dos sobreviventes e principal testemunha do ocorrido, Muhammad Abdullah Edghaim, um batalhão misto de soldados judeus e drusos invadiram o povoado naquele dia após um pesado bombardeio que havia atingido o oeste de Safsaf.

Conforme exposto pelo historiador judeu israelense Ilan Pappe em seu livro A Limpeza Étnica da Palestina, todas as tropas que defendiam o vilarejo, nelas inclusos voluntários do ALA (Exército de Libertação Árabe), estavam esperando que as tropas sionistas atacassem vindas do leste. Contudo, foram pegas desprevenidas com os judeus e drusos vindo do oeste, sendo rapidamente derrotadas.

Da mesma forma como vinha ocorrendo com as atrocidades anteriores cometidas pelos sionistas, grande parte desse novo massacre também ocorreu após a rendição da aldeia. Na manhã seguinte, conforme descreve Pappe, “o povo recebeu ordem de se reunir na praça da aldeia”, quando se realizou o já rotineiro procedimento de identificar “suspeitos”, ou seja, pessoas que pudessem oferecer algum tipo de resistência ao terror sionista.

Cerca de 70 palestinos foram escolhidos arbitrariamente pelos sionistas e drusos, “vendados e depois transferidos para um local remoto e então sumariamente fuzilados”, fato inclusive confirmado por arquivos militares do Estado de “Israel”.

Assim como ocorre com toda a história da Nakba, os documentos oficiais não são suficientes para retratar a extrema violência engendrada pelo sionismo para viabilizar a limpeza étnica da Palestina. Assim, os testemunhos dos palestinos que vivenciaram na pele o fascismo sionista são essenciais, pois eles relatam as atrocidades sionistas em toda sua extensão. Sobre isto, diz Pappe:

“Há muito pouca razão para duvidar dessas testemunhas oculares relatos, já que muitos deles foram corroborados por outras fontes para outros casos”.

No que diz respeito ao massacre de Safsaf, o historiador judeu dá os seguintes detalhes aterradores, dentre os quais mulheres e mesmo uma garota sendo estuprada, além de uma mulher grávida ter seu ventre perfurado com uma baioneta:

“Os sobreviventes recordam como quatro mulheres e uma menina foram estupradas na frente de outros moradores e como uma mulher grávida foi golpeada com baionetas”.

Um nível de crueldade digno de nazistas.

Até mesmo sionistas chegaram a confirmar o ocorrido, como foi o caso de Moshe Erem, sionista “de esquerda”, outrora membro do Knesset (parlamento israelense), ao relatar sobre o massacre em uma reunião do comitê político do Mapam (partido sionista “de esquerda”, dissolvido em 1997):

“[Em] Safsaf, 52 homens [foram] amarrados com uma corda. Empurrados para baixo de um poço e baleados. 10 mortos. Mulheres imploraram por misericórdia. Três casos de estupro… Uma menina de 14 anos estuprada. Outros quatro mortos.”

Como se não bastasse apenas o assassinato, o sadismo dos sionistas também era evidenciado por um costume que frequentemente se repetia nesses massacres: obrigavam sobreviventes que não conseguiam escapar a enterrarem os mortos:

“Algumas pessoas foram deixadas para trás, como em Tantura, para recolher e enterrar os mortos – vários homens idosos e cinco meninos”.

É necessário frisar que Illan Pappe não é o único historiador judeu que resgatou informações sobre mais este massacre perpetrado pelo sionismo contra os palestinos. Há inúmeros outros, dentre eles Benny Morris, que o relatou em sua obra O nascimento do problema dos refugiados palestinos. Nela, os seguintes trechos expõem a natureza fascista do sionismo:

“Em Safsaf, as tropas dispararam e depois despejaram num poço entre 50 e 70 aldeões e prisioneiros de guerra .

[…]

Depoimento oral árabe do início da década de 1970, registrado por Nazzal (Êxodo, 93–95), mais ou menos corrobora a documentação judaica contemporânea. Segundo Nazzal, os soldados estupraram quatro mulheres, vendaram e executaram ‘cerca de 70’ homens. ‘Os soldados então pegaram os corpos e os jogaram sobre o revestimento de cimento da nascente da aldeia’.”

Ao fim, o massacre de Safsaf resultou no assassinato de mais de 70 palestinos, expulsando milhares de suas casas.

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