Guerra no leste europeu

Seymor Hersh: Derrota da OTAN na Ucrânia está próxima

Conversações sobre um possível acordo de paz é a prova de que a Ucrânia está à beira de um colapso. As baixas no exército ultrapassam o número de um milhão de soldados

Zelensky

O jornalista Seymour Hersh publicou que estão em andamento negociações de paz entre os principais generais russos e ucranianos. Segundo ele, o general russo Valery Gerasimov e o ucraniano, Valerii Zaluzhnyi, discutem sobre a segurança da Crimeia e as outras quatro regiões que aderiram à Rússia.

Segundo esse acordo potencial, a Ucrânia poderia entrar na OTAN apenas no caso de tropas serem proibidas de ficar estacionadas ali, além de que o país poderia ter apenas armas defensivas em seu território.

Hersh afirma que tanto a Rússia quanto a Ucrânia concordam que a continuação da guerra é ilógica; e que para Putin o acordo fixaria as fronteiras conforme as posições das tropas após o fim das negociações de paz.

Ucrânia em apuros

No programa Análise Internacional deste 27 de novembro, o comandante Robinson Farinazzo e Rui Costa Pimenta analisaram as dificuldades que a Ucrânia vem sofrendo. Farinazzo disse que, segundo estimativas, o país deve ter algo em torno de 1,16 milhões de baixas. Os mortos, 400 mil, correspondem a mais ou menos um terço desse número. As baixas são formadas pelos números de mortos, feridos, desaparecidos, desertores e prisioneiros.

Rui lembrou que essas baixas se dão principalmente entre homens na idade entre 18 e 40/50 anos. Essa é uma parte considerável da população economicamente ativa. Os dois lembram que a Ucrânia vai ser tornar um país de órfãos e viúvas. O imperialismo destruiu um país. O ministro da Defesa russo, Sergey Shoigu, afirmou que nos seis meses da progandeada contraofensiva, Kiev perdeu mais 125 mil soldados, além de 16 mil armas pesadas.

“A mobilização total na Ucrânia, a entrega de armas ocidentais e a implantação de reservas estratégicas pelo comando ucraniano não mudaram a situação no campo de batalha”, informou a RT a fala ministro russo. “Essas ações desesperadas simplesmente aumentaram as perdas das forças armadas ucranianas.”

O comando russo já admite que as fronteiras vão se expandir, o que faz sentido, segundo Farinazzo, pois a Rússia precisa se precaver contra ataques de mísseis de longo alcance.

Crise

A crise já está instalada, Zelensky anda se desentendendo com alto-comando das forças armadas, na verdade, é um jogo de forças entre o imperialismo e o governo ucraniano, pois a derrota seria catastrófica para os interesses do grande capital.

De acordo com Hersh, a administração Biden se opõe veementemente a um acordo de paz, que atualmente estaria na mesa de Zelensky, tratado como um “fator imprevisível”. Em Kiev já se fala na demissão Zaluzhnyi.

A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Bardock, afirmou recentemente que “A Ucrânia está desaparecendo da visão do público, e isso é fatal”. E disse ainda que “Todos nós temos que trabalhar para estender ainda mais o guarda-chuva de proteção de inverno para a Ucrânia”. O problema é que a guerra de Israel contra os palestinos se tornou a questão mais importante no momento.

Além de mandar dois porta-aviões para proteger o Estado sionista, e provisionar bilhões de dólares para ajuda militar, os EUA, acabam de noticiar, estão enviando bombas para destruir bunkers. A grande imprensa já vinha noticiando a dificuldade do imperialismo em municiar Kiev que está ficando em segundo plano. Mais munição para um significa menos para outro.

Não poder lidar com os dois conflitos revela simultaneamente a decadência da OTAN e do imperialismo, que praticamente assistiu às revoltas na África e pouco pode fazer para Taiwan.

As consequências de uma derrota na Ucrânia são difíceis de imaginar. Se a vitória do Talibã encorajou inúmeros países a se rebelarem contra a dominação imperialista, uma vitória da Rússia seria explosiva para a situação política internacional.

Derrota

A admissão de um acordo de paz é praticamente o reconhecimento de que a Ucrânia já não suporta levar essa guerra adiante. No entanto, não é apenas uma questão de ‘Ucrânia’, mas de OTAN, pois se trata de uma guerra por procuração. Derrotar os ucranianos significa derrotar todo o esforço militar empreendido pelos EUA e pela União Europeia, por mais que tentem jogar a culpa de um eventual fracasso nas costas de Zelensky

Hersh, cita um oficial americano envolvido nas conversações que diz que o que está ocorrendo não é um “evento impulsivo”, que “isso foi cuidadosamente orquestrado por Zaluzhnyi. A mensagem é que a guerra acabou e queremos sair. Continuá-la destruiria a próxima geração de cidadãos da Ucrânia”.

Apesar de que, segundo o oficial, a Casa Branca discorde do acordo proposto, ele vai acontecer e “Putin não discordou”.

É fácil compreender a “discordância” de Washington, pois nas atuais circunstâncias os russos é que darão as cartas, estão vencendo e, portanto, vão dizer quando as hostilidades cessarão e quais serão os termos.

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