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Mais uma vítima da polícia

Se for para banir alguém dos estádios, que seja a PM

Torcedor do ABC toma tiro na cabeça da PM. Se é pra combater a violência no futebol, a PM deve acabar.

Disputando a Série B do Brasileirão, ABC e Sport fizeram um clássico nordestino opondo clubes centenários do nosso futebol. O líder Sport ganhou por 1 x 0 gol de Diego Souza e o ABC segue na lanterna. No entanto, o que marcou a noite da última sexta-feira foi o assassinato do torcedor abecedista Leonardo Lucas Silva de Carvalho com um tiro na cabeça disparado por um policial militar, que deixou esposa e uma filha de 2 meses de idade.

Apenas a polícia estava armada, mas as manchetes da imprensa golpista não levam isso em consideração. O Globo soltou manchetes como “Torcedor do ABC morre após ser baleado em confronto entre torcidas organizadas em Natal; polícia investiga” e “Torcidas organizadas bloqueiam trecho da BR-101 em protesto por torcedor do ABC morto com tiro em confusão na Zona Sul de Natal”. Para quem não chega a ler as matérias parece até que aconteceu uma troca de tiros entre leoninos e abecedistas, mas o único torcedor armado que se teve notícia era justamente um policial à paisana.

Torcedores do ABC marcharam em protesto e bloquearam a rodovia BR-101, que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. A estratégia tradicional dos movimentos populares para se manifestar contou com faixas com dizeres como “Justiça para Leo” e gritos como “ô ô ô para de matar torcedor”. As palavras de ordem deixam bem claro que os torcedores não têm qualquer dúvida sobre quem deu o tiro na cabeça de Leonardo, afinal não foram poucos os torcedores vitimados pela PM.

Como de praxe, quem investiga o homicídio são as polícias, a Civil e a Militar. O que se tem de informação é que a situação que teria justificado a ação violenta da PM ocorreu durante o escoltamento de veículos que levavam torcedor do Sport. O que acontece sistematicamente é que a polícia contribui para jogar torcida contra torcida, bagunçando trajetos, desfalcando pontos críticos para a segurança e depois que alguma confusão é armada aparecem tocando o terror. No dia seguinte, as manchetes citam apenas as torcidas organizadas.

As organizadas estão sempre na mira dessa imprensa canalha, que defende todo tipo de arbitrariedade contra o povo. Frequentemente, seus colunistas defendem o banimento desses que são os mais apaixonados torcedores do esporte mais popular do mundo. Por outro lado, os assassinatos da PM não geram comoção proporcional. Os cães de guarda da burguesia não matam por engano, eles estão lá para isso, para impor um regime de terror contra o povo. Por isso, essa imprensa jamais vai tratá-los como trata os torcedores.

Nas imagens que mostram o momento que o torcedor cai no chão é nítido que ele estava cercado de outros torcedores. A polícia abriu fogo contra um aglomerado de pessoas e matou uma delas. Um crime bárbaro, mas que fica camuflado graças à cobertura canalha que o monopólio das comunicações dá ao fato. Já uma provocação com cantos entre torcidas dentro do estádio gera uma comoção apaixonada de “democratas” e “antifas” de Globo, Uol, Folha de S. Paulo e companhia.

A Lei Geral do Esporte, sancionada há pouco tempo, prevê o absurdo de deixar fora dos estádios por cinco anos a torcida organizada inteira caso um único torcedor comete algum crime. Uma aberração jurídica, uma lei para perseguir as torcidas e um ataque contra o direito de organização do povo. A torcida Força Flu, por exemplo, foi proibida de chegar perto dos estádios porque supostamente um torcedor jogou uma pedra no ônibus do Botafogo.

Pelo jeito, para a burguesia, um vidro de um ônibus vale mais do que a vida de um torcedor. Porque esse vidro quebrado resulta na punição da organização inteira, já o assassinato de um torcedor não leva à punição da corporação toda. Se seguir a lógica da Lei Geral do Esporte, a PM inteira, como corporação, deveria ser banida dos estádios por pelo menos cinco anos.

Seja nos estádios, seja nos bairros populares, é preciso lutar pelo fim dessa máquina de matar pobre. O fim da polícia a serviço da burguesia é sinônimo de mais tranquilidade para os trabalhadores. Somente milícias populares, compostas por gente normal, pode servir ao propósito de “manter a paz”. Se for para ser ao menos coerentes com o que pregam sobre as torcidas organizadas, essa imprensa deveria pedir pelo banimento da PM, a organização que mais mata no futebol e fora do futebol também. Chega de polícia. Chega de matar torcedor.

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