Venezuela

PCV, mais pró-imperialista que a candidata do imperialismo

Partido Comunista ataca campanha nacionalista de Nicolás Maduro e se diz contrário à anexação do Essequibo

Em declaração da VII Sessão Plenária do Comitê Central do PCV perante a convocação de um Referendo Consultivo sobre o território de Essequibo, publicado no mês de novembro, o Partido Comunista da Venezuela apresentou sua posição oficial sobre a votação convocada pelo presidente Nicolás Maduro no dia 3 de dezembro. Segundo o PCV, a iniciativa seria parte “da escalada das tensões diplomáticas, políticas e militares assumida pelos governos burgueses de ambas as nações e promovida pelas companhias petrolíferas depois da descoberta de grandes depósitos de petróleo e gás na área disputada, especialmente pela ExxonMobil, cujo envolvimento direto no conflito coincide com a nomeação do seu Diretor Executivo, Rex Tillerson, como Secretário de Estado dos EUA em 2017”.

A conclusão a que o PCV irá chegar é, portanto, a de que a campanha política do governo venezuelano para anexar a região de Essequibo deveria ser rechaçada. Uma posição tão extravagante para uma organização venezuelana que é estranha até mesmo a um dos principais opositores do regime chavista, Henrique Caprilles, e a Maria Corina Machado, escolhida recentemente como representante da oposição venezuelana. Ambos criticaram uma suposta “baixa adesão” do eleitorado venezuelano no referendo, mas não se opuseram propriamente à ideia de anexar Essequibo. O PCV, portanto, ao se colocar contra o referendo, acaba assumindo uma posição mais pró-imperialista que os representantes do imperialismo na Venezuela.

A acusação de baixa adesão também não procede. Cerca de 50% do eleitorado venezuelano foi às urnas, mesmo não sendo obrigatório votar. Nas eleições brasileiras, a taxa de abstenção é entre 20 e 25%. Se essa fosse a taxa venezuelana e todos os eleitores a mais – isto é, 25% a mais – votassem contra Maduro, o referendo ainda contaria com cerca de 65% dos votos a favor do presidente venezuelano. Mesmo nesse cenário, Maduro ainda venceria com folga.

A posição do PCV é não apenas absurda em sua conclusão – isto é, de que o referendo que a esmagadora maioria dos eleitores venezuelanos votou a favor deveria ser rejeitado -, mas o é já a partir de sua premissa. O PCV considera que os governos da Guiana e da Venezuela são, ambos, “burgueses”, o que implicaria que a classe operária deveria se abster de qualquer conflito entre eles.

De fato, Venezuela e Guiana são governados por representantes da burguesia. No entanto, seus governos são distintos porque representam setores distintos da burguesia. Nicolás Maduro é representante de um setor da burguesia nacional venezuelana que está em contradição com o imperialismo – seu governo, inclusive, chegou a sofrer várias tentativas de golpe de Estado e, por outro lado, expropriou setores de sua economia. O governo da Guiana, por outro lado, é um governo fantoche do imperialismo norte-americano. A distinção entre os governos é, portanto, algo semelhante à distinção entre o governo russo, que representa setores das forças armadas e da burguesia russa, e o governo ucraniano, que é um agente direto dos bancos norte-americanos e europeus.

Desde 2015, conforme denuncia a emissora TeleSur, a Guiana “decidiu romper o caminho do diálogo diplomático, juntar-se à agressão imposta pelos Estados Unidos contra a Venezuela e violar o direito internacional, permitindo a exploração de petróleo na área em questão”. Os conflitos entre Guiana e Venezuela, portanto, não são conflitos entre “iguais”: por um lado, há um país lutando para se desenvolver, cuja economia depende em grande medida do petróleo e que teve parte importante de seu território roubado pelo Império Britânico, e, por outro, um país completamente artificial, forjado em meio a uma fraude diplomática, cujo regime está umbilicalmente ligado às potências estrangeiras.

Neste sentido, o abstencionismo do PCV é o mesmo que lavar as mãos diante do conflito entre um país atrasado – no caso, o seu próprio país – e o imperialismo, que é quem está atuando sobre o território guianês.

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