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Valéria Guerra

Historiadora, artista (atriz) sob DRT 046699-RJ. Jornalismo UMESP-SP, término neste ano corrente. Bióloga e professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Colaboradora textual do Site Brasil 247 há 4 anos. Escritora com livros publicados e textos para inúmeras Antologias, inclusive concursos de textos teatrais. Mestrando em psicologia da Educação. Escreveu o livro “Eu preciso de um Hulk” que se transformou em peça homônima

Abuso de poder

Paraíso de casuísmo

A população brasileira, em sua maioria, é sacrossantamente pacífica e paupérrima e possui baixíssima autoestima - será que a JUSTIÇA em suas instâncias é prudente e justa?

Não é possível negar que o pensamento medieval foi predominante e profundamente marcado pelas doutrinas cristãs. A filosofia serviu como um instrumento lógico necessário para a interpretação das escrituras sagradas. Não apenas isso, mas a filosofia serviu para clarificar o sentido das escrituras, bem como para defender a fé cristã construindo uma doutrina sistemática muito abrangente.

A visão teocêntrica do mundo orientava o pensamento dos filósofos e teólogos no sentido de tentar explicar as coisas a partir da fé, tendo a razão como instrumento necessário para essas explicações, muito embora esta não ocupasse o papel central. E qual a gênese dos casuísmos do mundo? Bem, o termo vem do francês casuisme, nos ares do século XIX, tal conduta de acomodação pode transformar o certo no duvidoso, ou vice-versa. Será que há um clero instituído no poder? Afinal a Idade Média centralizou os poderes gerenciais de mando nas mãos da Igreja, que administrativa de forma executiva, e judiciária a sociedade da época. E aqui no Brasil de hoje, contemporâneo e moderno, o povo, é o último a saber em termos de decisões: ele elege, porém de forma não tão participativa, como deveria. E do ponto de vista judicial, parece que tal poder de mando vem se tornando cada vez mais poderoso, em relação aos outros dois…

Prudência, justiça, fortaleza e temperança são virtudes cardeais. Cardeais, em um tom de sacralidade – a população brasileira, em sua maioria, é sacrossantamente pacífica e paupérrima e possui baixíssima autoestima – será que a JUSTIÇA, em todas as suas instâncias é prudente, justa, forte e temperante?

Analisar fatos e refletir são prerrogativas humanas: “Comumente, consideramo-nos uns aos outros como agentes moralmente responsáveis. Às vezes, culpamos alguém por fazer algo que ele não deveria ter feito, ou elogiamos alguém por um comportamento exemplar. Geralmente se pensa que somos responsáveis por tais coisas somente se as fizermos livremente (ou coisas que resultarem nelas). Duas questões filosóficas fundamentais que surgem aqui são: qual é a natureza da responsabilidade moral, e que tipo de liberdade ela requer? Somente com respostas a estas perguntas podemos decidir se somos de fato moralmente responsáveis.”

Vejamos, que uma concepção de responsabilidade como “responsabilização” ou “prestação de contas” (do termo em inglês accountability) vincula-se à adequabilidade das respostas desses tipos (SCANLON, 1998; WATSON, 2004; ZIMMERMAN, 1988). Nessa visão, a responsabilidade de alguém por algo pode permitir ou exigir que outras pessoas administrem sanções ou ofereçam recompensas (dependendo do que foi feito). Pode-se dizer que alguém que é culpado não tem motivos para reclamar sobre ser tratado com dureza, ou que é justo que ele seja punido, ou que ele mereça sofrer. Se eu sou responsável por algo que fiz, então, isso é geralmente aceito, devo ter exercido certo tipo de liberdade ao realizar essa ação, ou ao fazer algo que me levou a realizar essa ação. Uma questão fundamental sobre responsabilidade é se a liberdade exigida é algo que poderíamos exercer mesmo se o determinismo for verdadeiro, ou se, ao contrário, seu exercício requer indeterminismo.

A notícia abaixo demonstra o quanto há casuísmos redistribuídos desigualmente nas mais variadas direções e classes: “A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) do Rio de Janeiro determinou a aplicação do código 61 — referente a falta por greve e não falta sem motivo — para servidores que participarem da paralisação da categoria nesta quarta-feira. A greve de 24 horas foi convocada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro (Sepe RJ).

O movimento da categoria é em defesa do piso nacional para todas as carreiras da educação e pela revogação do Novo Ensino Médio (NEM). Na audiência do Sepe com a nova secretária de Educação, professora Roberta Barreto, realizada na segunda-feira (20), o sindicato havia proposto a aplicação do código de greve no dia da paralisação. A orientação é de que qualquer situação contrária à determinação da Secretaria, com a aplicação de código de falta sem motivo no ponto do profissional, seja denunciada ao sindicato.

E tal determinismo de estimação do GRANDE CAPITAL, ou CAPITALISMO, continua ferindo de morte – com suas decisões casuísticas – a classe mais importante e desrespeitada do país: os professores. E olha que a notícia é de março do corrente, mas continua tudo como dantes no quartel de Abrantes, os professores sem o reajuste do piso nacional. Fico imaginando como estaríamos se o presidente eleito, fosse outro…

Será que a população nacional está a espera de um MILAGRE… sentada na cadeira elétrica da mordaça?

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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