Carlos Porfírio

Natural de Trombas, no norte goiano, liderança camponesa sem-terra e militante comunista, homenageando o legado de José Porfírio

Coluna

Palestina: mais reconhecimento à coragem e menos choro

"O conjunto da esquerda e das organizações políticas anti-imperialistas precisam abandonar a posição passiva e de lamentações"

O povo palestino, por meio de suas organizações políticas e militares, merece ser reconhecido por sua coragem, sua combatividade, sua audácia e seu exemplo para os demais povos oprimidos pelo imperialismo. Mesmo nas condições mais degradantes de sobrevivência e ao realizar uma ação da envergadura que se lançaram, eles estão na linha de frente da luta contra a dominação do imperialismo.

A posição mais patética, que dá tanta vontade de vomitar quanto as posições dos sionistas e do imperialismo, é a posição que observa o povo palestino como um bando de pobres coitados. O povo palestino é um povo digno, um povo que ergueu sua cabeça, um povo que luta por seus objetivos e por sua soberania nacional. Um povo que sabe o que quer e que mesmo diante da mais completa desproporção de forças, ousou lutar! E é isso que precisa ser reconhecido e é o fundamental na situação. Política é para quem tem coragem!

A resistência palestina levou a cabo um processo de levante armado com objetivos concretos bem estabelecidos. Não se trata de um procedimento aventureiro ou apaixonado, sem objetividade, sem tática e estratégia. Não se trata de uma ação desesperada. O estabelecimento do cessar-fogo nos últimos dias comprova isso de maneira prática. Política é para quem usa o cérebro!

Soma-se a essa linha de raciocínio as próprias declarações dadas pelo Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, na ocasião de um encontro dos ministros de negócios exteriores dos países do G7, onde afirmou que não poderá haver uma reocupação de Gaza futuramente, tampouco a admissão do deslocamento de palestinos no presente e no futuro, além de assumir a necessidade de se estabelecer dois Estados.

Esse tipo de declaração, seguida do cessar-fogo reivindicado pelo próprio presidente dos EUA, Joe Biden, (que enviou diretores da CIA juntamente com diretores da Mossad, para dar seguimento na troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos) comprovam a defensiva em que o imperialismo se encontra, provocado pela coragem e pela precisão da ação dos palestinos, como também pelo fiasco da atuação ucraniana e da OTAN na guerra contra os russos.

Washington tem trabalhado em torno da trégua para que haja uma resolução política da situação, sabe que tem problemas domésticos para resolver, como as eleições em 2024, onde existe uma enorme possibilidade de derrota para o republicano Donald Trump, a situação da possibilidade de que a concretização da vitória russa na Ucrânia se acelere com a dificuldade de aprovação no parlamento da destinação de recursos para financiar a guerra (assim como a própria dificuldade em destinar recursos para Israel) e também o provável avanço da China para uma retomada do controle total em Taiwan.

O conjunto da esquerda e das organizações políticas anti-imperialistas precisam abandonar a posição passiva e de lamentações não apenas com relação à situação da Palestina, mas com todo o agrupamento de revezes que sofremos nos últimos anos. O choro não comove absolutamente ninguém e não é capaz de contribuir com nada para mudar a situação. O que vai mudar a situação política no quadro atual será a multiplicação por milhares de vezes de ações como as que vêm sendo efetuadas pelo povo palestino.

Pelo fim do Estado de Israel!

Todo apoio ao levante armado palestino!

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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