Extrema-direita mundial

O maior inimigo da esquerda é o imperialismo

Artigo resgata a campanha histérica que levou à frente ampla, falência política da esquerda e base de crescimento da extrema direita. O centro está morto, só existem os polos

Na última segunda-feira, 20 de novembro, Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, publicou coluna no portal de esquerda Brasil 247 de título: “Milei, Bolsonaro e Trump assumem conspiração”. O texto retoma a tese da frente ampla supostamente contra o fascismo e a extrema direita, e visa recuperar o clima de histeria que levou à capitulação total da esquerda para a direita tradicional no período do governo de Jair Bolsonaro. O ex-presidente seria a maior ameaça, o fascismo encarnado, contra o qual todos deveriam lutar de maneira ampla. Vamos aos argumentos que reiniciam a polêmica.

Guimarães busca caracterizar que a possibilidade da reeleição de Trump representa uma ameaça gigantesca ao Brasil, e um novo golpe, desta vez capitaneado por Bolsonaro.

“Ano passado, o diretor do Serviço de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) reuniu-se com interlocutores do governo de Jair Bolsonaro mandando recado do presidente dos EUA, Joe Biden, de que o presidente brasileiro não tentasse golpe, como bem informou a agência de notícias Reuters em reportagem que bombou no planeta inteiro.”

O que se supõe de tal afirmação é que Joe Biden, presidente dos EUA, — articulador do golpe de 2016 que levou Michel Temer a presidente do Brasil —, como um grande defensor da democracia no País, contra Bolsonaro. Vale lembrar, em 2018, quando o “grande vilão” ganhou as eleições presidenciais, isto se deu pela retirada ilegal de Lula do pleito. E quem retirou Lula da eleição não foram os bolsonaristas, mas o Judiciário, pressionado pelos militares, todos teleguiados dos EUA. Ou seja, se trata de uma farsa. Segundo a Reuters, ainda, a CIA teria avisado a Bolsonaro para não questionar a idoneidade das eleições, o que significa uma tentativa de manter de pé o regime político brasileiro, e não arriscar um vale-tudo sem saber onde a coisa iria terminar, a partir da deslegitimação das eleições, que são em grande medida controladas pelo imperialismo. Continua a coluna:

“Trump, Milei e Bolsonaro estão aliados. Se Trump vencer, acabam-se as restrições a um golpe no Brasil. Já a aliança de Lula com Biden claudica. A guerra no Oriente Médio os afastou e mesmo que Biden se reeleja, não há certeza de que continuará protegendo o Brasil da extrema-direita golpista.”

Ora, restrições a um golpe no Brasil? Mas temos visto uma série de tentativas de golpe e inclusive ameaças de guerra. Desde a guerra contra a Rússia, a tentativas de golpe na Bielorrússia, no Cazaquistão, o golpe no Paquistão, e uma série de outros feitos do tipo, como o genocídio que agora ocorre na Palestina. Joe Biden não tem nada que ver com Lula, o primeiro-ministro do Paquistão, Imram Khan, seria como um Lula naquele país, não há aliança. Como dito, quem deu o golpe no Brasil não foi a extrema direita, mas a direita tradicional, “democrática”, intimamente ligada ao imperialismo.

A provável derrota de Joe Biden se dá pela crise do imperialismo, não por um fortalecimento da extrema direita em si, ela meramente se aproveita do espaço deixado vago por uma esquerda profundamente pró-imperialista. E esse é o caso em todos os lugares do mundo onde cresce a extrema direita, mesmo considerando o aumento na polarização. Enquanto Joe Biden joga centenas de bilhões de dólares em guerras, a população nos EUA está completamente desassistida, sem moradia, convivendo com epidemias de drogas sintéticas e outras desgraças fruto da miséria, da falta de perspectiva total.

“No Brasil, há uma preocupação muito forte em relação a Lula. A aliança que o elegeu se fragmentou e o presidente enfrentam [sic] dificuldades até em seu campo político. Recentemente, escolhas para o STF e alianças com a direita no Legislativo decorrentes da ínfima minoria que a esquerda elegeu para o Congresso em 2022 causaram fortes ruídos.

“Se Lula e as forças que lhe permitiram chegar ao poder não se reaglutinarem, a extrema-direita tem chances concretas de voltar. E se voltar, não cometerá (de novo) o erro de deixar a esquerda livre ou até mesmo viva para reagir.”

É fundamental colocar: a aliança que elegeu Lula não foi a frente ampla do primeiro turno, foi a mobilização popular do segundo turno. A aliança com a classe operária, com os camponeses, com os explorados do País.

O que se fragmentou, a frente ampla, que não existe mais, era uma sabotagem da campanha, e hoje seus agentes visam sabotar ao máximo o governo federal.

De fato, é necessário reaglutinar as forças que elegeram Lula. Não os políticos parasitas da direita, que buscam se escorar em Lula para se aproveitarem de seu apelo popular, mas os trabalhadores.

O problema não é a extrema direita, em oposição à esquerda e à direita “democrática”. Basta lembrar do governo Michel Temer. A questão é não permitir um governo tutelado pelo imperialismo, pela burguesia internacional, novamente no Brasil. Para tanto, urge organizar o conjunto dos trabalhadores no Brasil, e colocar em movimento o grosso da classe operária.

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