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Caso dos peladões da UNISA

O “machismo” é pretexto para aumentar a repressão

Casagrande ou Bolsonaro, não sabemos quem é mais repressivo

No último dia 18, Walter Casagrande Jr. publicou uma coluna no portal UOL, da Folha de S. Paulo para falar sobre o escândalo dos estudantes de medicina da UNISA (Universidade de Santo Amaro) que apareceram nus num vídeo feito em abril durante uma competição esportiva entre calouros de faculdades de medicina em São Carlos. O vídeo é de abril, mas apenas agora viralizou nas redes sociais e gerou uma histeria da direita e da esquerda.

O artigo publicado por Casagrande chama “Atitude nojenta e asquerosa de futuros médicos; um ato machista imperdoável”. No texto, o ex-jogador faz uma série de comentários, todos eles no sentido de pedir punições exemplares aos envolvidos no vídeo.

Por se tratar de uma coluna na imprensa burguesa e direitista, não é nenhuma novidade o UOL/Folha de S. Paulo pedir a cabeça de estudantes, punições, aumento da repressão e coisas parecidas. O que chama mesmo a atenção – e o título da coluna de Casagrande mostra bem isso – é o uso de supostas causas progressistas para essa política repressiva.

Começando pelo próprio título de Casagrande, dizer que atitude dos estudantes é “nojenta e asquerosa” não é argumento para pedir punição de ninguém. Uma pessoa pode ter uma atitude condenada moralmente por outra, mas ela não é obrigada a concordar e fazer exatamente aquilo que o outro quer que ele faça. Casagrande acha nojento uns jovens correndo pelados por ai. Aparentemente esse é só o gosto de Casagrande e não é difícil discordamos disso. Mas essa constatação não serve para pedir a punição de ninguém.

A segunda parte do título, a afirmação de que a atitude é “machista e imperdoável” é o que vale a pena discutir.

Quando usa o adjetivo imperdoável, Casagrande talvez não perceba, mas ele está reproduzindo exatamente o que falaria qualquer bolsonarista. Se a pessoa comete um crime, ela precisa ser punida, sem perdão.

“A Universidade de Santo Amaro tem que tomar uma atitude radical e urgente, assim como a polícia. É preciso investigar seriamente esse caso. Não pode passar batido de forma alguma, porque as instituições educacionais irão virar terra dos machista”.

Não fosse pela palavra “machista”, o trecho acima poderia ser dito por qualquer bolsonarista ou apresentador desses programas policiais. E é o que esse setor está dizendo. Assim como Casagrande, os direitistas sedentos por repressão, querem ver esses estudantes punidos com o rigos da lei. Casagrande, que se passa por progressista, quer inclusive chamar a polícia para eles.

Se lermos a coluna de Casagrande sem assistir ao vídeo, temos a impressão de que houve quase um estupro coletivo no vídeo. Isso não tem absolutamente nada a ver. Casagrande e os histéricos que estão dizendo o mesmo que ele, tratam os estudantes como criminosos estupradores, mas na própria descrição do que aconteceu, percebemos que não houve nada disso.

A única coisa que aconteceu ali foi um bando de moleques sem nada na cabeça, como muitos jovens, tirando a roupa numa festa. Se há algum crime ali, foi no máximo o crime de ato obsceno em público.

Há machismo nas festas universitárias? É provável que sim, afinal, uma festa como essa enfrenta os problemas que o mundo enfrenta. Mas daí a querer transformar isso em crime, já é algo muito diferente.

Mesmo se esses estudantes tivessem cometido algum crime, eles deveriam ser submetidos a todos os direitos de processo legal. O que o bolsonarista Casagrande faz em nome da luta contra o machismo, os bolsonaristas puro-sangue fazem em nome da moral e dos bons costumes.

O machismo mais uma vez é usado apenas como pretexto para mais repressão.

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