Joe Biden

Não há nada mais fascista que o Partido Democrata norte-americano

Para blogueiro, presidente dos Estados Unidos seria última barreira para um golpe de Estado contra Lula

Em coluna intitulada “Milei, Bolsonaro e Trump assumem conspiração”, o articulista Eduardo Guimarães, editor do Blog da Cidadania, apresenta a tese de que uma provável vitória eleitoral de Donald Trump nos Estados Unidos aumentariam as chances de um golpe de Estado contra o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Guimarães supõe, portanto, que uma continuidade do governo de Joe Biden seria um cenário mais favorável para o Brasil.

Além de essa tese ser falsa, a premissa da qual o blogueiro parte também é falsa. Para Guimarães, Javier Milei, Donald Trump e Jair Bolsonaro seriam todos resultado de um mesmo fenômeno político. Como todos são figuras de extrema-direita, o articulista imediatamente chegou à conclusão de que a vitória de Milei seria uma vitória para o trumpismo.

Não é bem assim. Embora haja uma simpatia entre essas figuras – mais que isso, o estrategista de Donald Trump, Steve Bannon, teria assessorado a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018 -, eles foram eleitos em situações muito distintas. Donald Trump foi eleito em 2016 como resultado de uma revolta de setores da burguesia interna norte-americana e de setores da pequena burguesia e da classe operária, que viram no direitista uma oposição à política oficial do Estado norte-americano, que é a política neoliberal. Trump derrotou, à época, Hillary Clinton, que era a candidata da indústria armamentista, das grandes petroleiras, enfim, do que se costuma chamar de establishment.

Bolsonaro, por sua vez, embora expresse os interesses de um setor da burguesia interna brasileira, foi eleito tão-somente porque foi apoiado pelo grande capital. Os mesmos monopólios que apoiaram Hillary Clinton e foram derrotados por Trump apoiaram a eleição de Bolsonaro, pois era esse o único candidato viável para impor uma derrota ao Partido dos Trabalhadores em 2018.

Desse ponto de vista – isto é, analisada a luta de classes internacional -, a vitória de Milei é muito mais parecida com a vitória de Bolsonaro que a vitória de Trump. Para que não haja dúvida de que ele foi apoiado pelos setores mais pró-imperialistas da burguesia argentina, basta levar em consideração duas informações decisivas: a burguesia brasileira, como visto no apoio explícito do jornal O Estado de S. Paulo, apoiaram Milei, e o “macrismo”, que é o que existe mais próximo do Partido Democrata na Argentina, também apoiou o candidato de extrema-direita.

O que a eleição de Bolsonaro em 2018 e a eleição de Milei em 2023 mostraram é que não existe uma oposição real entre os “populistas” – como a imprensa capitalista costuma chamar as figuras de extrema-direita – e os “democratas” – como são chamados os representantes oficiais do imperialismo. Afinal, para a Argentina de 2023 e para o Brasil de 2018, a política dos “democratas” foi justamente a de escolher o “fascista’.

Analisada a premissa, vejamos agora a conclusão a que chega Guimarães:

“Ano passado, o diretor do Serviço de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) reuniu-se com interlocutores do governo de Jair Bolsonaro mandando recado do presidente dos EUA, Joe Biden, de que o presidente brasileiro não tentasse golpe, como bem informou a agência de notícias Reuters em reportagem que bombou no planeta inteiro. Trump, Milei e Bolsonaro estão aliados. Se Trump vencer, acabam-se as restrições a um golpe no Brasil”.

Trata-se de uma forma muito ingênua de conceber a política. O que torna um golpe mais ou menos viável não é a existência de uma aliança ideológica entre presidentes, mas sim a correlação de forças. O que é mais decisivo para um golpe de Estado não é o que passa na cabeça do presidente da República, mas sim os seguintes fatores: a) o que querem os setores mais poderosos da burguesia; b) que força têm os setores mais poderosos da burguesia para impor a sua vontade?

A prova de que o golpe de Estado independe da ideologia do presidente é o fato de que o próprio Jair Bolsonaro não deu nenhum golpe de Estado. Enquanto isso, a presidenta Dilma Rousseff foi derrubada por um golpe de Estado no qual o Congresso Nacional não era comandado por bolsonaristas. Durante o governo de Michel Temer, que seria um “democrata” como Joe Biden, aconteceu um golpe de Estado vergonhoso, que foi a prisão do então ex-presidente Lula – golpe este que contou com a participação explícita das Forças Armadas.

Quanto às condições para um novo golpe contra Lula, não há dúvidas de que os interesses do imperialismo cada vez mais confluem neste sentido. Principalmente no que diz respeito à política externa, Lula vem sendo constantemente criticado pelos veículos ligados aos serviços de inteligência da burguesia imperialista.

Resta, então, a dúvida: o imperialismo teria mais força para um golpe de Estado caso o presidente dos Estados Unidos fosse alguém de sua extrema confiança ou se fosse alguém em constante conflito com os grandes monopólios? É óbvio que as melhores condições para um golpe de Estado são aquelas em que “a casa está arrumada”.

E não há dúvida que o homem certo para golpes de Estado seja Joe Biden. Ele, inclusive, era o vice-presidente dos Estados Unidos quando Dilma Rousseff foi derrubada, e cumpria um papel diplomático importante à época. Biden esteve por trás das maiores monstruosidades da política externa norte-americana nas últimas décadas, como a guerra do Iraque. Foi durante a sua presidência, inclusive, que teve início a guerra por procuração contra a Rússia e a guerra contra o povo palestino.

Lula não fica mais “protegido” sob um governo Biden. Pelo contrário: o Partido Democrata é o que tem de mais nocivo para os povos do mundo.

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