HISTÓRIA DA PALESTINA

Mufti de Jerusalém: quem foi o líder nacionalista palestino

Integrante dos chamados notáveis — elite palestina —, ele desempenhou um papel importante na resistência árabe às ambições políticas sionistas na Palestina

Amin al-Husseini, o mufti de Jerusalém, foi um líder nacionalista, que se opôs à expansão do sionismo na Palestina. Integrante dos chamados notáveis — elite palestina antes da fundação de “Israel” —, ele desempenhou um papel importante na resistência árabe às ambições políticas sionistas na Palestina.

Nascido em 1897 em Jerusalém, quando a Palestina fazia parte do Império Otomano, Husseini estudou em Jerusalém, Cairo e Istambul, e em 1910 foi comissionado na artilharia otomana. Após a queda do Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918), a Palestina ficou sob controle do imperialismo inglês, que já havia prometido para banqueiros judeus, em segredo, a criação de um Estado judeu na região.

O Mandato Britânico, como ficou conhecido o governo inglês na Palestina, nomeou Husseini como grã-mufti de Jerusalém em dezembro de 1921 e presidente do recém-criado Supremo Conselho Muçulmano, a maior autoridade entre os árabes na comunidade muçulmana palestina — a esmagadora maiora da população.

O Grão-Mufti de Jerusalém é o clérigo muçulmano sunita responsável pelos locais sagrados islâmicos de Jerusalém, incluindo a Mesquita de Al-Aqsa. A posição foi criada pelo governo militar britânico liderado por Ronald Storrs em 1918.

Husseini, que já era uma figura extremamente popular na Palestina antes da chegada dos ingleses, apesar de ser um líder nacionalista palestino, sempre manteve laços com o imperialismo britânico, mostrando as limitações do nacionalismo burguês no seu enfrentamento ao imperialismo. Ao invés de partir para o enfrentamento com os ingleses, o mufti de Jerusalém buscava uma política cooperação com o Mandato, de resistência pacífica.

Por isso, Husseini, na década de 1930, entrou em divergência com um antigo aliado, o clérigo muçulmano Izedine al-Qassam, pioneiro da luta armada palestina contra a expansão do sionismo e o imperialismo britânico. Este, que decidiu partir para a ofensiva contra a política colonial na Palestina, ganhou muita popularidade, até ser assassinado pelas autoridades inglesas em novembro 1935, culminando na Revolução de 1936–1939.

A posição do radicalismo islâmico de al-Qassam crescia enquanto a política dos notáveis, mais secular, representando principalmente pelo mufti de Jerusalém, não indicava um caminho de luta contra a expansão sionista na Palestina. Ainda, durante a maior parte do período do Mandato Britânico, o desacordo entre as famílias mais prestigiadas da Palestina enfraqueceu seriamente a eficácia da oposição aos ingleses.

Após o estouro de revolução em 1936, porém, pressionados pela mobilização popular, essas famílias se uniram, assim como toda a resistência palestina, e formaram um órgão executivo permanente conhecido como Comitê Superior Árabe, sob a presidência de Husseini. Este, então, se radicalizou, assumindo a dianteira da luta contra o imperialismo britânico.

O comitê exigiu o cessar da imigração judaica e a proibição de transferências de terras de árabes para judeus, e liderou a greve geral que evoluiu para uma rebelião contra a autoridade britânica. Os britânicos, assim, removeram Husseini da presidência do conselho e declararam o comitê ilegal na Palestina.

Diante da insurreição revolucionária, o imperialismo britânico reprimiu violentamente o nacionalismo árabe, matando e exilando suas lideranças. Em outubro de 1937, Husseini fugiu para o Líbano, onde reconstituiu o comitê sob sua presidência.

A rebelião forçou o imperialismo a aparentemente fazer concessões substanciais às demandas árabes em 1939, acabando assim com o movimento revolucionário. Teoricamente, os britânicos abandonaram a ideia de estabelecer a Palestina como um Estado judeu, o que, como seria demonstrado menos de uma década depois, com a fundação de “Israel”, seria uma fraude.

No entanto, Husseini sentiu que as concessões não foram longe o suficiente e repudiou a nova política e continuou a liderar a oposição aos ingleses de fora da Palestina. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), Husseini passou a viver na Alemanha nazista, onde se aliou ao imperialismo alemão, de Adolf Hitler, em busca de enfraquecer o imperialismo britânico.

Na Alemanha, fez transmissões instigando a revolta no mundo árabe e tentou interromper a emigração judaica para a Palestina a partir de países ocupados pelos nazistas. No final da guerra, após a derrota dos alemães, foi preso pelos franceses, mas escapou da prisão, recebendo exílio no Egito.

Após a fundação do Estado de “Israel” em 1948 e a subsequente Primeira Guerra Árabe-Palestina, a Faixa de Gaza ficou sob controle do Estado egípcio, que declarou Husseini presidente do Protetorado de Toda-Palestina. O governo atuou do exílio, sendo estabelecido em Cairo, sendo reconhecido não apenas pelo Egito, mas também pela Síria, pelo Líbano, pelo Iraque, pela Arábia Saudita e pelo Iêmen, mas não pela Jordânia, que tinha uma monarquia aliada ao imperialismo inglês, e nem pelos estados não árabes.

O Protetorado, no entanto, estava totalmente dependente do Egito, que durante o governo de Gamal Abdel Nasser anulou o governo palestino por decreto em 1959, incluindo-o na República Árabe Unida. Husseini morreu em Beirute, Líbano, em 1974. Ele desejava ser enterrado em Jerusalém, mas “Israel” já havia capturado Jerusalém Oriental à Jordânia na Guerra dos Seis Dias (1967). O governo israelense não permitiu o sepultamento no território ocupado.

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