Valéria Guerra

Historiadora, artista (atriz) sob DRT 046699-RJ. Jornalismo UMESP-SP, término neste ano corrente. Bióloga e professora da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Colaboradora textual do Site Brasil 247 há 4 anos. Escritora com livros publicados e textos para inúmeras Antologias, inclusive concursos de textos teatrais. Mestrando em psicologia da Educação. Escreveu o livro “Eu preciso de um Hulk” que se transformou em peça homônima

Coluna

Liberdade, verdade e expressão

"Que chova liberdade de expressão sobre nós, caso contrário estaremos socialmente mortos"

“Por mais que o discurso seja aparentemente social, as interdições que o atingem revelam logo, rapidamente, sua ligação com o desejo e o poder. Nisto não há nada de espantoso, visto que o discurso – como a psicanálise nos mostrou – não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo; é também aquilo que é objeto do desejo; e visto que – isto a história não cessa de nos ensinar – o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar” (FOUCAULT, 2006: 10).

“Essa vontade de verdade assim apoiada sobre um suporte e uma distribuição institucional tende a exercer sobre os outros discursos – estou sempre falando da nossa sociedade – uma espécie de pressão e como que um poder de coerção. Penso na maneira como a literatura ocidental teve de buscar apoio, durante séculos, no natural, no verossímil, na sinceridade, na ciência também – em suma, no discurso verdadeiro” (FOUCAULT, 2006: 13 – 14).

As duas citações acima, que foram extraídas de um texto sobre “As aventuras de Tintin” demonstram que há sequestro da verdade e da mentira no âmbito jornalístico, e até psicanalítico, já que o verossímil, o sincero, e o científico fica muito restrito a uma casta de “deuses” do sincericídio.

Lidar diariamente com as retóricas, claramente, nos faz viver. O oxigênio que respiramos, no nicho jornalístico, não é o mesmo inspirado pelos neoliberais. Somos a luz que possibilita ao outro enxergar a notícia, o fato; que reverbera a realidade da verdade, sobretudo. E conseguir suscitar a transparência e a ética das instituições é missão vinculada a moral dos tempos.

A verdade é uma virtude. A filosofia nos ajuda a desvendar os mistérios das crenças. O conhecimento é fundamental. E como saber se realmente podemos crer neste conhecimento?

Quando cada um de nós mantém várias crenças e afirma várias declarações e proposições sobre questões mundanas, históricas, científicas e assim por diante. Uma característica de tais crenças, declarações e proposições é que elas podem ser verdadeiras ou falsas. E nosso objetivo ao delinear esta tese reside no fato de que ambiente do jornalismo guarda de forma histórica: a prática antiga da desinformação e das notícias falsas em seu bojo, desde a remota antiguidade.

Usar a régua filosófica para identificar a retórica malsã contida na notícia, tornar-se-á uma prática hermenêutica necessária ao ato de analisar a informação.

Uma sociedade nasce da união do homem à ética. A relevância de um projeto que visa o despertamento de uma sociedade traz à baila conceitos importantes para o dia a dia dos expectadores. A verdade é um tema de importância ímpar, especialmente em se tratando da notícia. Unir o valor histórico dos fatos à filosofia gera um arcabouço holístico fantástico para aquisição ontológica.

Existe uma teoria do conhecimento, ela é sustentáculo de uma sociedade, que evolui desde que criou o fogo, como tecnologia suprema, que colaborou com o advento da evolução. Aquecer o corpo, para não morrer de frio, ou cozinhar alimentos tornou o gênero Homo, mas longevo. Quando ocorreu a invenção da escrita, e depois a invenção da Imprensa, o ser humano não parou mais de processar as mensagens: de receptor a receptor. O communicatio, exercido em ambiência religiosa, se tornou uma necessidade.

Nesse sentido, a “economia política” da verdade apresenta cinco características históricas, que são: centralidade na forma de discurso científico e nas instituições de sua própria produção; submissão à incitação econômica e política constante; ser objeto de diversas formas de difusão e consumo (circula em aparelhos de educação e de informação); produção e transmissão controlada por grandes aparelhos políticos e econômicos; e constituir-se como objeto de debate político e controle social (Foucault, 2004b).

O fragmento acima nos obriga a refletir sobre a verdade. E sobre a economia de tal virtude. Que tal elucidação e comparação venha trazer à sociedade brasileira um olhar mais apurado sobre a mazela que pode ser a desinformação, ou a Fake News no universo comunicacional.

E lembrando da frase do dramaturgo inglês Oscar Wilde, pensamos em nunca conceituar ou definir qualquer questão. A filosofia nos diz na figura de Heráclito que “NÃO ENTRAMOS NO MESMO RIO, DUAS VEZES”, já que, quando entramos, não encontramos as mesmas águas.

Que tal elucidação e comparação venha trazer aos grupos sociais brasileiros um olhar mais apurado sobre a prática da reflexão em relação à retórica nossa de cada dia e de cada notícia publicada, o trabalho é despertamento, já que nossa pirâmide social nos revela uma intensa desigualdade: com desrespeito, redistribuído ao povo dentro de um status quo que incrementa o inchaço da base da pirâmide social, mantendo minoria mandatária e neoliberal em seu ápice; gerando assim um mecanismo cíclico de deseducação que continua estimulando a formação geracional de maioria populacional com déficit cognitivo.

Tal déficit ocasiona um esvaziamento da capacidade intelectiva humana, que como náufraga não consegue separar o “joio do trigo”; e isso facilita em muito a disseminação da não verdade no processo comunicacional, principalmente na teia jornalística.

O caso de Breno Altman, comprova o quanto a censura está “cimentando” parte de nossas instituições, e isso é uma tristeza⁷⁸. E isso não é republicano. Viver a fase da Ditadura de 1964, e hoje sentir os respingos de uma chuva de Censura, nesta fase democrática, me faz lembrar da Lei Saraiva, que excluiu o voto dos analfabetos, seguiu com eleições diretas, ainda sob o Império em 1881. Muitas ações aqui neste país são engendradas para EXCLUIR o povo, seja quando aparenta “bondade”, ou “maldade”

O caso de Breno Altman comprova o quanto a censura está “cimentando” parte de nossas instituições, e isso é uma tristeza de poder em nosso chão nacional.

Que chova liberdade de expressão sobre nós, caso contrário estaremos socialmente mortos.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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