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Falsificação histórica

Identitarismo quer acabar com toda identidade nacional

Universidade de Cambridge, em nome de 'combater o racismo', quer apagar a história a existência dos anglo-saxões

Réplica de elmo anglo-saxão

O jornal britânico The Telegraph publicou neste sábado (3), uma matéria intitulada “Anglo-Saxões não existem, diz Cambridge a estudantes em esforço para combater o ‘nacionalismo’”. O próprio título da matéria desmascara a farsa, pois a motivação da universidade não é científica, e sim ideológica, pois visa combater um determinado uso do termo ‘anglo-saxão’. O identitarismo é que está de trás dessa falsificação da história.

Conforme o texto, a Universidade de Cambridge, pelo seu Departamento de Anglo-Saxão, Nórdico e Céltico (ASNC), tratará a história medieval da Grã-Bretanha fazendo “esforços” para tornar o ensino mais “anti-racista”. E que seu ensino visa “desmantelar as bases dos mitos do nacionalismo”

Diante disso, o curso tentará mostrar que “nunca houve identidades étnicas escocesas, irlandesas e galesas “coerentes” com raízes antigas” e também que “que os anglo-saxões não eram um grupo étnico distinto”.

A mudança, segundo informam, seria porque existiria um ‘debate mais amplo’ no qual se constata que o uso do etnônimo estaria sendo utilizado para “apoiar ideias “racistas” de uma identidade nativa inglesa”. Essa abordagem é totalmente absurda, pois se estão usando um termo para apoiar determinada ideia, a supressão do termo não fará desaparecer a ideia, no máximo se substituirá um termo por outro. É fácil constatar isso com o que ocorreu com a palavra “favela”; o uso ‘politicamente correto’ rezava que para diminuir o preconceito seria melhor utilizar a palavra ‘comunidade’. As favelas, no entanto, continuam existindo a despeito de as chamarmos por outros nomes. Hoje, o termo comunidade tem o mesmo significado de favela. E o preconceito também continua intacto, pois a desigualdade social não retrocedeu.

Outra fraude está contida nas alegações da Cambridge de que se possa tornar o curso mais antirracista. Essa é uma ideia ultrapassada, de cunho religioso, que prega que se pode reformar os indivíduos com base na educação ou no convencimento. O racismo tem bases materiais, enquanto essas bases não forem alteradas, continuará existindo. Na verdade, essa concepção é reacionária, pois a questão do racismo deixa de ser um problema social, das desigualdades que o capitalismo gera, e passa a ser um problema dos indivíduos.

Deturpação e falsificação

Segundo o texto, “o termo ‘anglo-saxão’ foi usado por racistas – particularmente nos EUA – para apoiar a ideia de uma antiga identidade inglesa branca e, portanto, deve ser derrubado”. Aqui, temos que nos perguntar: o que os anglo-saxões têm a ver com isso? Por que fizeram um mau uso de seu nome eles devem deixar de existir?

A própria matéria diz que “o termo ‘anglo-saxão’ é historicamente autêntico no sentido de que, a partir do século VIII, foi usado externamente para se referir a uma população dominante no sul da Grã-Bretanha. Seus primeiros usos, portanto, incorporam exatamente as questões significativas que podemos esperar que qualquer rótulo nacional ou étnico geral represente”.

O texto também diz que “o termo normalmente se refere a um grupo cultural que surgiu e floresceu entre a queda da Grã-Bretanha romana e a conquista normanda, quando os povos germânicos – anglos, saxões e jutos – chegaram e forjaram novos reinos no que mais tarde se tornaria uma Inglaterra unida. Este também foi o período dos épicos do inglês antigo, como Beowulf”.

No meio desses meios universitários é que o identitarismo mais encontra terreno fértil, por isso que figuras como a canadense Mary Rambaram-Olm aparecem para afirmar que “o campo que o campo dos estudos anglo-saxões é de ‘branquitude inerente’”. E, claro, encontra espaço na revista imperialista Smithsonian para escrever que “O mito anglo-saxão perpetua uma falsa ideia do que significa ser ‘nativo’ da Grã-Bretanha”. Não seria mais honesto ela dizer que a sociedade britânica já não é mais a mesma, que a sociedade está hoje mais miscigenada? 

O ‘mito anglo-saxão’ é real, não uma falsa ideia, apenas que não serve para os imigrantes. Um dos pontos que os acadêmicos identitários têm insistido é que tudo se trata de um ‘constructo’ uma construção puramente mental. Para eles não existe gênero, que seria outro constructo; o mesmo para raças etc. Tentam com isso criar uma relatividade absoluta, isso é não existe realidade, e sim uma “disputa de narrativa”.

O objetivo do identitarismo

O identitarismo é uma ideologia burguesa com objetivos muito bem estabelecidos. A ideia é transformar toda a humanidade em uma massa amorfa que será muito mais facilmente explorada pelo grande capital financeiro internacional.

O imperialismo já sabe que as identidades nacionais são um obstáculo para a penetração do capital, por isso tanto se fala em ‘estados plurinacionais’.

Estão utilizando as minorias sexuais, os negros, povos indígenas de diversos países para atingirem esses objetivos.

No Chile, por exemplo, onde se elegeu Gabriel Boric fazendo demagogia identitária com os Mapuche, estamos presenciando a repressão brutal do Estado sobre essas pessoas que estão defendendo seus direitos. Porém, como sua luta ficou isolada, restrita, são um alvo mais fácil para a burguesia.

O mesmo podemos dizer dos nossos índios, que hoje são demagogicamente chamados de “povos originários” e estão sendo usados para se tentar separar a Amazônia do Brasil ou a exploração de nossas riquezas. Amanhã, a depender dos interesses do grande capital, nada impede que sorrateiramente, no mundo acadêmico, ganhe força a ideia de que os povos ‘originários’, na verdade, teriam vindo do extremo da Ásia, não amazônicos.

O identitarismo não está aí para defender a proteção de etnias, minorias ou de seu desenvolvimento social. Serve apenas para gerar confusão, divisão, em nome dos interesses do capital financeiro.

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