Guerra no Leste Europeu

Esquerda vendida ao imperialismo chama apoio à Ucrânia

Corrente do PSOL reproduz matéria de grupo estrangeiro chamando toda esquerda europeia a apoiar Zelensky e Biden

O sítio da corrente do PSOL, Movimento Esquerda Socialista (MES), chamado Revista Movimento, publicou a tradução de uma matéria de Murray Smith, da página Links. A matéria, intitulada “Líderes da Esquerda Europeia sobre a Ucrânia: Nem um vestígio de solidariedade” é um longo tratado para explicar por que a esquerda europeia deveria estar apoiando a Ucrânia na guerra contra a Rússia. Trata-se de uma nova tentativa do imperialismo de reagrupar o setor da esquerda que está a reboque de sua política, já numa fase avançada do conflito, de onde a Ucrânia sai derrotada.
No presente artigo, será feita a polêmica de apenas uma parte da longa matéria traduzida pelo MES, o restante será feito em outras etapas pela imprensa partidária. No entanto, é necessário tratar do primeiro problema apresentado por Smith e usado como justificativa por diversos grupos de esquerda, inclusive o PSTU, para apoiar o imperialismo na Ucrânia.
O autor considera que o fato mais importante da guerra não é que os russos invadiram a Ucrânia, embora ele considere que isso é uma violação da independência da Ucrânia e uma ação do “imperialismo russo”. Ele chega ao ponto de citar uma frase descontextualizada de Lênin para explicar a importância de se lutar pela independência da Ucrânia.
Para Smith, a questão maior é que “a invasão foi confrontada com uma resistência massiva do povo ucraniano. Não apenas do governo e das forças armadas, mas do povo em geral. Militantes de partidos nas áreas ocupadas, organizações e movimentos da sociedade civil e iniciativas populares em todos os lugares, apoiando a defesa de seu país. A comunidade Roma, frequentemente alvo de discriminação na Ucrânia e em outros lugares, também se mobilizou”. Ele também menciona que as duas principais confederações sindicais ucranianas também se colocam contra os russos.
É difícil avaliar a realidade dessa afirmação. Relatos feitos por companheiros que estiveram, inclusive, em território ucraniano, dão conta de uma realidade muito diferente. Particularmente nas áreas em que houve uma perseguição dos cidadãos de etnia russa vivendo na Ucrânia, e onde a ofensiva do governo de Zelensky foi mais intensa (região do Donbass e outras), a insatisfação da população com o governo é patente. Tanto é que muitas dessas regiões reivindicaram sua independência da Ucrânia e pediram para serem anexadas pela Rússia.
Se há organizações supostamente de esquerda na Ucrânia apoiando Zelensky e se colocando contra a luta dos russos contra a OTAN que utiliza os ucranianos como mera bucha de canhão, então é preciso dizer com clareza que elas estão a reboque do imperialismo. Seja por confusão política ou por corrupção, por parte do imperialismo europeu ou norte-americano, essas organizações estão apoiando um governo golpista, sustentado pela extrema-direita, utilizado pelo imperialismo para atacar – mesmo que incipientemente – um país atrasado.
O autor classifica o conflito atual como uma “guerra defensiva que começou com a Ucrânia se defendendo da agressão russa”, no entanto, ele cinicamente não menciona os anos de ofensiva do governo de extrema-direita ucraniano contra os russos residentes nas regiões do Donbass. Também não fala que havia um plano por parte do imperialismo de incluir a Ucrânia na OTAN, visando cerca a Rússia totalmente por suas tropas, ameaçando sua integridade territorial. Para ele, a agressão “é uma guerra de agressão lançada pelo imperialismo russo contra a Ucrânia, que foi oprimida pela Rússia por séculos”.
A ideia de que existiria um “imperialismo russo” já é uma demonstração do caráter anti-marxista de seu autor. Segundo os marxistas, a Rússia jamais poderia ser considerado um país imperialista. Isso já foi desmentido e demonstrado por esse Diário repetidas vezes. A Rússia é um país atrasado, exportador de matéria-prima, sem poder econômico para praticar uma opressão imperialista. A verdadeira ação do imperialismo nesse caso se dá através da Ucrânia, que está sendo instrumentalizada pelos norte-americanos e associados para atacar os russos.
A manipulação que o autor faz dos fatos para apoiar o imperialismo é surpreendente. Em outro trecho da matéria, ele procura demonstrar que o povo ucraniano tem o desejo de ser uma bucha de canhão do imperialismo. Segundo ele: “Eles fizeram essa escolha no Maidan, e confirmaram essa escolha nas eleições de 2014 e 2019. Antes de 2014, havia uma atitude amplamente positiva em relação à UE, mas não uma maioria clara. Nunca houve uma maioria a favor da OTAN antes de 2014. Depois disso, houve uma maioria a favor tanto da UE quanto da OTAN. E a maioria cresceu e se tornou massiva após 24 de fevereiro de 2022. A razão pode ser resumida em duas palavras: Putin, Rússia”. Sem grandes explicações, o autor se coloca a favor do golpe de estado dado pelo imperialismo na Ucrânia em 2014, que culminou com o Maidan. Falta apenas ele tatuar o símbolo do Batalhão Azov em seu peito, trata-se de uma falsificação descarada da situação e uma tentativa de pressionar toda a esquerda europeia a se submeter a um dos crimes cometidos pelo imperialismo.
É preciso observar matérias como essa porque a derrota da Ucrânia na guerra é algo já inevitável a essa altura, e o imperialismo está interessado em retomar sua ofensiva em todos os setores para agrupar as opiniões favoráveis às suas ações na Ucrânia. Ainda mais considerando que a opinião dos povos ao redor do mundo com relação à Palestina também é muito desfavorável para o imperialismo. No entanto, essa tentativa está fadada ao fracasso.
Para a maioria da população mundial, está evidente que o povo ucraniano foi usado pelo imperialismo para criar uma pressão contra os russos e isso está bastante claro pela quantidade de dinheiro investida pelos países imperialistas neste conflito. A ideia de chamar a esquerda a apoiar o imperialismo na Ucrânia, vinda do MES, é um atestado de entreguismo total, mostrando que grupos como esse não merecem a menor confiança da população e que sua política é apenas uma reprodução da política do imperialismo no mundo.

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