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Operação contra Bolsonaro

“Direita tradicional” tenta assumir o controle do regime

Nova investida judicial contra Bolsonaro, autorizada por Alexandre de Moraes, ocorre logo após o fiasco da votação do PL das “Fake News”. Haverá correlação?

Nesta quarta-feira (03), a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, no âmbito da Operação Venire, que investiga a inserção de dados falsos sobre vacinação contra Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. Foram apreendidos o seu celular e o de sua esposa, Michelle Bolsonaro.

Além disto, foram presos Mauro Cesar Barbosa Cid, que atuou como ajudante de ordens do ex-presidente enquanto este chefiava o executivo; Max Guilherme e Sérgio Cordeiro, ambos assessores de Jair Bolsonaro lotados no Palácio do Planalto.

É bastante suspeito que essa investida tenha ocorrido no dia seguinte ao fiasco da votação do Projeto de Lei nº 2.630/2020, o PL das Fake News. O famigerado projeto de lei teve de ser adiado a pedido de seu relator, Orlando Silva (PCdoB), pois não foram alcançados os votos necessários para a sua aprovação. O pedido de adiamento foi aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), e não há previsão de quando a votação será pautada novamente.

Na semana passada, conseguiu-se maioria para que o PL das “Fake News” tramitasse em regime de urgência. Contudo, desde o início o bolsonarismo colocou-se contra o projeto de lei, dizendo que o mesmo cercearia a liberdade de expressão, instituindo a censura. Isto é sintomático, pois se sabe que a política de censura das redes sociais é capitaneada pelo setor fundamental do imperialismo. Assim, tem-se um ponto de contradição entre a política imperialista e a extrema-direita. As contradições entre Bolsonaro e o imperialismo já haviam sendo explicitadas anteriormente, especialmente durante a pandemia da COVID-19 e às eleições presidenciais de 2022.

Sem o apoio da extrema direita, que constitui grande parte da Câmara, a tramitação de urgência ganhou por margem apertada. A votação do projeto seria realizada nesta semana.

Contudo, a tentativa de privar a população do debate acerca desse projeto de lei apenas fez com que as atenções se voltassem a ele. Assim, ficou impossível de esconder que se tratava de uma norma para consolidar um regime de censura das redes sociais no Brasil, um AI-5 digital, como denunciado por este diário.

No decorrer da última semana, mais parlamentares bolsonaristas ou próximos do bolsonarismo passaram a retirar apoio ao projeto de lei. A bancada evangélica teve seu devido peso nisto.

Assim, nesta semana, ao ver que não tinha os votos necessários para a aprovação do PL das “Fake News”, o relator pediu seu arquivamento, que foi aceito por Arthur Lira, representante da direita tradicional.

Em suma, a extrema direita mostrou sua força em se opor a uma política do imperialismo, qual seja, a política da censura das redes sociais.

É mais uma demonstração de força política do bolsonarismo, de sua relativa independência em relação à burguesia brasileira e ao imperialismo. E eles não podem aceitar políticos que possuem independência, por menor que seja.

Lula é um exemplo claro disto. A direita tradicional, representante direta do imperialismo segue cada vez mais insatisfeita com a política nacionalista do presidente e, principalmente, com sua política externa. O governo é atacado por todos os lados, sendo sabotado economicamente de forma diuturna com a elevada taxa de juros. Apesar disto, a direita sabe que deve ser comedida em seus ataques e sabotagem, pois o enfraquecimento de Lula, nas atuais circunstâncias, tende a levar ao fortalecimento de Bolsonaro.

Assim, estando entre a cruz e a espada, como o imperialismo, através da direita tradicional, busca resolver a situação? Como achar uma terceira via? No presente momento, resolveu deflagrar mais esta operação judicial contra Bolsonaro.

Teria sido o fiasco da votação do PL das “Fake News” o motivo direto dessa investida? É possível que sim, pois o fiasco foi mais uma uma demonstração de força e independência do bolsonarismo. Caso não seja, seria uma coincidência muito grande. Ainda mais se levando em consideração que a Operação Venire foi autorizada por Alexandre de Moraes, justamente a pessoa que introduziu os dispositivos legais mais ditatoriais no PL nº 2.630/2020.

Contudo, mesmo que o fiasco da votação não seja o motivo direto, é certo que essa nova investida contra Bolsonaro é mais um passo da direita tradicional e do imperialismo no sentido de controlar o regime político brasileiro. Bolsonaro, assim como Lula, representam forças políticas que não estão sob o controle do imperialismo, sendo necessário, portanto, tirá-los de cena.

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