PT no governo

Dirceu alerta Lula: “direita vai nos dar um tranco”

Segundo ex-dirigente, erro do PT é se distanciar da política popular e da militância

Ex-ministro da Casa Civil durante o primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Dirceu criticou a falta de mobilização e organização do partido. Em encontro da corrente Avante PT, em São Paulo, na sexta-feira (24/11), Dirceu afirmou que “hoje o PT é o partido de maior apoio popular, de melhor imagem, mas o partido não é nem 10% do que devia ser”.

“Nós temos um problema sério no PT e na esquerda”, disse Dirceu, avaliando que “nosso governo tem problemas de governabilidade, organização, de avaliação de cada ministério”. Ele argumentou que o PT não mobiliza para impor sua política, por exemplo, contra os juros abusivos do Banco Central. A taxa de juros atualmente está em 12,25%, uma das maiores do mundo, prejudicando o desenvolvimento econômico brasileiro.

O PT, apesar de ter criticado a política do Banco Central, tornado “independente” (isto é, submetido ao controle do imperialismo) pelo governo Jair Bolsonaro, não mobilizou efetivamente sua militância para pressionar o presidente do banco, Roberto Campos Neto, a reverter a taxa, nem mesmo para reestatizar a entidade financeira.

Dirceu também criticou o adiamento da eleição ao comando nacional do PT de 2023 para 2025 e apontou que o ato de Primeiro de Maio em São Paulo, com a participação do presidente Lula, foi um “fracasso”. Neste ano, o Dia de Luta do Trabalhador na cidade de São Paulo foi realizado no Vale do Anhangabaú. No entanto, a manifestação reuniu poucos trabalhadores e contou com cercas e revistas para entrar nos atos. Dirceu também lembrou o bom desempenho da direita nas eleições dos conselhos tutelares.

Segundo ele, o erro do PT é se distanciar da política popular e da militância. “Não sei qual é o problema. Tem medo da militância? Do debate? Da discussão? Da mobilização da militância?”, perguntou. “Onde se discute isso? Ou não é para discutir e fazer de conta que está tudo bem? Ou não se pode discutir mais? Às vezes fico com a sensação de que você começa a discutir um pouco e fica inconveniente, indesejável”, completou.

Militante histórico e ex-dirigente do partido, as declarações de Dirceu são uma crítica à burocracia petista, que não chama a mobilização dos seus militantes e do povo para impor o governo popular para o qual Lula foi eleito. Essa burocracia, segundo Dirceu, estaria também adentrando a discussão política no interior da legenda.

De acordo com ele, a inércia do partido e a falta de debates, assim como a política de conciliação do governo petista, facilitam o crescimento da direita. O governo Lula, ao se curvar à política de negociações com a direita no Congresso, no Judiciário e no seu próprio governo, fica de mãos atadas, sem conseguir realizar a política que defendeu nas eleições.

Dirceu afirmou que defende “que nós precisamos nos debruçar sobre o problema do partido”. “Não vamos tapar o sol com a peneira. Nós não aguentamos o tranco da direita como estamos. E a direita vai nos dar um tranco, nós conhecemos ela”, continuou. Perseguido político na época do golpe de Estado, durante a Lava Jato e a farsa do “Mensalão”, Dirceu sabe do que está falando. A direita aproveita os vacilos do atual governo para atacá-lo, fortalecendo a direita golpista.

“Há esse ambiente agora, político, negociação com Arthur Lira, mas essa não é a realidade. Se nós formos derrotados em 2024, eles vão tomar mais um naco do governo”, declarou, advertindo para as eleições municipais do ano que vem. Como o PT foi eleito para realizar uma política popular, sua incapacidade de levar esse programa adiante vai enfraquecê-lo eleitoralmente. Ainda mais levando-se em consideração os diversos candidatos oportunistas do partido, sem nenhuma ligação com a militância e o movimento popular, que são lançados para cargos de confiança, e as alianças eleitorais com direitistas do pior tipo.

Em São Paulo, por exemplo, existe uma grande possibilidade do PT apoiar Guilherme Boulos (PSOL) para prefeito da capital paulista, abrindo mão de um candidato próprio. Isso iria desmoralizar totalmente a militância petista na cidade mais importante do país. Caso o cenário apontado por Dirceu se realize, conforme ele falou, a direita irá abocanhar mais alguns cargos no governo, que ficará em situação desfavorável para negociar.

“Temos que mudar a correlação de forças e mudar nosso partido. A não ser que a gente queira governar… que está bom como estamos governando. Sabemos que não está. Isso não quer dizer que nosso governo não produziu grandes avanços e foi uma vitória extraordinária derrotar o bolsonarismo”, disse. Ele ressaltou ainda: “não estou pessimista, estou realista”.

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