O discurso de Lula na posse de Dilma do Banco do BRICS foi emblemático. Ele é a prova de algo que vimos falando há muito tempo, de que o novo governo Lula passa longe de estar a serviço do imperialismo e do capital financeiro internacional, mas sim é um governo que, por sua própria natureza, antagoniza com os interesses desses grandes capitalistas e tem o potencial para ser um forte polo da onda de governos nacionalistas que, neste momento, se levantam contra a dominação do imperialismo sobre o conjunto dos países atrasados.
No discurso, Lula ataca diversas instituições do domínio imperialista mundial, como o FMI, o sistema financeiro e o dólar como moeda universal, entregando a mensagem de que o Brasil não é uma sucursal dos Estados Unidos na america latina.
É importante lembrarmos que essa não é a primeira vez que Lula desagrada o imperialismo em suas declarações desde que assumiu a presidência pela 3ª vez, suas recentes declarações sobre a reunificação chinesa e a posse russa da Crimeia.
O discurso abre com uma saudação à China e à nomeação de Dilma para o Banco do BRICS, Lula aproveita para pontuar que Dilma é uma das poucas mulheres a assumir tamanha responsabilidade na área hoje em dia, fato pouco comentado pelos identitários, supostos defensores ferrenhos da mulher.
Ele segue colocando a importância do banco do BRICS, onde aproveita para criticar a situação das dívidas externas, apontando que as mesmas são impagáveis, e coloca que o banco surgiu como uma iniciativa do BRICS para poder influir na situação econômica internacional e critica “A falta de reformas efetivas das instituições financeiras tradicionais limita o volume e as modalidades de crédito dos bancos já existentes.” uma clara crítica ao FMI, instituição de dominação econômica do imperialismo.
Lula é claro quando diz que: “Pela primeira vez, um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido sem a participação de países desenvolvidos em sua fase inicial. Livre, portanto, das amarras das condicionalidades impostas pelas instituições tradicionais às economias emergentes. E mais: com a possibilidade de financiamento de projetos em moeda local.”. Com essa declaração, o presidente do Brasil se coloca, e coloca o BRICS contra o uso do dólar como moeda universal, e coloca o banco do BRICS como uma alternativa ao do FMI.
Lula é ainda mais claro sobre sua relação com o imperialismo ao fazer a seguinte colocação: “Senhores e senhoras, o Novo Banco de Desenvolvimento tem um grande potencial transformador, na medida em que liberta os países emergentes da submissão às instituições financeiras tradicionais, que pretendem nos governar, sem que tenham mandato para isso.”. É uma colocação clara, a iniciativa vem com o intuito de libertar as economias dos países atrasados das garras do imperialismo.
Como se tudo isso não provasse que os planos de Lula para o próximo período não são os do imperialismo, ele ainda é categórico ao fazer a seguinte colocação: “Senhores e senhoras, o Novo Banco de Desenvolvimento tem um grande potencial transformador, na medida em que liberta os países emergentes da submissão às instituições financeiras tradicionais, que pretendem nos governar, sem que tenham mandato para isso”.