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Eduardo Vasco

Militante do PCO e jornalista. Materiais publicados em dezenas de sites, jornais, rádios e TVs do Brasil e do exterior. Editor e colunista do Diário Causa Operária.

Roger

Um cara atormentado

Quando lá chegou, viu em sua estante um livro de Hemingway e o seu celular


Andando no meio-fio, Roger permanecia pensativo e com as mãos nos bolsos. As árvores derramavam suas folhas secas no chão em um verdadeiro espetáculo de outono. O vento soprava e trazia consigo uma fina garoa.

Mantendo-se firme e cabisbaixo, o jovem de 27 anos sacou o guarda-chuva e o abriu, pois a jaqueta de linho já não o protegia do frio. Do outro lado da rua, um circo desmontado parecia abandonado há anos. Mas suas cores ainda vibravam. Isso contrastava com a cena apavorante de um bando de corvos cruzando o céu a curta distância, crocitando histericamente. Esse som ecoava e fazia a cabeça de Roger latejar.

Sentou no banco de um café, mas comeu apenas um pedaço de bolo, sem nada para beber. Riu das piadas contadas por dois estranhos com roupa de marinheiro que estavam na mesa ao lado. Enquanto se distraía com a dupla de humoristas, um negrinho descalço que andava pela calçada furtou seu celular e uma biografia de Hemingway, à mesa. Mas Roger sequer chegou a ver a figura do ladrão. Olhou para todos os lados e não havia ninguém por perto, senão os amigos vestidos de marinheiro.

Correu desesperado por todo o quarteirão, em alta velocidade, segurando seu chapéu para não voar ─ ninguém nunca soube de onde brotara aquele chapéu, porque até esta parte da história Roger estava com sua cabeça desprotegida. Mas agiu como se sempre estivesse ali aquele chapéu. Cansado, abaixou-se para ganhar algum fôlego, arquejado e com as mãos sobre os joelhos.

─ Preto filho da puta!

Era também um auto xingamento. Culpou a si próprio pela falta de atenção. Desde o ano passado, vinha esquecendo coisas banais, como nomes de amigos e guarda-chuvas em restaurantes. Estava desenvolvendo uma tendência ao masoquismo como forma de punição por esses pecados para alguém tão jovem.

As transformações que ocorriam dentro de si ─ as quais tinha certeza que evoluíam dia após dia ─ lhe atormentavam cada vez mais. Via um futuro sombrio em sua vida. Em cinco anos seria calvo e grisalho, e usaria óculos com um grau elevado. Aos quarenta e poucos, teria perdido boa parte da memória e estaria com um princípio de demência. Com pelos na orelha, rugas e pelancas, sentir-se-ia como um velho de noventa anos.

Viria a se suicidar com uma pistola antes dos cinquenta. Os tormentos psíquicos causados pela danificação dos neurônios e por sua aparência seriam insuportáveis.

O furto o frustrou. Voltou para seu apartamento, derrotado. Quando lá chegou, viu em sua estante um livro de Hemingway e o seu celular.


COTV

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