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Será que o PSOL vai mesmo apoiar Lula?

Enquanto Boulos e outros fingem que apoiam Lula, correntes internas do PSOL defendem abertamente não apoiar o ex-presidente


Uma coisa que não se pode cobrar do PSOL, pelo menos de uma de suas alas, o MES, é que não seja coerente em sua política direitista. Apoiaram a Lava Jato contra o PT e continuam firmes na sua saga de combater esse partido. Mesmo no cenário político atual, cada vez mais polarizado, dão sinais de que não querem apoiar a única candidatura que tem chance de derrotar Jair Bolsonaro.

A radicalização política basicamente reduziu as opções a se escolher entre estar a favor ou contra o golpe iniciado desde a queda da ex-presidenta Dilma Rousseff. Tudo o que está entre esses dois polos vem sendo destroçado. O PSDB, por exemplo, sendo tragado pela força de atração irresistível da extrema-direita, vê alguns de seus quadros acenando para a esquerda, enquanto seu candidato à presidência, João Doria, até agora não decolou e já é contestado dentro das próprias fileiras. Para sobreviver, partidos como o DEM e o PSL tiveram que se fundir e formar um outro, o União Brasil.

Apesar de a tensão entre esquerda e extrema-direita estar se intensificando, o PSOL dá mostras de não querer ceder, e até ensaia lançar uma “alternativa”. No dia 3 de fevereiro deste ano, artigo na Revista Movimento, ligada ao Movimento Esquerda Socialista (MES), corrente interna de Luciana Genro e Sâmia Bonfim, assinado por Israel Dutra e Thiago Aguiar, ambos dessa corrente, intitulado: Lula articula uma concertação nacional: é hora de o PSOL apresentar-se como alternativa!” No olho se lê: “O PSOL deve ocupar seu lugar, apresentando na eleição uma voz alternativa ao bolsonarismo e à política de unidade nacional que Lula articula com a burguesia.”.

Lula é o preferido, mas…

O artigo inicia dizendo que para derrotar Bolsonaro é preciso “disputar a hegemonia da sociedade para uma posição que acue a extrema-direita”. No entanto, o que temos visto, até o momento, é a direita na ofensiva e uma esquerda acuada, isso no mundo todo. Antes de “acuar” a direita, é preciso restabelecer o equilíbrio de forças. Por essa razão o PCO propôs Lula como candidato único da esquerda para que assim possamos ter uma chance real de vencer as eleições. Apesar de nada estar decidido, as eleições serão uma verdadeira guerra.

O texto reconhece que Lula é o favorito, mas faz uma crítica às movimentações políticas do petista que, segundo os autores, prepara uma nova “carta ao povo brasileiro” que tem o intuito de “acalmar” os mercados. Diante disso, dizem que “é necessário afirmar uma voz independente para discutir um programa. Esse deve ser o papel do PSOL”. Qual programa? Faltam dez meses para a eleição e o PSOL quer discutir um programa? E se, ao final dessa discussão hipotética, esse partido não se sentir satisfeito, vai apoiar Lula, lançará candidato próprio?

Temos que nos perguntar qual seria a legitimidade, ou a força política real, que o PSOL tem para impor um programa ao partido majoritário? O PT tem o principal candidato, é muito maior e deveria ceder a uma imposição? A menos, é claro, que isso não passe de um subterfúgio para o PSOL não aderir à candidatura Lula e sair dando uma desculpa que não teria havido acordo.

O PSOL tem se mostrado um ferrenho defensor de uma Frente Ampla, inclusive com aquilo que eles chamam de “direita democrática”. Guilherme Boulos, para defender essa política, desenterrou o cadáver do movimento pelas Diretas, Já! e até fantasiou que aquele teria sido um momento de união de todos os democratas em prol de um “bem maior”: a derrota da Ditadura. Pois bem, no mundo de verdade, os trabalhadores foram traídos, não houve eleições diretas. A votação foi para o Colégio Eleitoral e, de um lado, tínhamos um homem da ditadura: Trancredo Neves; e, de outro, o espantalho: Paulo Maluf. Tancredo vence mas não assume, em seu lugar entra José Sarney, outro homem da ditadura, que afundou o Brasil em uma crise terrível.

Voltando à questão da Frente Ampla, dos golpistas, ditos democráticos, o PSOL não fez exigências em troca, não propôs programa nem nada. Em vez disso, propunha uma frente não apenas ampla, mas amplíssima. Se havia tanta disposição, por qual motivo uma “carta aos brasileiros” serve como empecilho para uma unidade com o PT? Se a reclamação é que Lula prepara um governo de conciliação, de “unidade nacional”. Como o PSOL pretendia discutir as bases de uma Frente Ampla? Todos os golpistas iriam aderir ao “programa” psolista?

Uma voz “independente”

‘Independente’ é aquela palavrinha mágica que pode esconder até o seu exato oposto. O artigo dá conta de que “é preciso apresentar na eleição uma voz dissonante ao bolsonarismo e à política de unidade nacional que Lula articula com a burguesia.”. Os setores “democráticos” da direita não seriam justamente a burguesia?

Um outro dado interessante colhido na matéria é que 44% dos delegados no último congresso do PSOL apontaram o nome do deputado Glauber Rocha para candidato. Ou seja, quase metade não demonstra disposição para apoiar a candidatura Lula. Embora, os números demonstrem que também existem pressões intensas no sentido contrário. Mais uma prova de que a polarização política afeta um partido como o PSOL, que é muito mais uma confederação de tendências.

O resultado dessa ‘vacilação’ pode tirar votos de Lula e favorecer a direita. Muito se pintou Bolsonaro como a pior coisa que este País já teve como presidente. Nem o Diabo parece tão maligno. No entanto, na hora de lutar efetivamente para sacá-lo do poder aparecem diversos senões e questões que impedem a unidade. O que estaria realmente em jogo? Será que o PSOL aposta na crise para conquistar espaço político que o PT eventualmente perca. É uma aposta arriscada. Não é simplesmente uma conta de perde e ganha. O enfraquecimento de um partido do tamanho do PT fragiliza a esquerda como um todo, pois abre espaço para o avanço ainda maior da direita.

Leitura equivocada

Apesar de o PT buscar acordos com setores da direita, ao mesmo tempo, o ex-presidente já sinalizou uma série de coisas que vão contra os interesses do imperialismo: que não se pode dolarizar o preço dos combustíveis, que vai reverter as perdas de direitos trabalhistas, por exemplo. Lula tem contra si muitos setores fundamentais das burguesias nacional e internacional e é a pedra no sapato do golpe.

Lula nos braços do povo (Francisco Proner Ramos)

As movimentações do PSOL vão contra os interesses da classe trabalhadora, a sua política visa apenas interesses do próprio partido que pensa poder lucrar com uma crise no PT. Em vez disso, colocamos a necessidade de juntarmos forças e jogarmos peso na candidatura Lula, que pode significar um golpe duríssimo no imperialismo, o nosso principal inimigo. Não é momento de fazermos exigências absurdas que poderão resultar em mais um avanço perigoso da direita. Sabemos que isso significará o aprofundamento da miséria, do desemprego e isso não podemos permitir.

É hora de todos nos juntarmos na criação de Comitês Pró-Lula, o PT se propõe a criar cinco mil desses comitês. Procure o PCO para se juntar nas tarefas da etapa seguinte. Será preciso colar cartazes, distribuir panfletos e fazer uma enorme campanha política de agitação e propaganda. O povo em movimento é a única força social capaz de derrotar os fascistas.

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