Está previsto para esta quarta (23), em Brasília, o ato de filiação do ex-governador de São Paulo, ex-presidente nacional do PSDB e ex-candidato a presidente da República pelos tucanos, Geraldo Alckmin, ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). O evento ocorrerá na sede da Fundação João Mangabeira, com a presença do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, do presidente da Fundação João Mangabeira, Márcio França, dos governadores Flávio Dino, Paulo Câmara, Renato Casagrande e João Azevedo, e de outras lideranças nacionais do partido.
A filiação ocorre após vários meses de negociação e em vários órgãos da imprensa já se anuncia que o político neoliberal que governou o Estado de São Paulo por mais tempo, será alçado à condição de vice-presidente dos “socialistas” em breve. A presença do ex-vice governador de Alckmin, Márcio França, na presidência da Fundação partidária (que recebe, por norma legal, pelo menos 20% da receita do fundo partidário), também mostra que as relações do grupo de Alckmin com o PSB, assim como outras legendas eleitorais de aluguel da burguesia ─ tal qual o Solidariedade e o PV (que também se ofereceram para abrigar o ex-governador) ─ são parte do esquema político mafioso da burguesia, no qual representantes políticos de setores do grande capital têm articulações em várias legendas.
A filiação de Alckmin foi saudada por setores da esquerda defensores da frente ampla com a direita golpista. Mesmo com seu histórico ultra-conservador, defensor e praticante da política de privatizações e, portanto, de dilapidação da economia nacional em favor de um punhado de abutres capitalistas estrangeiros e “nacionais”, declarado simpatizante das alas mais retrógradas da Igreja Católica, como a Opus dei e golpista, de primeira hora, tendo ajudado a impulsionar a derrubada da presidenta Dilma Rousseff (como governador de São Paulo) e vindo a ser o candidato preferencial dos partidos tradicionais da direita no pós-golpe, quando comemorou a prisão de Lula e outras medidas de ataque à esquerda e ao conjunto dos trabalhadores.
Na tarde da última segunda-feira (21/3), por exemplo, foi anunciado que Alckmin se reuniu em São Paulo com a presidente nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco (na chapa do PSB), Luciana Santos, e com o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP).
Segundo integrantes da legenda, a relação entre a sigla e o ex-governador era “protocolar” até então, mas, a partir do momento em que ele decidiu se filiar a um partido de esquerda, é preciso buscar uma aproximação.
Como setores da direita do PT, dirigentes do PCdoB e, é claro do PSB, querem vender o “peixe-podre” de que estaríamos diante de um “novo Alckmin” que teria evoluído à esquerda e, assim, optado por se filiar a um partido “socialista”.
Nada poderia ser mais falso. Alckmin é apenas mais um político direitista, sem prestígio popular (teve menos de 5% dos votos nas eleições de 2018, com toda a máquina do PSDB e do Estado de São Paulo a seu favor), como muitos dos tradicionais partidos da direita, que busca se reciclar e defender seus interesses e dos grupos políticos e econômico que representa, cavalgando no prestígio da maior liderança popular do País e se colocando em uma posição de notoriedade que não poderia alcançar por meios próprios, uma vez que foi defenestrado da máquina do PSDB paulista pelo seu oponente interno, João Doria. Sem a máquina do governo estadual que alavancou sua trajetória, desde quando era vice de Mário Covas, sem a máquina do PSDB etc., o “tucano-socialista” busca se reposicionar e auferir vantagens, seja de um possível êxito eleitoral do PT (em SP ou em nível nacional), seja da posição privilegiada para atuar – antes ou depois das eleições como um novo Michel Temer – à serviço da classe social a que pertence e a quem sempre serviu em sua trajetória, a burguesia.
É claro que essa politica só é possível porque setores da esquerda, principalmente do PT, procuram disseminar a ilusão (e muitos até compartilham dela), de que tais acordos com setores reacionários, golpistas, inimigos dos trabalhadores, seriam o único recurso para que representantes dos trabalhadores possam ter uma participação política no Estado.
Refletindo esse pensamento, há todo tipo de oportunistas e carreiristas políticos e de outras áreas. Renato Rovai, por exemplo, em seu programa Fórum Onde e Meia (imagem), ao comentar a filiação do ex-tucano ao PSDB para ser vice de Lula, defendeu o velho método da política burguesa, afirmando “política se faz com realidade e pragmatismo” e ainda deu exemplos: “se você é uma mulher jovem, procura um homem, empresário de média idade, para compor a chapa… se você é branco, procura uma mulher negra, se for do campo da esquerda“. Nada mais, nada menos do que a defesa da putrefata política da burguesia, usada – justamente – para tapear os trabalhadores e impedir que esses tenham qualquer tipo de controle e até participação real no Estado capitalista que, como tal, existe para vender os interesses dos explorados contra a imensa maioria da sociedade.
Esses e outros elogios à suposta “esperteza” de Alckmin e até mesmo dos setores da esquerda (ou que se dizem de esquerda) que defendem essa política, são apenas a defesa de interesses bem mesquinhos e materiais ou a mais pura cegueira, de quem não aprendeu nada das derrotas dos últimos anos e que buscam trilhar os mesmos caminhos barrentos e obstruídos que levam para o abismo a defesa dos interesses da classe trabalhadora que só podem ser conquistados e mantidos na luta contra esses verdadeiros abutres.




