Quase!

O cínico e deslavado milagre que impediu o gol de Pelé

Um lance que praticamente paralisou o tempo: foram 3,2 segundos que duraram quase uma eternidade.

Quase!

Na estreia do Brasil na Copa de 70, contra a Tchecoslováquia, um lance entrou para história. Pelé, no grande círculo, atrás da linha central, percebe Ivo Viktor, o goleiro, adiantado e arrisca um chute e por pouco não marca um gol que, segundo o próprio narrador ‘derrubaria o estádio e que seria o gol maior da Copa’.

Ao ver o lance, Nelson Rodrigues escreveu uma crônica chamada ‘O Grande Sol do Escrete’ e aqui reproduzimos um trecho:

Por um fio, não entra o mais fantástico gol de todas as Copas passadas, presentes e futuras. Os tchecos parados, os brasileiros parados, os mexicanos parados – viram a bola tirar o maior fino da trave. Foi um cínico e deslavado milagre não ter se consumado esse gol tão merecido. Aquele foi, sim, um momento de eternidade do futebol”.

Roberto Rivelino, um dos companheiros de Pelé na Seleção de 70, disse em uma entrevista que ele e o Gerson estavam gritando para o craque passar a bola. Não foram atendidos, como sabemos. Quando Pelé chutou daquela posição e a bola quase entra no ângulo, foi que eles entenderam e ‘calaram a boca’.

Rivelino explicou que ali em campo só tinha jogadores bons, no entanto, apenas Pelé, dentre todos, percebeu o goleiro adiantado. Para ele, o craque estava anos-luz na frente de todos.

Números e detalhes

O físico Carlos Eduardo Aguiar estudou o lance que nos mostra o seguinte: Pelé estava cinco metros atrás da linha do meio de campo, dali até o gol eram 60 metros. A velocidade da bola foi de 105 km por hora e subi 7,2 metros antes de começar a cair. Detalhe: Pelé pegou a bola bem embaixo para que ela girasse no eixo em sentido contrário, o que aumentou a sustentação da bola e permitiu que ela viajasse tão longe e por tanto tempo, ficou no ar durante 3,2 segundos (que duraram uma eternidade para quem estava vendo o lance.

Física

A bola passou entre 20 e 50 centímetros do ângulo esquerdo do goleiro e por um cínico e deslavado milagre não entrou.

Não tem como não pensar ‘e se bola tivesse entrado?’ Seria uma loucura, com certeza. Mas Pelé também quase marcou um gol genial contra o Uruguai, inventando um drible que deixou todo mundo de queixo caído.

Contra o mesmo Uruguai, o goleiro saiu mal, chutou a bola de maneira esquisita por cima do zagueiro que se abaixou. De onde estava, na intermediária, Pelé emendou o chute, uma bomba que caprichosamente foi parar nas mãos do goleiro. Teria sido outro gol para entrar para a história.

O gol perseguido

Depois dessa tentativa inusitada, vários jogadores buscaram fazer esse tipo de gol. O curioso é que vai ser sempre lembrado como ‘o gol que Pelé não fez’.

Só existe um jogador que criou tantas jogadas e que inspirou as gerações futuras. Não foi por menos que Nelson Rodrigues enxergou o que seria aquele gol. O que ele não conseguiu antever, é que mesmo não entrando aquilo foi um golaço. Um momento que ficou marcado e que mostrou que para um gênio não existe milagre e muito menos o impossível.

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