Todo dia os jornais da burguesia imperialista publicam uma matéria atacando o Catar e a Copa do Mundo. Parece que descobriram o Catar ontem. O país é acusado de ser uma ditadura sanguinária que oprime homossexuais e mulheres, além de ter matado milhares de trabalhadores na construção dos estádios de futebol.
A seleção Alemã, recentemente eliminada, para a alegria dos brasileiros, por exemplo, entrou em campo na partida contra o Japão com uma jogada ensaiada fora de campo: todos os jogadores taparam a boca em protesto contra o Catar que seria contra a liberdade de expressão. Jornalistas estão apresentando programas portando uma faixa no braço com o arco-íris LGBT. Tudo isso faz parte de uma campanha contra o país que sedia a copa, e não tem nada a ver com um suposta defesa das mulheres, dos homossexuais ou das liberdades individuais.
O papel importante do Catar
O real motivo dos ataques é a defesa dos catari à Palestina, ao Irã, a Síria e agora ao Afeganistão. Primeiro de tudo, o Catar é sede do maior meio de comunicação do mundo árabe, o jornal Alzajeera. Esse jornal tem sido muito importante na denúncia das atrocidades que o imperialismo realiza no Oriente-Médio, como os bombardeios da Síria e do Irã, a Guerra do Iêmen levada adiante pela Arábia Saudita e apoiada pelos EUA, e sobretudo as atrocidades cometidas por Israel na Palestina.
Os ataques contra o povo palestinos estão entre as maiores atrocidades já cometidas na história. Quem denuncia a opressão da mulher e dos homossexuais no Catar, repetindo a propaganda imperialista, se estivesse realmente interessado em denunciar injustiças, estaria mais preocupado em denunciar o que é feito na Palestina com apoio de todos os países que atacam o Catar.
O caso palestino é muito marcante, é um dos piores casos de limpeza étnica. Com o apoio do imperialismo, os judeus tomaram conta do país, expulsaram parte da população, mataram a outra parte, e deixaram os restantes em um verdadeiro campo de concentração a céu aberto. Pior do que é feito com eles, é difícil de encontrarmos em qualquer lugar do planeta terra.
Os protestos na Copa
As atrocidades são tamanhas que gera uma união de solidariedade entre todos os povos árabes. Vejamos o caso dos torcedores do time marroquino, Raja Casablanca, que cantou uma linda música em homenagem aos irmãos palestinos.
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Têm-se vários exemplos de solidariedade como esse. Um jornalista de Israel, por exemplo, ao perguntar a um saudita sobre o que este pensava sobre o Estado de Israel o mesmo respondeu “Não existe Israel, existe Palestina”.
Outra razão pela qual o Catar é mau visto pelo imperialismo, que o acusa de financiar atividades terroristas, é a ajuda que o governo do Catar dá ao Hamas, organização vinculada à comunidade muçulmana que leva uma luta pela libertação dos palestinos. Para toda a esquerda deveria ser claro que o problema do imperialismo com o Catar é a Palestina. O Catar é o país que mais apoio a luta do povo palestino. Como o imperialismo não pode colocar isso abertamente, usa-se da farsa do terrorismo, e ataque os costumes locais.
Uma política de submissão
O que é vergonhoso é que nenhum grupo de esquerda, a não ser o Partido da Causa Operária, tem se colocado em defesa do Catar, e repete, palavra por palavra, o que a imprensa venal do imperialismo diz para atacar o país. A esquerda brasileira manifesta uma política de total submissão ao imperialismo. Só evocam a luta da classe trabalhadora quando é para atacar um país explorado como o Catar. O caso dos trabalhadores que teriam morrido no Catar na construção dos Estádios é uma verdadeira farsa, o jornal The Guardian pegou o número de imigrantes mortos nos últimos 5 anos e colocou tudo na conta da Copa; doenças, assaltos, acidentes e suicídios, tudo entrou na conta da construção da Copa.
Devemos denunciar esse papel vergonhoso que a esquerda está fazendo, assim como a campanha criminoso do imperialismo contra o Catar. Devemos defender os povos oprimidos contra a burguesia imperialista e apontar o genocídio que Israel está efetuando na Palestina.