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A campanha histérica pelo aumento da repressão vai "cair na cabeça" dos trabalhadores, de militantes e do Lula!


Nos últimos dias a polêmica em torno do caso do youtuber Monark tem gerado muita controvérsia na internet e declarações acalouradas nas redes sociais. Para muitas pessoas trata-se apenas de um jogo de opiniões na rede social, onde o importante é registrar o seu repúdio ao nazismo, como sua ideologia deve ser rejeitada e nunca mais retornar ao mundo etc. São expressões repetidas por todos, como um roteiro de filme.

Em geral essa “corrida” para registrar sua opinião é algo plenamente compreensível no mundo contemporâneo onde as pessoas comuns desfrutam o máximo da facilidade em se comunicar com outras via internet.

Entretanto, nosso ponto aqui vai além e trata da posição política de militantes, ativistas e políticos profissionais da esquerda sobre a polêmica. A questão aqui não visa nomear ou elencar opiniões, mas analisar as ocorrências de conjunto, até porque apesar da discussão ser em torno de um tema fundamental para a luta política, há surpreendentemente um alinhamento na esquerda em torno da defesa da repressão, da censura, o que é extremamente preocupante.

Relembrando o ponto central do debate, trata-se de mais um capítulo da política direitista de incentivo à supressão dos direitos democráticos, reacendido por uma opinião do youtuber, Bruno Aiub conhecido pelo pseudônimo do Monark, que durante um podcast no canal Flow com a participação dos deputados direitistas Kim Kataguiri (Podemos) e Tabata Amaral (PSB), defendeu a liberdade de expressão e organização exemplificando que até um partido nazista deveria ser permitido pela legislação brasileira, caso seus defensores assim quisessem, em respeito a este direito fundamental.

Imediatamente se formou um coro em uníssono entre a direita, a imprensa monopolista e golpista e a esquerda pequeno-burguesa e identitária colocando em marcha mais uma campanha de “caça às bruxas” realizando um linchamento público do youtuber. A campanha está sendo complementada, pela demagogia rasteira de monopólios nacionais e internacionais que usam seu imenso poder econômico para destruir o acusado e fazer uma ótima propaganda sem gastar nem um centavo. Com o apoio de “grandes esquerdistas” ainda!

O perigo para a esquerda popular

A campanha de incentivo à repressão – os pedidos de prisão, cancelamento, processo, criação de mais leis proibindo opiniões, organizações – é uma verdadeira campanha suicida para os setores populares da esquerda, para o movimento organizado dos trabalhadores, aqueles que realmente saem às ruas e estão na linha de frente dos ataques da direita e do Estado burguês.

Como falamos acima a campanha de incentivo ao aumento da repressão estatal é feito pela direita e por setores pequeno-burgueses da esquerda, intimamente ligados aos primeiros. Mas há setores militantes da esquerda que acabam por ceder à pressão que é feita pela imprensa burguesa e todo o clima que é criado, intimidando aqueles que possam apresentar uma posição diferente, e entram na onda da repressão. Entretanto, o principal alvo da repressão estatal e da direita sempre foi e sempre será eles mesmos: a classe operária e suas organizações de luta.

Neste ponto, fazemos um especial destaque ao Partido dos Trabalhadores (PT) por apoiar a campanha pelo aumento da repressão. Ainda que não tenha havido uma posição oficial do partido, alguns de seus principais políticos reverberaram a posição, como a colocação da presidente Gleisi Hoffmann que afirmou: “O que Monark disse ontem é um crime contra a nossa democracia. Não existe liberdade de expressão para quem defende esse absurdo. É de extrema urgência que esse canalha tenha uma punição severa”.

Primeiro que falar, expressar um pensamento, opinião, não é crime e nem deveria ser, ainda mais na suposta democracia burguesa. Segundo que os direitos democráticos e liberdades individuais, como liberdade de pensamento, expressão e organização, só existem se forem exatamente incondicionais, pois do contrário, ao condicioná-los estamos dando o poder ao Estado burguês (controlado pelos grandes capitalistas) de decidir o que cada cidadão pode ou não falar ou fazer, o que de fato representa um crime contra a classe trabalhadora.

Mas, mais objetivamente falando a campanha pelo aumento da repressão e supressão de direitos democráticos é uma “arma que está sendo apontada” justamente para o PT, para os trabalhadores organizados, seus sindicatos, para os movimentos populares e principalmente, mais imediatamente, para a candidatura do ex-presidente Lula à presidência.

Lula e os trabalhadores são o alvo

Desde, pelo menos, o golpe de 2016 vemos de forma mais clara o regime golpista montado no país no qual está atuando fortemente sobre a base de um conjunto de políticas que visam cassar pouco a pouco os direitos democráticos da classe trabalhadora, aumentar a repressão direta através da legislação e da ação das forças de repressão estatal (polícias) e da destruição das organizações de luta da classe trabalhadora, como vimos os ataques aos sindicatos com o fim do recolhimento do imposto sindical.

Com a aproximação das eleições presidenciais de 2022 e o já esperado amplo apoio popular à figura do ex-presidente Lula, o golpe para impedir a sua eleição continua se desenvolvendo. Este diário já denunciou várias etapas deste novo golpe como a campanha da direita em defesa das urnas eletrônicas, a nova licitação para compras de urnas envolvendo tucanos e militares, a nomeação de militares para comandar o setor de tecnologia do TSE, os ataques da imprensa burguesa contra Lula e o PT, que ainda virão com força total em breve.

É óbvio que esta será uma arma utilizada pelos juízes do TSE, STF, dos tribunais regionais, contra Lula e contra as candidaturas do PT, contra os militantes que estão nas ruas fazendo a campanha contra o golpismo. Este clima de “caça às bruxas” já deu espaço para que parlamentares da extrema-direita apresentassem projeto de lei pedindo a proibição do comunismo, utilizando como argumento a proibição também do fascismo.

Caso leis como essa ou decisões judiciais, já que estes também costumam criar suas próprias leis, é muito claro entender que ativistas, militantes de esquerda, revolucionários sejam agredidos e presos por defenderem a revolução, o socialismo, o fim da polícia, a luta contra a burguesia, ou simplesmente por fazerem qualquer coisa que desagrade um policial fascista nas ruas.

Tanto os dirigentes quanto os militantes da esquerda, principalmente, do PT devem ter muito cuidado com as campanhas histéricas da direita, sob falsos argumentos, aparentemente bem intencionados, que no final das contas irão criar medidas legais para aumentar a repressão e violência contra a classe trabalhadora e suas autênticas lideranças.

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