A violência sofrida pelos índios Guarani Kaiowá, no dia 24 de junho, durante despejo realizado pela Polícia Militar sem nenhuma autorização judicial na fazenda “Borda da Mata”, retomada Guapoy, no município de Amambai, Mato Grosso do Sul; mobilizou indígenas de várias regiões do Estado para impedir novos ataques e enfrentar o latifúndio.
Depois do Massacre do Guapoy, a Justiça Federal da 3ª Região, na pessoa do juiz Thales Braghini Leão, cassou a liminar de despejo dos latifundiários da Fazenda Borda da Mata que entraram com ação na 2ª Vara Federal de Ponta Porã (MS), cobrando o interdito proibitório.
Todavia, deve ficar claro que a justiça do Mato Grosso do Sul somente tomou essa decisão devido à enorme mobilização dos indígenas e a sua combatividade. O enterro mostrou que os índios estavam com disposição a lutar por suas terras de maneira que mobilizou diversas aldeias e milhares de indígenas, inclusive para as retomadas que estavam sendo ameaçadas pela PM e os latifundiários, como a Retomada Kurupi, com caravanas de várias aldeias.
A decisão de impedir o despejo dos índios pelo judiciário do estado é extremamente rara e não se deve agradecer a essa instituição defensora do latifúndio com unhas e dentes. É preciso entender que o judiciário tomou essa decisão pela pressão da mobilização indígena nas retomadas e na disposição de lutar contra a PM e o latifúndio.
Latifúndio segue impune
Os ataques do latifúndio e do Estado, através do secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, ex-delegado da polícia Civil em Dourados, vão continuar porque nenhuma medida foi tomada contra o ataque criminoso. Nem uma mínima sanção.
O secretário Videira classificou a ação como “necessária” e “normal”. Ex-delegado da Polícia Civil em Dourados, Videira é conhecido pelas operações violentas contra os indígenas da região.
É preciso mobilizar e criar comitês de autodefesa
Os indígenas Guarani-Kaiowá deslocaram um grande contingente de pessoas para as retomadas que estavam sendo atacadas e enterraram o indígena Vitor Fernandes, assassinado pela PM durante a operação, dentro do latifúndio que houve o despejo violento.
Essa enorme mobilização combativa dos índios Guarani-Kaiowá na região enfrentou o latifúndio, os pistoleiros e a polícia que não queria o enterro do indígena dentro do latifúndio. Entretanto, diante da combatividade e do grande número de pessoas, não houve como impedir. E a decisão da justiça de cassar o despejo nesse momento também é fruto dessa mobilização.
O exemplo serve para formação de comitês de autodefesa em todas as aldeias, com indígenas treinados e equipados a agirem diante dos ataques da polícia e dos latifundiários. Somente dessa maneira é possível barrar a violência do latifúndio e do Estado, forçando a justiça a tomar decisões favoráveis aos indígenas e seus direitos.


