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Lula presidente

Lula mostra que não será o Gabriel Boric brasileiro

Discurso demonstrou que Lula está no campo oposto do imperialismo


Em seu discurso após a vitória no segundo turno da eleição presidencial, Lula afirmou que:

“Queremos um comércio internacional mais justo, retomar nossas parcerias com os Estados Unidos e a União Europeia em novas bases. Não nos interessa acordos comerciais que condenem o nosso país a eterno exportador de commodities e matéria-prima. Vamos reindustrializar o Brasil, investir na economia verde e digital, apoiar a criatividade dos nossos empresários e empreendedores. Queremos exportar também inteligência e o conhecimento. Vamos lutar novamente por uma nova governança global, com a inclusão de mais países no conselho de segurança na ONU e com o fim do direito a veto que prejudique o equilíbrio entre as nações”

A primeira questão que chama atenção é que não é uma declaração de subserviência ao imperialismo e ao mercado financeiro. Há um setor da esquerda brasileira que diz que Lula é o candidato do imperialismo. Uma prova disso seriam os apoios de elementos direitistas da política brasileira. Acontece, no entanto, que a maioria desses apoios não significam nada. Um tradicional elemento dessa direita é o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que nessa semana gravou um curto vídeo para supostamente apoiar Lula. Além dele, há outros cidadãos da mesma linha política que teriam declarado apoio. 

Essa situação não modifica em nada a situação eleitoral, não mudou a votação expressivamente. Trata-se, na realidade, de uma política deliberada desse setor político, que é um setor extremamente falido, de “pegar carona” na campanha de Lula que se mostrou verdadeiramente popular. Procuram se apresentar como direitistas, mas diferentes de Bolsonaro e que seriam a favor do estado democrático de direito. 

Isso é uma completa farsa. Esse mesmo grupo que tenta se apresentar como civilizado são os mesmos que deram o golpe de Estado rasgando por completo a Constituição brasileira, derrubando a presidenta eleita Dilma Rousseff e o governo do PT. São, neste sentido, os pais de Bolsonaro.

É uma espécie de reciclagem, mas no sentido político. O eleitorado desse setor migrou para votar em Jair Bolsonaro e eles foram para o depósito de lixo da política nacional. Modernamente, o que se procura fazer com o lixo é reciclá-lo. É como produzir um novo papel com papéis já usados e jogados fora. Não se produz algo novo, original, mas um produto cheio de retalhos e misturas que demonstram que aquele papel já foi usado. No sentido político, é uma tentativa de se apresentar como algo novo, mas é mais do mesmo. 

Se verdadeiramente apoiassem Lula presidente estariam há muito tempo realizando a campanha em seu favor. Não adianta chegar no último dia e dizer que apoia Lula, pois isso não modifica nada, visto que esse setor não tem popularidade. 

Não apenas realizando campanha, mas investindo nela, como fizeram os capitalistas com a candidatura de Bolsonaro, que recebeu cerca de 80 milhões de reais de capitalistas. Lula praticamente só recebeu o dinheiro destinado do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como fundo eleitoral.

Essa suposta preocupação de setores direitistas contra Bolsonaro não se concretizou em nenhum apoio a Lula. Pérsio Árida, por exemplo, conhecido por ser um cidadão amigo dos banqueiros, poderia realizar uma campanha entre eles para arrecadar alguns milhões de reais para a campanha de Lula. Mas não o fez. 

Esses apoios nada mais são do que declarações vazias que servirão, posteriormente, como um selo no curriculum político de direitistas para colocar em prática terríveis políticas sob a cobertura de que eles são melhores que Bolsonaro, pois Bolsonaro não respeita o estado democrático de direito. 

A primeira conclusão, portanto, é que Lula não é o candidato do mercado financeiro e a burguesia está esmagadoramente com Bolsonaro. O que Lula tem ao seu lado é uma espécie de lixo político da burguesia que está procurando se “reciclar”, pois perdeu totalmente o apoio que tinha de um setor da classe média e popular.

O discurso de Lula mostra que ele não é o candidato ideal para o imperialismo. O que aconteceu é que a crise do regime, com dois candidatos que não eram da confiança do imperialismo, dividiu a própria burguesia, apoiando um dos candidatos a contragosto.

Apesar de sua política de conciliação, Lula será um problema para o imperialismo, como deixou claro em seu discurso, não pretende levar adiante uma política pró-imperialista. Outro fato que prova isso foram as prontas declarações de Putin, Maduro e Dias-Canel, representantes dos países inimigos do imperialismo.

É importante salientar que o mercado consumidor brasileiro é relativamente grande, apesar de o país ser pobre. Determinadas áreas podem ser fontes extraordinárias de lucros para o capital internacional, como foi visto no caso da Petrobras, que pagou 100% dos dividendos a seus acionais. Quer dizer, que pagou seu valor de empresa aos seus acionistas. Isso não existe no mundo. 

A energia elétrica é outro exemplo. A sua recente privatização levantou a discussão de como esse setor poderá ser lucrativo para os especuladores. Há uma extensa rede elétrica no país, uma das maiores do mundo inteiro. É isso o que os especuladores e banqueiros querem, que o governo mantenha a estabilidade monetária para que eles possam investir com segurança de que o lucro será realizado e devolvido em dólar. O povo, enquanto isso, não importa para eles. Pode estar morrendo de fome e essa seguirá sendo a política deles. 

A simples menção contra as privatizações já demonstra que lado cada setor está.

Essa política expressa obviamente uma oposição a política do imperialismo, o que coloca Lula no campo oposto. Se trata de uma política moderada, burguesa, que embora seja um pequeno passo no sentido mais correto, é uma política bastante limitada e não permitirá um verdadeiro desenvolvimento econômico do país. Poderá permitir que a situação melhore por um período, mas medidas muito mais duras serão necessárias para um verdadeiro desenvolvimento. 

Lula não é o candidato do imperialismo e a classe operária deve intervir em seu governo em defesa do País e de suas riquezas. Diferente do “esquerdista” Gabriel Boric, eleito no Chile, Lula não tem o apoio real do imperialismo, foi eleito contra a vontade do imperialismo.


COTV

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