No ano de 2021, conforme levantamento feito pelo Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério Público do Trabalho, o Brasil teve um crescimento em acidentes e doenças ocupacionais de 30%. De acordo com o MTP, foram mais de 561 mil comunicações de acidentes de trabalho somente no ano de 2021. No ano anterior, esse número foi de 446 mil.
Um dos setores que mais ocorrem acidentes no País, devido às péssimas condições de trabalho são os frigoríficos, um dos principais causadores de acidentes e doenças, inclusive com mortes, considerados como os campeões nesses quesitos. Em praticamente todos os dias, ou até mesmo horas, há acidentes, desde um corte no dedo, escorregões, entre outros e, invariavelmente, todos meses do ano saem notícias de acidentes com mortes e, inúmeras vezes, as ocorrências são de forma coletiva quando, por exemplo, tem vazamento de gás amônia, onde os operários têm que evacuar as instalações da fábrica para não sofrerem consequências gravíssimas, desde náuseas, irritações nos olhos e inúmeros outros problemas de saúde. Frequentemente ocorrem situações em que o trabalhador não resiste e morre, a exemplo do vazamento que ocorreu em setembro, no frigorífico do grupo BRF, onde um operário faleceu no momento do vazamento e outros dois foram encaminhados em estado gravíssimo. Um dos hospitalizados morreu em 8 de novembro. A tragédia anunciada afeta, em determinados casos, quarteirões das vizinhanças. Outro exemplo foi o que no Frigorífico Minuano, em Lajeado, cidade do Rio Grande do Sul, em outubro (29), nesse frigorífico, no setor de rejeitos, foi encontrado o corpo de um homem dentro de uma máquina de moer.
De acordo com a polícia, uma empresa que recebe rejeitos encontrou partes do corpo do homem, botas, documentos e um celular em um recipiente entregue pelo frigorífico com 6 mil quilos de dejetos de frangos.
Apesar do número astronômico, os dados são subestimados, em artigos da Fundação Jorge Duprat Figueiredo (Fundacentro) as informações elencadas nesses levantamentos chegam a ser sete vezes menores do que é na realidade, há uma subnotificação enorme dos patrões para ocultar a tamanha exploração imposta a seus funcionários.
É preciso uma ampla mobilização de todos os setores do movimento operário, tendo a CUT como linha de frente, para barrar tamanha atrocidade, bem como, o ímpeto dos patrões em transformá-los em verdadeiros escravos e, desta forma, aumentando cada vez mais o seu lucro.




