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Infiltração golpista

Flávio Dino indica apoiador da prisão de Lula para PRF

A frente ampla no governo arma um golpe, a coisa está escancarada. Flávio Dino, indicado a ministro da Justiça, age como ponta de lança para a derrubada do governo eleito


Na última terça-feira, 20 de dezembro, o futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, nomeado pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, que toma posse em janeiro, anunciou quem será o novo diretor-geral da polícia rodoviária federal (PRF). Flávio Dino, juiz e do partido burguês PSB, anunciou Edmar Camata, policial rodoviário federal há 18 anos e atual secretário de Controle e Transparência do estado do Espírito Santo. Edmar Camata foi candidato em 2018 pelo PSB, e é um entusiasta da criminosa e antinacional operação Lava Jato e de seus expoentes, Deltan Dallagnol e Sérgio Moro. Trata-se de um infiltrado no futuro governo, tal como aquele que o nomeou.

Um típico juiz burguês, capacho do imperialismo e defensor do arbítrio

O juiz Flávio Dino, então no PCdoB, durante seu período à frente do governo do estado do Maranhão, se notabilizou por, junto com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), conferir a base de Alcântara aos Estados Unidos, sob a justificativa dos dólares que poderia arrecadar. Na prática, se tratou de uma venda da soberania nacional para o uso de uma base de lançamento de foguetes pelos EUA em território brasileiro, algo em si demonstrativo da política defendida por ele.

Levando adiante a política do golpe, Dino concedeu entrevista ainda nesta semana, no dia 19, ao programa Roda Viva, onde comentou a atuação do ministro do STF, Alexandre de Moraes. “Do ponto de vista técnico e jurídico, não tenho nenhum reparo à atuação do ministro Alexandre de Moraes, pelo contrário, o homenageio.” O juiz ainda defendeu a atuação do judiciário acima dos poderes legislativo e executivo, afirmando ter sido uma “exigência do momento” e que “salvou a democracia brasileira”. Uma aberração do ponto de vista jurídico, visto o atropelo da lei ao longo de todo o ano e, inclusive, contrariando direitos claramente estabelecidos na Constituição.

Sobre o Inquérito das Fake News, medida ilegal expedida pelo Supremo, visto que a juízes não cabe abrir inquéritos, Dino disse que “foi fundamental, não tem nenhum defeito”. Ele defendeu ainda que, findo o inquérito, ele seja desmembrado em outros, e seus processos ditatoriais continuem. O inquérito foi utilizado para prender parlamentares e cassar mandatos, passando por cima do voto popular, fechar veículos de imprensa, e censurar adversários políticos dos abusos do Supremo Tribunal Federal, que se excedeu, se colocou acima da Constituição Federal de 1988 e cometeu flagrante abuso de poder. Inclusive, todas as redes sociais do PCO, assim como a Causa Operária TV, foram fechadas por canetada ao questionar as arbitrariedades do STF, em particular do ministro Alexandre de Moraes.

Um homem da Lava Jato

Edmar Camata e Deltan Dallagnol, em 2017. – Foto: Reprodução

Edmar Camata, nomeado para a chefia da PRF por Dino, ainda em 2017 publicou uma selfie com o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, o homem do powerpoint. Sobre o encontro, o policial federal disse: “Tive cinco minutos que certamente milhões de brasileiros gostariam de ter, e espero ter honrado. À frente, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol. Pude falar do orgulho e confiança que a ampla maioria dos brasileiros tem na atuação desses profissionais, que de maneira inovadora se impõem contra a corrupção”.

No ano seguinte, 2018, Camata foi lançado como candidato a deputado federal pelo PSB. Sua plataforma eleitoral foi uma, o apoio à operação farsesca e golpista da Lava Jato. Publicou à época, quando Lula já estava preso, no preparo à fraude eleitoral de 2018, que: “Até agora, já foram condenadas 188 pessoas na Operação Lava Jato. Não podemos deixar a maior operação anticorrupção do país parar, você concorda? Vote em um candidato que garanta a continuidade de pacotes anticorrupção”. O lema da campanha de Camata foi “para a Lava Jato não acabar”. Ainda, mais cedo no mesmo ano, e após a prisão de Lula, o policial apoiou a condenação, é um homem do golpe.

Aspirante ao FBI, tal qual Moro e Dallagnol

Sobre a prisão de Lula, publicou que, em relação aos demais presos pela Lava Jato, “Lula se difere por ser uma figura ainda com apoio popular. Ídolo, origem humilde e de representação social. Aí vem uma reflexão: a discussão sobre corrupção é menos importante quando o preso é alguém que gostamos? Ver Lula como inocente significa acreditar que há uma trama extremamente complexa e articulada que condenou 220 empresários, servidores e políticos em várias instâncias. Tudo a troco de condenar Lula”. A operação teve fim logo após a fraude eleitoral de 2018, numa demonstração de que se tratou justamente de uma manobra para retirar daquela eleição o candidato mais popular, Lula, em quem os trabalhadores tiveram de esperar mais quatro anos para poder votar, e que assumirá a presidência no ano que vem.

Mais que isso, após comprovada a farsa total, com a recompensa de Sérgio Moro, juiz da Lava Jato, que ganhou um cargo no governo Bolsonaro, após a fraude em 2018, de ministro da Justiça, Camata também publicou seu apoio. Em 2019, foi a uma palestra do ex-juiz Moro, dizendo que “Na pauta, desburocratização, segurança e eficiência do Estado. Encontrei o ministro Sergio Moro e visitei o Ministério da Economia, de onde sairão parcerias importantes”. Um homem ligado à Lava Jato e ao governo golpista de Jair Bolsonaro, em particular sua ala mais golpista, da operação do imperialismo no Brasil.

A justificativa oferecida por Flávio Dino para a nomeação é o tempo de serviço e a “experiência em gestão” de Edmar Camata, algo que não explica colocar um policial ligado à Lava Jato, uma operação coordenada pelo FBI, desde os EUA, para golpear o Brasil. As seguintes mensagens foram publicadas no grupo dos procuradores da operação, e publicizadas no vazamento pelo Intercept:

“O FBI pediu pra eu falar sobre a Lavajato no curso em Washington, tudo bem? Vc me mandaria um material em Inglês? Eles tb. querem q eu fale sobre as 10 Measures!!!! show heim? até eles já sabem da campanha!!!”

Deltan responde: “Animal. Não é tudo bem. É tudo excelente!!!!!”

Mais, a agente do FBI, Leslie Backschies chegou a citar a Odebrecht e a Petrobrás, duas empresas destruídas pela Lava Jato, e num evento da CKR Law, em São Paulo, disse que: “Não dá pra ser melhor do que isso. Nossa relação com o Brasil é o modelo de colaboração para países lutando contra crimes financeiros. Isso é apenas o começo. Temos o enquadramento correto, a vontade e os fundos para continuar trabalhando juntos”.

Preparo do golpe

A situação demonstra como está organizado o cenário político. Bastou Lula indicar um homem da frente ampla para um ministério, e ele já começou a organizar o golpe contra o futuro governo. O “aliado” de direita indicou um homem da Lava Jato para um cargo de destaque no aparato repressivo. Na última eleição, de 2022, a PRF ainda cumpriu um papel golpista, ao deslanchar uma operação que impediu a circulação de ônibus pelo país, em especial nas regiões com maiores votos para o PT. A indicação por Dino não se sustenta nem mesmo frente aos fatos dos últimos dois meses. Se trata de uma sabotagem, uma operação golpista de dentro do governo que nem ainda está empossado.

O cenário golpista orquestrado a partir de Flávio Dino, figura da frente ampla, também deixa clara a política a ser seguida no próximo período: Lula deve governar com os trabalhadores que o elegeram, não com golpistas, sejam eles declarados ou disfarçados. Dino se colocou como ponta de lança do golpe dentro do governo eleito, e precisa ser removido do cargo. O Ministério da Justiça, especificamente, é uma das instituições críticas diante da possibilidade de um golpe, e deve ser comandado por alguém de absoluta confiança. O apontamento por Dino é ainda um recado às organizações dos trabalhadores: é preciso mobilizar as bases para defender o governo imediatamente.

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