De acordo com levantamento recente feito pelo Manchetômetro, portal dedicado à produção de estatísticas sobre a imprensa brasileira, todas as dez figuras mais atacadas durante o ano de 2022 foram, sem exceção alguma, da extrema-direita e da esquerda. O estudo leva em conta edições da Folha de S.Paulo, do jornal O Globo, do Estado de S. Paulo, do jornal Valor e do Jornal Nacional e apresenta em sua lista as seguintes personalidades: Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Augusto Aras, Onyx Lorenzoni, Dilma Rousseff, Paulo Guedes, Cláudio Castro e Arthur Lira.
O que salta aos olhos na lista é, sem sombra de dúvidas, a ausência de qualquer figura daquilo que é comumente conhecido como a “direita tradicional”. Isto é, políticos importantes do PSDB, como João Doria e Fernando Henrique Cardoso, e elementos diretamente ligados à Rede Globo, como Sergio Moro. Nenhuma figura intimamente ligada ao imperialismo, portanto, foi atacada como a esquerda e a extrema-direita.
Esse fato apenas comprova aquilo que já estava óbvio: a tal “terceira via” é a via que a imprensa capitalista apoia. Os candidatos que se apresentam como parte do “centro político”, como Doria, Moro, Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Luciano Huck, são, portanto, apoiados pelos setores mais importantes da burguesia: os setores que organizaram toda a campanha pela derrubada do governo Dilma Rousseff e pela prisão de Lula. São os queridinhos do Partido da Imprensa Golpista, que é uma representante direta do imperialismo no País.
A “terceira via”, neste sentido, nada tem a ver com a “luta pela democracia”, com a “sensatez”, com o “sentimento nacional” ou qualquer outra baboseira que seus candidatos digam. O que une todos esses candidatos é o seu apoio da burguesia golpista. E para que? Ora, para que sirvam de trampolim para a terceira fase do golpe de Estado.
A extrema-direita e a esquerda são os setores mais atacados porque o que a burguesia quer é controlar a polarização política para estabelecer um governo que seja estável o suficiente para levar adiante um programa de destruição do Brasil. Um programa que inclua a privatização de todas as riquezas e de todas as empresas do País, que termine por rasgar os direitos trabalhistas e que permita encarcerar todo mundo que se rebele contra sua política criminosa. Para isso, a burguesia não pode permitir que a esquerda avance, pois um governo de esquerda teria muitas dificuldades para levar esse programa adiante, ao mesmo tempo em que deve evitar ao máximo colocar o poder nas mãos da extrema-direita, pois um governo como o governo Bolsonaro é muito instável e altamente explosivo, o que dificulta a implementação da política neoliberal.
A terceira via não representa “neutralidade” alguma. É, na verdade, a primeira via da burguesia, a via da continuidade do golpe de Estado, sendo Bolsonaro a sua segunda via, caso um candidato da direita nacional não emplaque.





