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Guerra do gás

Escassez de gás eleva as tensões entre os países europeus

A escassez do gás está provocando uma briga na Europa e pondo em risco a unidade que o imperialismo necessita para atacar a Rússia.


Enquanto a maior parte da população mundial convulsiona diante da crise no gás, entre muitas outras, provocada pelos embargos à Rússia impostos pelo imperialismo americano à União Europeia e ao resto do mundo, uma pequena nata da burguesia que comanda o imperialismo mundial nada em ouro e mais que triplica os seus lucros sem mover um dedo. A essa burguesia muito interessa gente obstinada e fascista como a senhora que declarou o famoso “foda-se a Europa!”, a saber, a vice-secretária de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, a neocon sionista Victória Nuland, que foi selecionada a dedo pelo partido americano Democratas para alavancar a OTAN e criar um mal-estar mundial contra a Rússia.

As sanções não são a única fonte de turbulência na economia global mas são a principal. Sanções generalizadas contra a Rússia, juntamente com uma crise global na cadeia de suprimentos e interrupções nos fluxos comerciais da Ucrânia como resultado da ação militar, criaram um choque econômico de magnitude única. Sanções adicionais às exportações russas de petróleo e gás exacerbarão ainda mais esses efeitos.

A Rússia é a 11ª maior economia do mundo, e seu papel como grande exportador de commodities entre os mercados emergentes lhe confere uma posição estruturalmente significativa. Entre as economias avançadas, apenas os Estados Unidos, Canadá e Austrália detêm uma posição comparável nos mercados globais de energia, agricultura e metais. Além disso, desde o fim da Guerra Fria, mais de duas décadas de integração deixaram a economia russa amplamente aberta, com uma relação comércio/PIB de 46%, segundo o Banco Mundial. Em 2020, entre os sete maiores mercados emergentes, apenas México e Turquia apresentaram taxas mais altas (78 e 61%).

As sanções anti-Rússia desestabilizam os governos em toda a economia global.

Isto foi afirmado pelo chefe do Ministério do Desenvolvimento Econômico da Federação Russa Maxim Reshetnikov no âmbito do fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) .

“A proibição do comércio de certos grupos de mercadorias e a restrição de transações financeiras, o fechamento de portos e a ameaça de detenções em massa de navios, a suspensão das comunicações aéreas e terrestres – tudo isso visava minar a economia russa”, disse o comunicado. Citações do ministro da TASS . “Mas, na verdade, desestabiliza toda a economia global.”

Como resultado das sanções, a oferta é limitada e o custo da logística está disparando globalmente, o que já levou a um aumento global dos preços dos alimentos, bem como à deterioração dos padrões de vida das pessoas em economias em desenvolvimento de baixa renda, disse ele.

Após a gigante russa Gazprom anunciar na segunda-feira, 25 de julho, que reduziria drasticamente a partir de quarta-feira, 27 de julho, para 33 milhões de metros cúbicos diários, as entregas de gás russo para a Europa através do gasoduto Nord Stream, ainda devido à turbina que seria consertada no Canadá, logística essa que travada e incompleta devido aos embargos do imperialismo e, segundo a empresa russa, o fornecimento europeu seria prejudicado; um grande cenário jornalístico de ataque à Rússia acompanhou esse evento da turbina, enfim, após o anúncio da Rússia de redução de fornecimento seguiu-se uma proposta da União Europeia de uma redução de 15% no consumo de gás em todos os estados-membro, direto do conselho extraordinário de ministros de energia da UE em Bruxelas , obcecada em manter a unipolaridade mundial em torno do imperialismo americano.

A Bélgica se opôs à proposta da Comissão Europeia (CE) de exigir dos países da UE uma redução obrigatória no consumo de gás em 15% em caso de emergência. O jornal L’Echo escreveu sobre isso na terça-feira, 26 de julho.

O jornal, citando fontes diplomáticas, observa que a Bélgica se juntou a 11 países da UE que criticaram o plano da Comissão Europeia de recusar o gás russo. Os países da oposição também incluíram França, Itália, Espanha, Portugal, Malta, Chipre, Grécia e outros.

Esses países consideram que a CE deveria ou renunciar completamente ao direito de exigir dos países da UE uma redução obrigatória do consumo de gás em 15% no caso de uma possível redução ou interrupção do fornecimento da Rússia, ou conceder a esses países isenções na forma de um direito legal de não cumprir este requisito da Comissão Europeia. Com esse nível de desagregação, é impossível o imperialismo combater a Rússia o que só aumenta a crise.

Oculto pela imprensa pro imperialista, destacamos na França, os enormes lucros da petroquímica francesa, a empresa TotalEnergies, revivem o debate dentro da França sobre ‘super lucros’. O grupo francês, TotalEnergies mais que dobrou seu lucro líquido no segundo trimestre, para 5,7 bilhões de dólares, contra 2,2 bilhões no mesmo trimestre de 2021. Os efeitos dos embargos à operação russa de desnazificação e desarmamento da Ucrânia nos mercados de energia continuaram no segundo trimestre, com os preços do petróleo ultrapassando US$ 110 por barril em média no trimestre, como destacou o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, citado em um comunicado à imprensa burguesa francesa e sempre sugerindo que a Rússia estaria manipulando a negociação. Note-se que esse preço do barril é imposto pelo imperialismo americano, não pela Rússia, que pratica preços adversos no seu mercado interno e igualmente os preços de venda de suas commodities ao mercado europeu; esse mercado sim, o da Europa, é que segue submisso às imposições de preços impostos pelo imperialismo americano desde que as gigantes mundiais de energia faturem muito e a população francesa e as outras pague pelos aumentos e pelos prejuízos.

” Estamos claramente em um ambiente muito positivo e dinâmico, marcado por altos preços de commodities. Isso pode continuar no médio prazo em nossa opinião “, disse ele em conferência para analistas financeiros.  Declara Pouyanné.

Esses aumentos nos mercados beneficia toda a burguesia industrial de petróleo e gás globalmente. A gigante britânica Shell divulgou assim na quinta-feira, 28 de julho, um lucro líquido multiplicado por cinco no segundo trimestre, para 18 bilhões de dólares

Esses lucros maciços alimentaram um debate e uma grande revolta na população da França sobre a necessidade de tributá-los, como foi feito na Itália e na Espanha.

A Assembleia Nacional francesa, no entanto, rejeitou por pouco a ideia de um imposto sobre os ” super lucros ” ou ” lucros excepcionais ” das grandes multinacionais – especialmente as petrolíferas, apesar dos protestos da esquerda e da extrema direita, e da revolta popular.

Em vez disso, a TotalEnergies anunciou uma esmola de desconto de 20 cêntimos por litro de combustível na bomba entre setembro e novembro em todas as suas estações de serviço, depois 10 cêntimos por litro para o resto do ano.  

Este desconto será adicionado ao desconto de 30 cêntimos financiado pelo Orçamento do Estado.

– “Aproveitadores de guerra” –

O governo recusou a tributação excepcional dos lucros ligados ao aumento da energia “, lamentou quinta-feira a deputada do PS Valérie Rabault, comparando os lucros da TotalEnergies ” aos 500 milhões concedidos para a redução do preço na bomba “. 

“ Mais do que nunca, o imposto sobre os super lucros deve ser implementado ”, afirmou o deputado LFI Manuel Bompard. 

“ Quando você encher o carro para ir trabalhar ou sair de férias, lembre-se que cada centavo será usado para engordar um acionista e que o Estado não fez nada para congelar os preços. Só uma solução: tributar esses aproveitadores da guerra! ”, disse o comunista Fabien Roussel. 

Por outro lado, o porta-voz do governo Olivier Véran defendeu um desconto ” mais eficaz do que um imposto “. ” O imposto, a hora que a gente levanta, a gente pega e depois a gente distribui para os franceses, a gente fala disso daqui a um ano. Lá, nas próximas semanas, você terá 20 centavos a menos por litro na gasolina “, ele apontou.

Certamente o governo Macron já tem algum projeto de recuperar de volta para a empresa esses centavos oferecidos nos descontos, e plano de socorro à população, nada.

O grupo TotalEnergies, por sua vez, destaca a sua “política de retorno ao acionista ”, com um crescimento de 5% no dividendo e novas recompras de ações no terceiro trimestre, o que automaticamente enriquecerá os acionistas. “Quase US$ 15 bilhões ” poderiam ser pagos aos acionistas este ano, segundo Pouyanné.

Biraj Borkhataria, analista da RBC Capital Markets, classificou os resultados como ” corretos, mas sem fogos de artifício “. A população francesa segue desamparada pelo governo que poderia controlar o preço do barril, segue esfolada pelos impostos e segue espoliada pelos aumentos devido ao imperialismo americano, sua política de preços e seus embargos.

Excluindo os itens excepcionais anunciados na quinta-feira, o lucro líquido ajustado, da “Total Energies”, atingiu 9,8 bilhões de dólares no segundo trimestre, contra 3,5 bilhões de dólares um ano antes. No primeiro semestre, os 18,8 bilhões de dólares de lucro líquido ajustado representam quase três vezes o do primeiro semestre de 2021. Como se percebe, é de interesse da burguesia imperialista manter a guerra bem como os embargos, desde que o povo que paga os impostos continue convencido de que o melhor que tem a fazer é pagar o prejuízo desse conflito iniciado pelo governo americano sob o comando da burguesia industrial e financeira americana.

O Financial Times escreve que a unidade da União Europeia foi abalada e enfrentou um duro teste no contexto da crise econômica causada pelas sanções anti-russas.

“Os líderes da Europa, forçados a lidar com a inflação crescente, uma crise salarial e a perspectiva real de racionamento de energia, estão enfrentando um teste difícil”, escreve o FT.


COTV

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