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Ambíguo e confuso

Entre crises e rachas, qual a realidade do apoio do PSOL a Lula?

Decisão do PSOL escancarou crise no partido e indica que apoio a Lula pode continuar sendo confuso


Neste final de semana, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aprovou em meio à maior crise na história de seu partido, o apoio em primeiro turno à candidatura a presidente de Lula (PT). Durante o congresso, a divisão que tomava conta do partido ficou evidente com a votação em torno do apoio ao ex-presidente. Com o partido rachado ao meio, a ala majoritária do PSOL garantiu por uma margem pequena a vitória sobre as correntes opositoras, que declaravam apoio a Glauber Braga, então pré-candidato pelo partido.

O caso rendeu nota oficial de diversas correntes, sobretudo a declaração da CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores), que afirmou não concordar com a decisão do partido em apoiar Lula, anunciando a entrega de cargos de direção e convocando uma mobilização no interior do partido contra a sua direção, exigindo inclusive uma nova conferência interna para discutir o caso Lula.

A crise no interior do PSOL vem rapidamente se aprofundando com a chegada das eleições. Um setor do partido, ligado à ala majoritária, como representado por Juliano Medeiros, Erundina, Boulos e Ivan Valente, decidiram lançar de maneira oficial o apoio a candidatura do ex-presidente Lula. Este apoio, no entanto, está muito longe de ser uma mobilização real por parte do PSOL em defender Lula nas eleições, mas sim, a dita política “pragmática” de garantir cargos e posições no interior do governo caso ele eventualmente seja eleito.

Por outro lado, as correntes opositoras dentro do PSOL, como MES (Luciana Genro), CST, entre outras, lançaram-se na campanha anti-Lula no interior do partido e decidiram por apoiar o lançamento de uma candidatura própria do PSOL, no caso, com Glauber Braga. Esta crise ficou ainda mais evidente com a decisão da direção do PSOL em formar uma federação partidária com a REDE, um partido que defendeu o golpe de Estado contra o PT em 2016.

Logicamente, que o principal problema para a oposição não é o golpe de Estado, já que tanto a CST como também a ala majoritária adotaram de forma unanime no passado o boicote ao governo Dilma, como também, o apoio a políticas golpistas como o “Não vai ter copa”. No entanto, se utilizando desta política claramente direitista do partido, correntes como a CST se lançaram na campanha contra a direção do PSOL. Agora, com o anúncio da chapa Lula-Alckmin e com o apoio do PSOL em primeiro turno, estas correntes se utilizaram de uma retórica pseudo-esquerdista, afirmando que o PSOL precisaria de uma chapa própria.

Na prática, o que ocorre é que se por um lado a ala supostamente “pró-Lula” do PSOL tem interesse meramente nos cargos que o governo poderia prover ao partido, as alas opositoras são ferozmente contra Lula e o PT. A própria CST organizou em separado seu ato de Primeiro de Maio, se juntando ao PSTU e outros pequenos grupos em nome de uma suposta “independência”, o que significa na realidade, uma ação anti-Lula em primeiro lugar.

É preciso ver com desconfiança a política do PSOL em torno de Lula, mesmo do setor que decidiu apoiar a candidatura de Lula. Até que ponto o PSOL vai apoiar Lula ou ser um sabotador interno de sua candidatura? Como já foi feito no passado, na luta contra o golpe, na prisão do ex-presidente e na luta por sua liberdade. Em todos os períodos, o máximo de apoio que o PSOL providenciou, assim como se dá na crise atual, é sempre uma posição ambígua e muito confusa, que na prática mais atrapalhava a mobilização do que ajudava.

Ou seja, mesmo o apoio dessa ala deve ser visto com certa desconfiança. A outra ala que aceitou se sujeitar à decisão é contra Lula e o PT como Luciana Genro do MES. Esse grupo é a ainda mais suspeito que vai apoiar Lula. No fim, na hora de se pesar a balança em relação ao apoio por parte do PSOL está claro que no mínimo será uma posição extremamente confusa no partido, podendo facilmente se tornar um boicote à candidatura de Lula.

A crise na organização tende a rapidamente se aprofundar. As posições direitistas vinda dos mais variados setores do partido, ligados ao identitarismo e à política do imperialismo, são um foco de crise que tende a assumir grandes proporções. Está claro que a função do PSOL não é impulsionar a candidatura de Lula, mas sim ser um entrave a seu desenvolvimento.

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