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Roberto França

Militante do Partido da Causa Operária. Professor de Geografia da Unila. Redator e colunista do Diário Causa Operária e membro do Blog Internacionalismo.

Contra a política do mal menor

Entre Álvaro Dias e Sérgio Moro não há mal menor

O PT abandonou o estado do Paraná em nome do pragmatismo e da política frente amplista, o que coloca em risco a própria democracia e o futuro governo Lula


Alicate, suposto codinome de Álvaro Dias na Lava-jato, corre a passos largos para permanecer mais oito anos no senado federal, com ajuda indireta do PT. A essa altura das eleições, é notório que a esquerda esteja apostando no voto útil em Álvaro Dias contra Sérgio Moro, como se Moro fosse mais perigoso que Dias. Sérgio Moro não é mais perigoso, mais corrupto, mais pró-imperialista e nem mais oligarca que Álvaro Dias. Muito pelo contrário, Álvaro Dias é muito mais perigoso que Sérgio Moro, pois foi Dias que criou Moro.

Álvaro Dias é um político burguês, de família colonizadora do norte do estado, oligarca, iniciou carreira política em 1968 pelo MDB como vereador de Londrina, e logo foi catapultado à deputado estadual, na sequência como deputado federal, tendo sido reeleito. Sua biografia dá conta que desde que era deputado, na falsa oposição, já empunhava a bandeira dos bancos, o famoso truque da “luta contra a corrupção”.

Com o fim do bipartidarismo assumiu rapidamente o senado, uma recompensa pelos serviços prestados à burguesia brasileira, como um dos nomes lançados pelo PMDB, assumindo cargos em CPI para investigar o terrorismo. Na posição de “homem dos bancos” e confiável aos militares, cumpria o duplo papel de investigador do terrorismo, ao mesmo tempo que estava em suposto partido em favor da democracia.

Com o nome feito junto aos bancos, Álvaro Dias foi eleito governador em 1986, ano que o PMDB, em voto camarão, elegeu quase todos os governadores do País. O Paraná, que vinha em ritmo de desenvolvimento industrial considerável por induções municipais, deu início ao neoliberalismo, com destruição dos serviços públicos e terrorismo estatal, como foi o caso do Massacre do Centro Cívico de 1988, quando soltou a cavalaria contra professores. Dias alega que estava em viagem, mas era o chefe da cavalaria e ponto final.

Após ter ganho mais projeção, agora como tirano, tentou bater Ulysses Guimarães em prévia do PMDB para ser candidato à presidência em 1989. Perdeu e ficou magoado, filiando-se ao PST, depois PP, até chegar ao partido, com aquela cara repuxada, PSDB. Após 10 anos, sem sucesso na constelação de tucanos liderados pelo neoliberal FHC, contentou-se com o senado, sendo eleito em 1998. A mágoa e o poder de 8 anos de mandato cavou a expulsão de Álvaro Dias por abertura de CPI contra FHC, dada a tara por esse tipo de expediente. Após perda de prestígio, retorna ao PSDB ajoelhando-se ao tucanato. 

Depois de ajoelhar no milho, Álvaro Dias não saiu do Senado, sendo agora um dos fomentadores da Lava-jato e foi blindado de todas as investigações se imiscuindo a um aparato burocrático leal, organizado, no sistema judiciário paranaense. Não há dúvidas que Dias é um tirano que não mereceria votos dos petistas, mas está ganhando votos, muitos declarados em redes sociais.

A paranaense Gleisi Hoffmann: pragmatismo e conivência

Gleisi Hoffman já pode ser considerada a pior dirigente da História do PT, superando Rui Falcão. Este não soube enfrentar os ataques da direita, acabou por facilitar o golpe de Estado, não pediu a cabeça de Cardozo, então ministro da justiça do governo Dilma, e que abriu caminho para o Lava-jatismo institucional, por dentro do governo do PT. Um presidente de partido, responsável, colocaria o nome de Cardozo para discutir sua expulsão do PT por traição. Cardozo permitiu todo tipo de devassa pela Polícia Federal ao partido, entregando o País à extrema-direita e ao imperialismo.

Gleisi Hoffman, hoje deputada de fracas articulações e movimentações, se resumiu a permanecer candidata a deputada federal, ela que já foi senadora, cedendo ao pragmatismo e bom-mocismo. Aliás, o próprio PT, cedeu todo País em nome de uma frente amplíssima mais absurda de toda história do partido, fazendo as piores coligações, como no caso de São Paulo, com o PSB, uma filial do PSDB. 

A paranaense Gleisi, presidente do PT, nome muito mais forte e conhecido, assim como toda bancada petista, permitiu que uma candidatura coletiva tivesse o PV como cabeça de chapa, o mesmo PV que já foi partido de Álvaro Dias no Paraná. A federação que o PT se envolveu, doou somente 350 mil reais para Rosane Ferreira, muito pouco diante da maquinaria Dias, o que demonstra a capitulação. Não há campanha, não há comícios, não há defesa de Rosane Ferreira por parte dos petistas, estão claramente utilizando-a como cabeça de ponte para eleger Álvaro Dias.

No Paraná, a movimentação por Rosane Ferreira é pequena, não vemos nenhuma empolgação dos petistas pela candidata, mas vemos muitas declarações em redes sociais em favor de Álvaro Dias. O apoio dos petistas a uma candidatura oligárquica envergonha até os mais rosas dentre os vermelhos. Optam por lotar os comitês de luta de oportunistas a lutar por candidaturas classistas em defesa dos trabalhadores.

De fato o PT lavou as mãos e atualmente militam um pouco mais por Roberto Requião ao governo do Estado, um político oportunista, que demorou por optar pelo PT, depois de muito incenso e puxação de saco. Apesar de oportunista, Roberto Requião ainda tem fachada nacionalista, ao contrário de Álvaro Dias, um entreguista. Isso é claro sintoma de que a base do PT paranaense atualmente é mais neoliberal.

Demonstração disso é que Lula no Paraná tem 35% de acordo com o IPEC, Requião tem 24% e Rosane não passa de 2,5%. Isso demonstra claramente que o PT tem entrado em acordos de prática de cartel eleitoral, ao invés de promover ampla mobilização popular para superar o atraso político e as oligarquias do estado, tão destrutivas e tão daninhas ao País.

Gleisi, Zeca (o da Tchuchuca), Verri, todos os parlamentares e burocratas, não colocam luz na militância para uma organização sólida e eficiente, preferem olhar para São Paulo e ficaram nos calcanhares da política do PSDB. Hoje, o cenário em que Bolsonaro vence no estado do Paraná, demonstra a fraqueza do programa político do partido, que praticamente abandonou o estado. Em Foz do Iguaçu, por exemplo, muitos petistas estão a reboque do prefeito Chico Brasileiro, do PSD, partido do virtual governador reeleito, Ratinho Jr. Trata-se de uma vergonha para a esquerda nacional de conjunto.

Uma análise marxista da política eleitoral do Paraná

Sérgio Moro já demonstrou o quão capacho é do imperialismo, mas é um funcionário raso. Não se sabe ao certo como alguém tão ignorante conseguiu passar em um concurso, mas passou. Era uma pessoa de classe média, deslumbrado, filho de meu ex-professor Dalton Moro, da UEM e Unesp, um professor fraco mas aparente honesto. Portanto, Sérgio Moro é aquele deslumbrado que foi usado pela CIA para arrebentar o País. Já Álvaro Dias foi aquele membro da oligarquia paranaense que supostamente se livrou da Lava-jato, talvez utilizando-se dos caminhos abertos por ele próprio, um soberano paranaense desde 1968.

O que se pode depreender dessa comparação? É que Dias é pior que Moro, mais nocivo e capaz de fazer muitos “morinhos”, capachinhos que podem levá-lo à condição de Alicate. Como Alicate, Dias aperta as estruturas políticas, espreme e gira os parafusos. Evidentemente que Dias é um Alicate nas mãos do imperialismo, mas tem muito mais poder que Sérgio Moro, um oriundo da classe média, alçado a político por uma extrema-direita delirante, e superestimado por petistas como o grande perigo para a humanidade.

Fato é que os dois polarizam os votos e contam com verbas, doações e todo tipo de apoio, inclusive dos petistas, que pensam que Sérgio Moro é o mal menor nas eleições paranaenses. Ambos participam de debates onde não podemos participar, enquanto a candidata da federação petista sequer arranha a imagem dos monarcas, pois não tem apelo popular, não tem apoio do PT e não tem pauta para os trabalhadores, restando aos eleitores que a escolha fique por conta das manobras da imprensa burguesa.

A imprensa antidemocrática do Paraná

Até o momento, foram lançados três debates no estado, o primeiro pela RICMais, do grupo de Edir Macedo. O debate seria o primeiro, mas não fomos contatados por motivos supostamente democráticos, que é a “representação no Congresso”. Deste modo, quem não tem representação não tem direito a ter representação, perpetuando os mesmos partidos no poder. Partidos de esquerda com representação são coniventes com isso.

O próximo debate ao Senado será transmitido pela Band, veículo que reverbera a palavra “democracia” a cada cinco minutos, supostamente atendendo a lei eleitoral, convida Sérgio Moro, até o momento que escrevo, ainda não deferido. Evidentemente que vemos aqui uma manipulação clara em favor das candidaturas burguesas. Dias, até o momento, não confirmou sua ida ao debate, dada a confiança que vem demonstrando nas urnas.

Por fim, o mesmo aconteceu com a Gazeta do Povo. Jornalistas que estão fazendo a minha cobertura são muito solícitos, me dão espaço em entrevistas, mas mesmo após solicitação, a resposta dos editores foi a mesma, que não pode dar espaço a quem não tem “representação”. Isso significa que um partido que defende os trabalhadores mais que os partidos parlamentares, incluso o PT, que não fez muita coisa pelo povo nos últimos quatro anos, sequer conseguiram mobilizar suas bases.

O panorama paranaense segue nas sombras, no Brasil profundo, e nos últimos 18 dias continuaremos com todas as nossas forças, dia 17 na Boca Maldita, em atividade de panfletagem e corpo a corpo com eleitores, mobilizando os trabalhadores a lutar contra a manipulação da imprensa no Paraná e contra a autossabotagem do PT no estado.

Por Lula Presidente, por um governo dos trabalhadores!

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* As opiniões dos colunistas não expressam, necessariamente, as deste Diário.


COTV

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