Dois ex-presidentes da Central Única dos Trabalhadores devem fazer “dobradinha” no comando do Ministério do Trabalho, a partir de 1º de janeiro

O futuro ministro do Trabalho, o deputado federal Luiz Marinho (PT), anunciou que vai nomear o ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Vagner Freitas como secretário-executivo da pasta, o segundo cargo na estrutura do Ministério.
Luiz Marinho, também presidiu a CUT e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e foi prefeito de São Bernardo do Campo. Atual presidente do PT de São Paulo ele também foi ministro da Previdência Social entre 2007 e 2008 e do Trabalho entre 2005 e 2007.

Por sua vez o companheiro Vagner Freitas, presidiu a CUT nos anos da luta contra o golpe de Estado, aonde chegou depois de integrar a diretoria do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região e a Confederação Nacional dos Bancários (CNB), que organizava em nível nacional as campanhas salariais da categoria bancária. Em 2006, junto com toda a diretoria, fundou a CONFRAF/CUT para organizar todo o ramo – bancários, financiários, promotores de vendas, securitários, especialistas em tecnologia da informação, trabalhadores do mercado de capitais e trabalhadores de cooperativas de crédito, entre outras – e presidiu a Confederação entre 2006 e 2009. Na gestão 2006-2009 da CUT, ocupou o cargo de secretário de Política Sindical; na gestão 2009-2012, assumiu a secretaria de Administração e Finanças da CUT; e, em 2012, foi eleito presidente da CUT e, depois, reeleito para gestão 2015-2019. Atualmente ocupa a vice-presidência da Central.
Marinho e Vagner chegam ao comando do Ministério do Trabalho no início do terceiro mandato do presidente Lula em um momento decisivo para a classe trabalhadora e suas organizações de luta que foram o principal sustentáculo da campanha vitoriosa da maioria liderança popular do País depois de ter sido preso por 580 dias e impedido de forma criminosa de participar das eleições de 2018, o que abriu caminho para que Bolsonaro chegasse ao governo.
Desde o golpe de Estado de 2016, os ataques contra a classe trabalhadora não param, fazendo retroceder como nunca as condições de vida de todo o povo trabalhador. Com o apoio de toda a direita golpista, e até mesmo de sindicalistas pelegos de “centrais” sindicais que apoiaram o golpe contra Dilma, como a Força Sindical e a UGT, foram aprovadas as nefastas “reformas” trabalhista e da Previdência, que jogaram na lata do lixo a consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e a criaram enormes obstáculos à aposentadorias.
Os trabalhadores e suas entidades de luta apoiaram Lula, justamente por ser o ;único capaz de derrotar a direita e abrir caminho para colocar baixa estas e outras medidas de retrocesso. Não põe acaso, um das principais reivindicações de centenas de milhares de pessoas que vão à Brasília na posse é a defesa de um “revogaço” que ponha abaixo essas e outras medidas, bem como barre as privatizações, revogue algumas das realizadas (como da Eletrobrás) e adote outras medidas em favor do povo trabalhador.
A próxima etapa, por certo, será um de intensa polarização e mobilização dos trabalhadores em favor dessas e outras reivindicações e há uma expectativa de que a presença de Lula no governo – bem como de elementos a ele vinculados, da CUT, do PT etc. – crie melhores condições para enfrentar as enormes pressão que virão da direita golpista que não tem voto mas tenta pressionar o governo Lula para atender os seus interesses contra os do povo trabalhador.
Em governos anteriores do PT, o Ministério do Trabalho chegou a ser comandado por notórios gângsters do movimento sindical, ligados à Força Sindical. Nos governos golpistas de Temer e Bolsonaro, os cargos foram ocupados por políticos golpistas inimigos dos trabalhadores. A nova composição no governo de Lula mostram um disposição de mudar os rumos em favor dos interesses dos trabalhadores, o que – obviamente – só será possível por meio de uma intensa mobilização dos trabalhadores e de suas organizações na luta por suas reivindicações diante da crise.



