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Denúncia

Demagogia em crise: Magalu vende marcas que usam trabalho escravo

Empresas fornecedoras são denunciadas de utilizar mão de obra escrava para a produção de peças


Foi noticiado pela empresa Reporter Brasil a presença de marcas cuja produção usa trabalho similar à escravidão nos sites de vendas da Magazine Luiza. Segundo a denúncia, os clientes dessa empresa podem ter comprado roupas feitas por pessoas escravizadas entre 2017 e 2021. Interessante salientar que nesse mesmo período, essa mesma empresa fazia grande propaganda de seus cursos de recrutamento exclusivos para minorias negras, indígenas, entre outras. Uma contradição flagrante que só pode ser explicada pela real falsidade da política identitária apenas utilizada para o aumento das vendas.  

Trabalho escravo

As marcas vendidas nos sites em questão são a NaKepe Creações, Cotton Colors Extra, Confecções Anchor, Amissima e Fitwell Confecções.  Elas produziam peças de roupa, em geral femininas, cujo valor variava entre R$65 a R$1.350. Em comparação com esses altos valores de venda, na época dos resgates dos trabalhadores, eles recebiam entre R$4 e R$11,50 por peça costurada. 

Os resgates começaram em novembro de 2017, quando sete imigrantes bolivianos foram encontrados em uma oficina de costura no bairro Catumbi, na capital paulista. Eles trabalhavam para a FitWell Confecções em situação similar a antiga escravidão por dívida. A empresa foi responsável por pagar a passagem dos trabalhadores, que vieram da Bolivia para o Brasil, e a dívida impagável mantinha os trabalhadores em clausura. 

Outras operações conjuntas entre auditores fiscais do Ministério do Trabalho, procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e agentes da Polícia Rodoviária Federal foram responsáveis por encontrar 14 pessoas em situação semelhante em 2018, 22 em 2019, e outras 13 também em 2019. Em geral, as oficinas se localizavam na região têxtil da capital paulista. As empresas foram autuadas por trabalho análogo à escravidão e tráfico internacional de pessoas, após uma denúncia recebida pelo Consulado do Peru no Brasil.

Quem defende os negros agora?

Em 2020 a Magazine Luiza, na voz de Luiza Trajano declarou: 

 “As empresas estão tomando consciência que têm que ter diversidade. Não é nem pelo ideal, é para o negócio delas. O consumidor está exigindo que as empresas tenham um papel mais cidadão.” 

Esse era o início da era identitária da loja online, que passou a fazer cursos “trainee” exclusivos para negros. O resultado foi um contingente de 51,8% dos funcionários se considerarem pretos ou pardos, considerando que 41,5% deles estariam em cargos de direção. A ideia do número seria igualar a porcentagem de negros e pardos da população brasileira, que é 56,1%.

Um desavisado que visse tais números poderia achar um grande feito para a população negra. Essa é a opinião de Gisleine, uma das mulheres negras contradas nessa operação: “Como diz Angela Davis: quando uma mulher preta se movimenta, toda uma estrutura se movimenta com ela. A gente precisa se movimentar para mudarmos a realidade do nosso país. Nós, pessoas negras, somos a maioria, mas não ocupamos a maioria dos espaços”

A realidade das consequencias sociais da Mazine Luiza, contudo, não estaria mais longe de favorecer os negros em geral. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil possui cerca de 200 mil pessoas em situação de trabalho escravo. Número muito menor do que poucos funcionários de uma empresa capitalista poderiam fazer frente. Na realidade, muito longe de pretender enfrentar a situação de pobreza do povo negro, como visto, a Magalu participa ativamente do problema. 

Vale tudo pelo lucro

Além das Magazine Luiza, a empresa Americanas foi citada como vendedora de produtos oriundos do trabalho escravo. Apesar de ambas terem afirmado que as lojas responsáveis pelos anúncios das roupas eram de parceiros comerciais do site, quer dizer, elas não eram vendidas nos anúncios oficiais do marketplace, não é possível eximi-los de culpa. Seguindo a lógica de grandes empresas capitalistas, não há um objetivo moral que se sobreponha aos dividendos. Portanto, o uso de trabalho escravo por parceiros, desde que não afete os lucros, está liberado. Conforme o fato veio à tona, claro, algumas das marcas foram banidas do sistema de vendas. Quantas outras não permanecem, contudo?

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