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Ditadura da burguesia

Caso Monark escancara a ditadura, com apoio da pequena-burguesia

Caso Monark de perseguição a defesa da liberdade de expressão e organização, escancarar a ditadura burguesa, com apoio da pequena-burguesia no Brasil


O apresentador Bruno Aiub, conhecido como “Monark”, foi desligado do Flow Podcast, após defender, no dia 7 de fevereiro, a liberdade de organização e expressão até para nazistas. A declaração aconteceu durante um debate com Kim Kataguiri (DEM-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP) e de imediato as empresas patrocinadoras se manifestaram censurando o apresentador, sendo seguidas por toda a esquerda pequeno burguesa no cancelamento, o que escancarou a ditadura em que vivemos.

A realidade dos fatos

Com a ofensiva da burguesia, como dona dos recursos, resultou no corte do patrocínio por conta de uma opinião que supostamente discorda. No mesmo dia, houve ainda o pronunciamento do procurador-geral da República, Augusto Aras, determinando a apuração das declarações dadas. Um setor mais ativo politicamente e próximo do imperialismo da pequeno-burguesia iniciou uma verdadeira campanha pela esquerda de ataque a Monark por defender um direito.

Esse cancelamento perpetrado pela esquerda deu início a um cenário histérico de caça às bruxas, onde a realidade dos fatos foram distorcidos para justificar a violência e cerceamento contra Monark. Quem como no meu caso, faz uso das redes sociais e integra a burocracia estatal, viu a intelectualidade de esquerda, parte de uma camada mais alta da burocracia estatal entrar num frenesi sugerido pela direita, ignorando qualquer fato ou argumento.

A campanha coloca as declarações do apresentador como apologia ao nazismo, mas é uma visível deturpação das palavras de Monark. Travestindo a posição de defesa de um direito democrático por um liberal, como um espantalho nazista, a burguesia quer justificar o abuso de poder do Estado com o apoio de parte da esquerda.

A colocação de Monark foi a seguinte: “Eu acho que tinha que ter um partido nazista reconhecido pela lei”. Ele ainda argumenta: “As pessoas não têm o direito de serem idiotas? Se o cara quiser ser anti-judeu, eu acho que ele deveria ter o direito de ser”.

O episódio foi uma manobra da burguesia para neutralizar um indivíduo que se colocou pontualmente contra seus interesses imediatos. Fazendo uso de uma tradicional campanha de calúnia, injúria e difamação, assim como tantas outras feitas aos seus adversários. Neste sentido, Lula é o melhor exemplo, no Brasil, toda eleição era dada a largada para uma campanha suja de difamação do mesmo tipo.

As novidades nesta campanha contra Monark são o alvo que desta vez é um elemento liberal e o apoio de toda esquerda pequeno-burguesa. Essa participação massiva da esquerda pequeno-burguesa lastreia os ataques impulsionados pela burguesia aos direitos básicos da população brasileira.

Liberdade de expressão, para o que concordo

O que mais chama atenção na pequena-burguesia é a sua concepção de liberdade de expressão. As pessoas são livres para falarem apenas aquilo que a pequena-burguesia concorda. Há uma verdadeira incompreensão do que seria um direito, uma conquista democrática, assim como das consequências do ataque do Estado à esses direitos para toda a população.

A pequena-burguesia, diferente dos trabalhadores, não sente medo das forças repressivas do Estado. Como classe social a pequena burguesia realizar seus julgamentos políticos sob uma base moral, com emotividade, sem racionalidade ou bases objetivas. Ela acaba por ter a ilusão de uma certa identidade de classe com ele, prevalecendo a desvaneio de que aquele também seria o seu Estado.

Essa identidade vem do caráter burguês, desses setores da esquerda, bem como da inserção da pequeno-burguesia em relevantes patamares da burocracia estatal. Mas a realidade é que, economicamente, essa pequena-burguesia está mais perto do proletariado do que da burguesia.

O estado é burguês, o fascismo está no seu seio

Todo Estado é a imposição de uma classe sobre outra. O Estado brasileiro é uma ditadura burguesa e está subordinado aos interesses do imperialismo, não há uma real democracia. Em nosso dia a dia, uma luta política acontece onde a burguesia impõe seus interesses na medida do possível sobre a classe trabalhadora.

No Brasil já existem partidos e políticos fascistas, muitos descendentes diretos da UDN e ARENA, como o DEM, o PP e outros mais recentes de mesmo caráter como o PSDB, o NOVO e tantos outros. Nesses e em outros partidos burgueses há dezenas de políticos oriundos da ditadura, fascistas que na primeira oportunidade reivindicarão a insígnia.

Também temos no Brasil várias instituições estatais de caráter fascista, STF, SENADO, as Polícias Militar, Civil, Federal e outras que assassinam livremente a população pobre do país sem qualquer cerimônia. Os Ministérios Públicos atacam o Estado de Direito, sem qualquer rogo. Não há exemplo melhor do que a Operação Lava Jato, infligindo inclusive a soberania nacional.

Essa política da burguesia e pequeno-burguesia serve apenas para esconder essa realidade de convívio atual com o fascismo, favorecendo assim os exploradores em sua ditadura. É uma naturalização do cinismo da burguesia que utilizar para seus interesses a política do fascismo e antifascismo, promovendo a ilusão de um mundo ao avesso. Uma população que está confusa quanto a sua situação política, se torna uma população pouco organizada e mais facilmente dobrável.

A burguesia usa a ideologia da vez

A ideologia aparece como uma justificativa para atender uma necessidade, em outras palavras os meios materiais determinam os espirituais. Na esquerda pequena-burguesa que se reivindicar “marxista”, parece esquecer esse ponto básico do materialismo, retirando inclusive a luta de classes como motor histórico.

Um bom exemplo é a ideologia do Talibã, uma ideologia religiosa e rural. Essa foi impulsionada pelo imperialismo para lutar contra a URSS, assumindo um papel contrarrevolucionário naquele momento. Entretanto, essa mesma ideologia apoiada pela população foi a única que se colocou efetivamente contra a dominação imperialista no Afeganistão, resultando na derrota do imperialismo nesse local e num exemplo revolucionário para todos os países oprimidos.

Hoje a burguesia utiliza a ideologia democrática para encobrir suas ações, defendendo efetivamente seus interesses. Mas essa realidade pode mudar quando a burguesia julgar ser mais efetivo um regime fascista, ela financiará esse, como já o fez diversas vezes no Brasil e no restante do mundo. 

Não podemos esquecer que no passado próximo, o fascismo já levantou a cabeça no Brasil. Quando a burguesia iniciou as campanhas do Mensalão e Lava Jato, ela utilizou grupos e instituições fascistas para atacar o governo do PT e colocar a classe trabalhadora na defensiva. 

De toda a esquerda, a única organização que saiu contra o ataque da direita, enfrentado inclusive fisicamente seus membros foi o PCO. Essa esquerda pequeno-burguesa que hoje histericamente diz “tacar fogo nos fascistas” se escondeu no conforto de suas casas na primeira aparição fascista.

Mas afinal, essa ideologia da burguesia corresponde à realidade?

A ideologia posta pela burguesia e defendida pelo setor mais civilizado da pequena-burguesia tem sua base num abastardamento do chamado Paradoxo da tolerância, teoria do filósofo Karl Popper. Nesse ponto a campanha de perseguição da burguesia, seguida histericamente pela pequeno-burguesia consegue ir muito mais a direita que o próprio Popper, que era um elemento 

O “paradoxo da tolerância” coloca basicamente que a tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. No entanto, o próprio Popper concluiu que devemos enfrentar a intolerância com argumentos racionais. Popper é claro ao afirmar que não devemos suprimir indiscriminadamente as filosofias diferentes, classificando essa prática como imprudente.

“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles. —Nessa formulação, não insinuo, por exemplo, que devamos sempre suprimir a expressão de filosofias intolerantes; desde que possamos combatê-las com argumentos racionais e mantê-las em xeque frente à opinião pública, suprimi-las seria, certamente, imprudente. Mas devemos-nos reservar o direito de suprimi-las, se necessário, mesmo que pela força; pode ser que eles não estejam preparados para nos encontrar nos níveis dos argumentos racionais, ao começar por criticar todos os argumentos e proibindo seus seguidores de ouvir argumentos racionais, porque são enganadores, e ensiná-los a responder aos argumentos com punhos ou pistolas. Devemos-nos, então, reservar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante. Devemos exigir que qualquer movimento que pregue a intolerância fique fora da lei e que qualquer incitação à intolerância e perseguição seja considerada criminosa, da mesma forma que no caso de incitação ao homicídio, sequestro ou tráfico de escravos”

Esses debates sem aspectos concretos torna-se confusos e ambíguos, quase escolásticos, nesse caso foi necessário outro filósofo, o John Rawls, para dizer o óbvio. Em seu livro Theory of Justice, Rawls afirma que uma sociedade justa deve tolerar o intolerante, caso contrário, a sociedade seria então ela própria intolerante, e, portanto, injusta.

Novamente, o jogo de ideias separado de seu objeto concreto, cria dissonâncias utilizadas conforme os interesses da burguesia. Principalmente na política não podemos analisar aspectos da sociedade em separado da luta de classe, sob ônus de recair sobre tamanho erro.

Repetindo: o Estado brasileiro é burguês, uma ditadura da burguesia sobre as demais classes. Dar mais poder a esse Estado, é dar mais poder à burguesia. Nesse caso específico, se o Estado ditar quem pode se manifestar e se organizar, será um agente da própria burguesia que fará essa escolha.

*A opinião dos colunistas não representam, necessariamente, a posição deste Diário

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