Pouco antes da Copa do Mundo começar, foi divulgado na imprensa que a Ambev, empresa do bilionário João Paulo Lemann, utilizará seus espaços de propaganda na televisão para promover suas ações feitas por pessoas negras, sendo essa mais uma forma de demagogia.
Não é difícil perceber, portanto, a realidade demagoga da situação, pois a notícia de que a Ambev realizaria tais inserções na TV Globo foi noticiada de forma entusiasmada pela Revista Veja. Como se não bastasse a propaganda da TV golpista advir de uma empresa cujo dono também é golpista, uma das primeiras revistas a enaltecer o golpe fez a sua parte para sanar as dúvidas do caráter dessa propaganda.
Segundo o diretor de Sustentabilidade da Ambev, o que é outra demagogia, a ação “Novembro Preto é uma forma de valorizar nossos parceiros, falar de Consciência Negra, ainda mais neste momento de grande audiência”. Ou seja, não visam o lucro, apenas mostrar como os parceiros da empresa e sua consciência são positivas. O discurso lindo, mas, assim como visto na Fundação Lemann, a proposta divulgada pela empresa não condiz com as ações da mesma.
A fundação que carrega o sobrenome do dono da Ambev serve para, em teoria, formar novas lideranças para construir um Brasil melhor. Quando analisamos mais a fundo, porém, percebemos semelhanças entre tais lideranças que nos fazem desconfiar da verdadeira proposta. Em 2016, João Paulo falava para um grupo de jovens que eram seus pupilos sobre a importância de participarem do poder público, dentre eles Tabata Amaral (PSB, Ferreirinha (PSB), Felipe Rigoni (PSB), Daniel José (NOVO) e Tiago Mitraud (NOVO). À época, Tabata se travestia um pouco mais de esquerda, pelo menos para a imprensa, usando a sigla do PDT, mas atualmente já abraça Márcio França e Geraldo Alckmin; golpistas que nasceram, cresceram e morrerão sendo do PSDB.
Apesar da imprensa capitalista destacar uma pluralidade de visões dos candidatos do Lemann, tentando mostrá-lo como uma pessoa apartidária e apenas boa, essas diferenças são pequenas quando temos em mente as semelhanças que atacam a classe trabalhadora e, consequentemente, o povo negro. Independente do discurso, todos votam sistematicamente contra os direitos dos trabalhadores, aprovando reformas e barrando gastos com a população. Em 2015 e 2016, Lemann financiou movimentos como o “Vem Pra Rua”, que de espontâneos nada tinham e seu cunho era unicamente golpista. Seus candidatos, portanto, são farinha do mesmo saco, mas com um tempero que os fazem ficar mais palatáveis para parte da população e, sobretudo, para a imprensa burguesa. É comum vermos a burguesia enaltecendo Tabata Amaral e colocando-na em um espectro à esquerda – o que, claramente, não condiz com a realidade.
Assim como Tabata, os outros deputados e candidatos de Lemann afirmam serem grandes democratas, mesmo tendo agido nas linhas de frente dos movimentos que pediam a derrubada da presidenta reeleita Dilma Rousseff. Para eles, essa indignação contra o governo de Dilma foi o auge da demonstração de participação política que a juventude brasileira teve no século XXI. Do golpe para cá, o que esses grandes democratas financiados pela empresa que realiza uma campanha milionária mostrando ações realizadas pelo povo negro não irão te contar é como está a realidade do povo negro de 2016 para 2022, nesses 6 anos em que o país viveu sob um golpe de Estado.
Assim como de toda a classe trabalhadora, a vida da população preta, nas cidades e nas favelas, não obteve nenhum avanço. A maior inimiga dos negros, a polícia, segue matando nas periferias e perseguindo os negros, desta vez com maior respaldo governamental já que, os presidentes ilegítimos que sucederam o golpe, estavam ao lado da repressão policial.
O golpe de Estado, apoiado pelos deputados de Lemann e financiado pelo próprio empresário, dificultou a vida de toda uma classe, fazendo com que os que trabalham no país e sustentam os parasitas nas costas fossem cada vez mais apertados pelos tentáculos da burguesia que os sufocam. O suor dos negros, alvo da demagogia da Ambev, não está no alto da sua empresa fazendo boas ações para o mundo, como tentam emplacar na imprensa capitalista, mas sim na base, sustentando os vermes que, do alto do seu castelo, investem bilhões para lucrar em cima do sangue dos trabalhadores.




