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Espanha

Adeus prematuro ao passaporte covid?

O passaporte covid fracassa diante da ómicron, as Comunidades Autônomas que o utilizam sofrem a mesma incidência que as restantes e são obrigadas a recuar.


─ Claudio Martini, Barcelona ─ A Espanha está dividida em 17 Comunidades Autônomas que seriam o equivalente aos governos estaduais no Brasil, destes somente Galícia, Valência, La Rioja, e Aragão mantém a obrigatoriedade do passaporte covid, sendo que neste último é exigido apenas para os hospitais e asilos. O passaporte covid foi aprovado em outubro para acesso a locais de diversão noturna, e no início de dezembro foi estendido para entrar em bares e restaurantes, academias e lares de idosos. 

“Você pode me mostrar o passaporte covid, por favor?” A pergunta foi repetida inúmeras vezes em estabelecimentos de até doze comunidades autônomas em janeiro, porém a incidência de contágios não respeitou a nova normativa. Navarra, País Vasco e Aragão foram as comunidades mais atingidas mesmo com a obrigatoriedade do passaporte. 

Na Catalunha onde os protestos se intensificaram, chegando a 3.000 pessoas em Barcelona, o governo decidiu eliminar esta obrigatoriedade. Nofinal de janeiro o Departamento de Saúde pediu ao Comitê Consultivo Científico da Generalitat para avaliar a medida, e finalmente decidiu determinar a sua ineficácia.

“A variante ômicron demonstrou ter escape imunológico, portanto diminuição da prevenção de infecção, em comparação com a variante delta, conforme descrito no documento do Comitê [consultivo]. Dessa forma, uma parte significativa da população volta a ser suscetível a ser infectada pelo vírus, independentemente de sua situação vacinal ou de ter tido a doença”.

Segundo a imprensa, o grande erro foi a comunicação. Quando foi implementado, há menos de dois meses, vendia-se a ideia de que era a arma essencial e definitiva para travar o vírus. “Qualidades mágicas foram atribuídas a ele, quando era apenas mais uma ferramenta. Serviu para limitar os danos, mas, sobretudo, para estimular a vacinação.”  

Nenhuma palavra foi dita sobre a inconstitucionalidade da medida ou sobre o ataque que representa contra os direitos fundamentais da população. Contraditoriamente, o aumento da vacinação entre as pessoas levadas a se vacinar contra a sua vontade foi amplamente comemorada pelas autoridades, ao mesmo tempo, se lamentou uma suposta vitória dos “negacionistas” e da extrema-direita.

A obrigatoriedade do passaporte covid na Espanha também originou um novo categoria de delinquência, até o momento foram descobertos cerca de 2200 passaportes falsificados com inscrições fraudulentas no Registro de Vacinação do COVID — 19, envolvendo atletas de elite, celebridades, atores, empresários e criminosos.

O passaporte como documento pode fornecer, em algumas ocasiões, a falsa segurança administrativa de que a pessoa está vacinada e de que não é contagiosa. Mas não fornece a certeza sobre seu status de contágio e sua capacidade de disseminação.  O passaporte não garante que seu portador não possa ser portador ou transmissor do vírus porque a vacinação não protege contra infecção ou contágio, além disso, nos casos em que uma pessoa testar positivo em um teste de autodiagnóstico, o certificado covid não será atualizado se as autoridades de saúde não forem notificadas.

Uma lição básica da gestão de risco em situações de pandemia é que todo o possível deve ser feito para que a população tenha confiança nas autoridades de saúde. Para isso, as medidas devem ser claras e explicadas com clareza, com seus pontos fortes e fracos.

Em situações de crise, o pânico ou a desconfiança tornam a situação mais complexa. Na era atual, o pânico e a desconfiança são ampliados pelo impacto das redes sociais e informações sensacionalistas dos governos e da mídia.

A experiência histórica indica que educação, informação e responsabilidade são armas mais eficientes que propaganda, boatos conspiratórios e imposição arbitrária no controle de epidemias.

Nesse sentido, é importante comunicar de forma clara à sociedade que a atual vacinação contra a covid-19 é essencial para prevenir o agravamento individual da doença e que essa proteção individual contra a doença tem grande importância social pela redução do número de casos muito graves que ajudarão a aliviar a pressão sobre o sistema de saúde pública. 

É perfeitamente possível ser um defensor ferrenho da vacinação enquanto se opõe à imposição abrangente de vacinas ou passaportes de vacinação. A realidade social é muito mais complexa do que uma série de simples dicotomias.

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