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Absurdas exigências ou pretextos do PSOL para não apoiar Lula

O PSOL repete a política de setores da esquerda burguesa, como o PSB, que condicionam o apoio a Lula ao atendimento de seus interesses, sob o disfarce de exigências programáticas


Depois de anunciar, no final de setembro passado, após a realização do seu Congresso Nacional que esperavam “óbvio, generosidade dos partidos para reconhecer o papel importante que o Guilherme Boulos tem cumprido“, nas palavras do seu presidente, Juliano Medeiros, para “embelezar” a frustrada tentativa de chantagear o Partido dos Trabalhadores a apoiar seu candidato em troca de um possível apoio à Lula – que não foi aprovado em seu Congresso, e de no mesmo tempo anunciar que suas “negociações” se estendiam a outros partidos, ao afirmar que: “Boulos tem mantido diálogos muito produtivos com outros partidos do campo progressista que têm alguma resistência em apoiar uma candidatura do PT“, a direção do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), agora, anuncia – em uma nova manobra – que se “decidiu pela abertura de negociações com o PT e demais partidos de esquerda”.

Eixos e comissão

Para requentar a mesma política, e dar a aparência de uma novidade, em um novo ato simbólico, tão a gosto da esquerda identitária, os psolistas anunciaram que aprovaram “pontos programáticos para construção da unidade das esquerdas nas eleições de 2022“.

O anúncio foi feito após a reunião da sua Executiva Nacional do partido, no último dia 11, na qual se indicou, inclusive, uma comissão do Partido para negociar a possível adesão à única candidatura da esquerda com condições de derrotar Bolsonaro e toda a direita, a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, formada pelo próprio Medeiros, além da deputada federal Talíria Petrone e Guilherme Boulos.

Para tirar proveito político da decisão de caráter claramente provisório – que não conta com ampla maioria no partido – a direção psolista anunciou um ato, para as câmeras da TV, em Brasília, e contará com coletiva de imprensa e presença dos presidentes de partidos, e divulgou um conjunto de exigências em torno de “três principais itens programáticos aprovados para basear as negociações com o PT e apoio à candidatura de Lula”, dentre elas a revogação das medidas implementadas após o golpe de 2016 (reforma trabalhista, reforma da previdência e Teto de Gastos); o enfrentamento à crise climática com medidas para financiar a transição energética, defesa de um novo modelo de desenvolvimento da Amazônia, desmatamento zero, garantia de direitos aos povos indígenas, tradicionais e quilombolas; e a proposição de uma reforma tributária que diminua a taxação no consumo de bens essenciais e populares e foque na taxação de renda e propriedade, incluindo a criação de impostos dos super-ricos/bilionários“, segundo divulgado no site do Partido.

Que as “questões programáticas” não são, e nunca foram, o centro da atividade política do PSOL, basta ver as articulações política do partido, por exemplo, neste momento em torno da conformação de uma federação com o Rede, partido da ultra golpista, Marina Silva. A própria direção do PSOL reconhece isso quando anuncia que “não abdica de ter, no âmbito da federação, uma definição comum sobre a eleição presidencial, preservando a soberana prerrogativa de cada partido para tomar definições complementares na orientação a seus filiados“, indicando que para apoiar lula haverá condições, mas para se juntar a um partido golpista na federação que preserve interesses eleitorais, valerá de tudo. O que ficou validado, inclusive, no próprio congresso do PSOL, onde se chegou a um acordo de não decidir pelo apoio a Lula e permitir que setores do partido lancem um pré-candidato, justamente para fazer campanha contra a unidade da esquerda em torno da candidatura do ex-presidente.

Também não fica claros quais são os princípios e as exigências no diálogo afetuoso que os psolistas mantêm com o PDT, de Ciro Gomes; partido que – dentre outras proezas reacionárias deu votos necessários para aprovar a PEC dos precatórios ou a PEC da reeleição de Bolsonaro, como ficou conhecida, em primeiro turno na Câmara, ajudou a aprovar a privatização da água, teve seu líder comemorando a prisão de Lula (Lula tá preso babaca!) etc. etc.

Também não foi por princípios políticos – ao menos não socialistas ou revolucionários – que os psolistas defenderam a presença de grupos e partidos de direitas nos atos convocados pela esquerda pelo Fora Bolsonaro e que um dos líderes do partido, Guilherme Boulos, anunciou que é assalariado de instituição dirigida por elementos da direita como o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência de Temer, Sérgio Etchegoyen, e o ex-diretor da Polícia Federal no governo Temer, Leandro Daielo, entre outras figuras de proa do golpe de Estado.

Uma política semelhante à do PSB

A manobra eleitoral e oportunista da direção do PSOL, pressionada pelo imenso apoio que têm a candidatura Lula, inclusive entre os setores de base que apoiam o PSOL, em tudo se assemelha às manobras de setores da burguesia que encenam um apoio a Lula, que na maioria dos casos tende a não se concretizar. Querem desfrutar do prestígio eleitoral de Lula, buscar controlar sua candidatura, que vem apresentando posicionamentos bem mais combativos do que a política de recorrer às instituições da burguesia como o STF e a Comissão de Ética da Câmara, em 90% dos problemas que encara, semeando uma fé cega nas instituições do regime.

Da nossa parte, não impomos condições, não pedimos nada para apoiar Lula, cuja candidatura deve ser apoiada, de forma incondicional (mesmo que o apoio possa se dar com críticas, e até muitas críticas, como em nosso caso), porque ela é a única que representa a luta a classe trabalhadora diante do golpe, capaz de mobilizar milhões de pessoas em todo o País, pela derrota de Bolsonaro e de todos os golpistas. Tudo mais, é firula e uma política de tirar vantagens – no menor dos casos – e que prepara (como se vê no caso explícito do PSB) uma aberta traição e um apoio -como em outras oportunidades – armações da direita que virão (e já se intensificam) contra Lula e toda a esquerda.

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