Nós, trabalhadores, sabemos o quanto é difícil sobreviver com os salários de fome que os patrões nos pagam. A cada dia, o governo e a classe patronal inventam novas fórmulas de nos explorar, arrochando o salário ao máximo que podem.
Como se isso não bastasse, as condições de trabalho dos trabalhadores são cada vez piores: não temos segurança nenhuma (principalmente nas empresas privadas), nosso horário é desrespeitado sistematicamente, o transporte é caro e de péssima qualidade.
Os últimos seis anos demonstraram, como em nenhuma época na história do País, a disjuntiva a que o capitalismo conduz toda as sociedades: OU OS EXPLORADOS EXPROPRIAM OS EXPLORADORES, OU OS EXPLORADORES EXPROPRIAM OS EXPLORADOS.
O fracasso precoce do governo Bolsonaro, que não conseguiu se reeleger, demonstra que as alternativas burguesas se esgotam cada vez mais rapidamente, um sintoma agudo das profundas tendências ao agravamento da crise social, econômica e política.
A derrota do governo não se deve, portanto, apenas a fatores econômicos individuais, mas sim da gravidade das contradições sociais que se estruturam sobre a base da falência do capitalismo. O plano econômico do governo sucumbiu devido à violenta oposição dos interesses das classes sociais, da pressão conjunta de setores da burguesia em torno do problema da divisão do butim frente à crise, e das massas em torno da questão salarial e do desemprego.
Diante de um novo governo, eleito sob a base de um número gigantesco de votos (o presidente Lula bateu o próprio recorde de votos em 2006, chegando a 60 milhões de votos em 2022), há uma necessidade premente da implantação de uma política classista.
Apesar da crescente disposição de luta dos trabalhadores no último período, marcada por greves em várias partes do País, a falta de uma política combativa que canalizasse o descontentamento e as greves isoladas para um movimento coeso e unificado, responde às recentes derrotas sofridas pelos trabalhadores que, em determinados momentos, chegaram a atropelar suas direções. As direções insistiram em priorizar as vias oficiais, legalistas e parlamentares, em detrimento das vias favoráveis aos trabalhadores: suas efetivas organizações e seus potenciais poderes de mobilização. As lideranças sindicais vacilaram durante todo o governo Bolsonaro, bloqueando a ofensiva dos trabalhadores à política de arrocho do governo. Naquele quadro, o governo Bolsonaro sustentou-se mais pela política de colaboração de classes e imobilismo dessas direções, que pelas suas próprias forças política e econômica burguesa.
Na atual situação, com um novo governo apoiado pelos setores fundamentais da classe trabalhadora e suas organizações, com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Sem Terra (MST), dentre outros, é preciso uma verdadeira unificação dos trabalhadores, a única linguagem para derrotar os patrões, na luta pela suas reais necessidades: salário, trabalho e terra.



