Diante da crise

A sempre presente ameaça de golpe

Direita coloca cada vez mais em sua pauta a preparação da terceira etapa do golpe, tendo entre suas alternativas o golpe militar e outras armações contra o povo

pig free reproduction

Sob o titulo de “O ‘capitólio’ de Bolsonaro“, e sob o alerta de que “a turbulência está só começando; apertemos os cintos“,  a jornalista Cristina Serra, publicou artigo na Folha de São Paulo, no último dia 11, no qual busca reforçar uma série de questões que são apresentados como um “senso comum” entre vários setores da burguesia golpista, como também entre setores da esquerda.

Segundo Serra, Bolsonaro teria mostrado, nos últimos dias, “como será sua campanha à reeleição. Dá para identificar três eixos muito bem coordenados”,  os quais são apresentados pela colunista.

O primeiro deles seria “o discurso e a produção de símbolos para arregimentação de suas bases”.

Nesse quesito, Serra, destaca o uso da imagem de Bolsonaro em um clube de tiro e os palavrões; os ataques que ela considera “golpistas” ao sistema eletrônico de votação e ao que Bolsonaro considera a “ditadura das canetas”, referindo ao STF. Acrescenta nesse mesmo balaio, as “ameaças explícitas, como a que foi feita por Eduardo Bolsonaro: “(…) a gente vai dar um golpe que a gente vai acabar com o Lula”. Que ela identifica como “apitos para mobilizar os cães de guerra”.

Repete a campanha da imprensa e dos partidos tradicionais da direita, todos golpistas, que não viram nenhum “apito” ou “grunhido” dos militares, por exemplo, quando esses e “seus cães da direita” pressionaram no sentido de que o reacionário Congresso Nacional aprovasse o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, sem nenhum crime, e que também fizeram vistas grossas às ameaças do general Heleno ou de outros, de golpe militar, no caso de que o STF tivesse concedido o devido habeas corpus ao ex-presidente Lula, quando este encontrava-se ilegalmente preso, justamente para que se operasse o golpe da eleição fraudulenta de Bolsonaro.

Um segundo eixo de Bolsonaro seria, segundo a jornalista, “inundar a sociedade com mais armamento e munição”, como se pode notar na proposta de “anistia” para quem tem armas em situação irregular. É o anabolizante que vem apascentando (não apenas) milícias e facções bolsonaristas.

Aqui, repete-se os argumentos dos supostos “pacifistas” da direita e até da esquerda, de que Bolsonaro (com apoio real e explícito de toda a direita que tem maioria no Congresso Nacional) está impondo medidas que servem não para armar a “sociedade”, o que seria um medida democrática, uma vez que estamos em uma guerra (das forças de repressão da burguesia versus o povo pobre, de maioria negra e trabalhador) na qual apenas um dos lados está armado; enquanto o outro não tem a menor possibilidade de se defender.

Seu governo e toda a burguesia estão promovendo, e já há muito tempo, uma política de intensificação da repressão e de fortalecimento do aparato repressivo, pelas mais variadas formas. Veja-se, entre outros, o caso do governo do “democrático” tucano João Doria que acaba de propor um reajuste de 20% para as foças de repressão, enquanto concede a metade para a maioria das carreiras do funcionalismo (há ano com os salário congelados) e tenta aplicar o golpe nos professores de que só terão reajustes se passarem a receber na forma de subsídios, abrindo mão de direitos trabalhistas e conquistas de anos de luta.

Como último aspecto tenebroso ela aponta a “engrenagem digital do ódio”, que seria “operada de dentro do governo”, segundo ela.

Aqui temos a cantilena do PIG (Partido da Imprensa Golpista) e da direita tradicional (e uma vez mais da esquerda que os seguem) de que Bolsonaro teria não só inventado o uso de mentiras para campanhas eleitorais e que a suposta liberdade na internet seria a responsável pelo “império da mentira”, “fake news”, “campanha de ódio”. etc.  Nos monopólios da imprensa golpista, como a Folha, Globo, Estadão etc., que apoiaram a ditadura, o golpe de 2016, a prisão de Lula, os ataques que levaram o pais ao maior retrocesso de sua história etc. teríamos a retratação da verdade, a informação pura e cristalina, sem manipulações. Acreditar nisso, seria o equivalente para um adulto a continuar acreditando na existência de papai Noel, cegonha e outras fantasias.

Para Cristina Serra, a turbulência viria do fato de esses eixos “convergem para promover a violência em escala individual e coletiva, num ciclo multiplicador e permanente de tensões sociais”, o que seria “o terreno onde grassaram o nazismo e o fascismo”, o que ela usa como gancho para endossar,  a perseguição, censura e cassação dos direitos democráticos de todo o povo em nome do ilusório “combate ao nazismo”, impulsionado ou apoiado por seus patrões golpistas da Folha e de todo o PIG, liderado pela Rede Globo, ao qual se juntaram notórios “democratas” como ex-secretário de segurança pública dos genocidas governos do PSDB em São Paulo, indicado para o STF pelo ex-presidente golpista, Michel Temer, e até mesmo pelos Bolsonaro que não só apoiaram a “luta contra o nazismo” como aproveitaram para fazer campanha pelo projeto de Lei do filho deputado federal, Eduardo, que prevê a criminalização do comunismo.

Serra procura apresentar que os fascistas que comandam o Palácio do Planalto são defensores da onda supostamente nazista. Mas o que ocorre é justamente ao contrário, eles são aliados dos “democratas” da Folha e Cia., que apoiaram o golpe, a prisão de Lula, a destruição da economia brasileira em favor do imperialismo, a eleição de Bolsonaro (para derrotar o perigo da esquerda).

Ela alerta para o perigo de uma onda reacionária, mas aponta apenas para um dos lados de onde essa onda tenta se levantar e que, nesse momento, tem menor iniciativa. Conscientemente ou não, age para ocultar os preparativos golpistas dos verdadeiros donos do golpe de Estado de 2016 e que buscam – ainda sem sucesso, mas várias ações em gestação preparar a terceira etapa do golpe, sem Bolsonaro (se possível) ou com ele, mais uma vez, caso julguem necessário.

É como no caso do famoso e popular golpe do “pega ladrão”; quando uma ou mais pessoas interessadas em surrupiar alguém em meio ao povo, procura chamar atenção para um imaginário assaltante em fuga, enquanto outro (s) lhe subtrai a carteira.

Serra procura chamar a atenção para o “perigoso Bolsonaro”, que apesar dos serviços prestados aos tubarões capitalistas na expropriação do povo, repressão, destruição, mortes, entrega da economia etc., já foi classificado como incompetente e impotente por vários setores da burguesia por não ter conseguido impor um conjunto de outras medidas contra o povo, como no caso da comparação com o governo FHC que conseguiu privatizar 100 vezes mais que o atual governo.

Como muitos,  a colunista procura chamar a atenção de que “Bolsonaro age com desenvoltura no pântano e é assim que ele imagina enfrentar Lula, chegar ao segundo turno e vencer. Se não der certo, restará o delírio de insuflar algo semelhante ao “capitólio” de Trump, nos EUA”, procurando emitir o que seria um sinal de alerta de Bolsonaro poderia tentar repetir o ex-presidente dos EUA, que foi derrotado, justamente pelos setores mais poderosos do imperialismo norte-americano que apoiaram Joe Biden, não para defender uma inexistente democracia e o bem estar do povo norte-americano, mas seus próprios interesses.  Com o que tenta ocultar que embora seja real que a extrema direita liderada por Bolsonaro possa almejar o golpe, ele não será possível (como não foi em 2018) sem o beneplácito dos setores que querem dar o golpe, não só em Bolsonaro, como em Lula e em todo o povo brasileiro, os grandes capitalistas nacionais e internacionais que sonham com a possibilidade de emplacar um “Joe Biden” tupiniquim (seja qual for a forma que ele assuma) para tentar impedir uma derrota do regime golpista, ou seja, para derrotar Lula e todo o povo brasileiro.

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