Uma situação defensiva

A Rússia de Putin não tem nada a ver com o Império Russo e a URSS

Mesmo se quisesse, a Rússia não teria a mínima chance de dominar o mundo. No momento, ela precisa lutar pela sua própria sobrevivência.

Diferente do que diz a imprensa burguesa, Putin não quer dominar o mundo com suas aspirações maléficas e exércitos imperialistas, muito menos tem condições de reconstruir a URSS ou o Império Russo. Trata-se do exato oposto. A Rússia nunca esteve tão frágil quanto hoje, e está em uma luta para garantir sua sobrevivência contra a incessante ofensiva do verdadeiro imperialismo. 

Os principais meios de comunicação da burguesia, aliados a setores da esquerda, realizam uma campanha criminosa de calúnias à luta da Rússia contra o imperialismo. Agora, de um dia para o outro, a Rússia se tornou uma grande potência mundial, e como na época das colônias, ela invadiu a Ucrânia para brigar por áreas de influência e expansão territorial. A farsa é profunda e cabe a todos que se dizem de esquerda combatê-la incessantemente.

Pois bem, mesmo se a Rússia fosse um dos países imperialistas, o imperialismo já domina o mundo todo, não existe mais nenhuma briga por áreas de influência. Na realidade, a política do imperialismo hoje é de manter sob controle o mundo que ele já conquistou. Anexar ou ocupar algum País é uma operação complexa e no geral não é mais de interesse dos grandes dominadores do mundo.

Entretanto, a Rússia não é e nunca foi imperialista. Trata-se de um País exportador de matéria prima, como qualquer outro País atrasado. O tamanho, e a força bélica não se comparam a dominação econômica de um País imperialista. A Rússia também não é e não tem nenhuma capacidade para voltar a ser o antigo Império Russo ou a União Soviética. Ao fazer uma comparação destas três fases históricas da Rússia, a conclusão mais óbvia seria que hoje a Rússia é muito mais fraca.

O Império Russo de fato tinha aspirações à expansão. Na primeira Guerra Mundial, assim que aconteceu a Revolução de Outubro os bolcheviques publicaram todos os tratados secretos do governo, nos quais se encontrava uma política para entrega de zonas territoriais importantes para a Rússia, principalmente da Turquia. Entretanto, o Império Russo nunca chegou aos pés dos Ingleses e Franceses, e nunca alimentaram a ideia de tentar dominar a Ucrânia. Na época, a Rússia teria muito mais condições de se defender do que tem hoje.

Finalmente, o Império Russo sucumbiu em uma revolução, e mesmo a URSS tendo uma estrutura política muito mais poderosa do que a Rússia tem hoje, também nunca chegou aos pés de qualquer potência imperialista. Nesta época, também, o imperialismo não buscava ocupar e dominar a Ucrânia, os únicos que tentaram foram os Alemães, que logo foram expulsos dali. A Rússia, mesmo mais fraca que em seu período imperial, ainda teria muito mais condições de se defender do que tem hoje.

Hoje, a Rússia está extremamente enfraquecida, perdeu vários territórios com o fim da URSS e está sob uma enorme investida do imperialismo. É a primeira vez em que a política do imperialismo é tão radical na Ucrânia, já são mais de bilhões de dólares em armamentos para ameaçar os Russos. Agora os Russos não têm o Império anterior e nem a estrutura política da URSS e nem vão voltar a ter. Trata-se do momento de maior fragilidade da Rússia. 

Os russos estão respondendo a uma iniciativa muito agressiva do imperialismo na Ucrânia e em volta da Rússia, é uma ação para reverter uma situação muito complicada. Não se trata de uma invasão com objetivo de ocupação. Putin resolveu intervir pois percebeu que quando o governo Zelensky aprovou a ideia de entrar na OTAN ele precisava reagir. Se ele não agisse agora, provavelmente a Rússia precisaria entrar em guerra contra a OTAN. É uma medida extremamente audaciosa, perigosa e cheia de problemas, mas é puramente defensiva. 

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