Os atos deste dia 18 de agosto devem ser uma expressão da tendência de lutas dos trabalhadores, em detrimento de toda a série de boicotes realizados por setores da esquerda pequeno-burguesa. A tendência à radicalização da luta dos trabalhadores é algo que ficou patente com o tamanho das mobilizações pelo Fora Bolsonaro, as quais ocorreram quase que espontaneamente. Enquanto a esquerda chamava atos pró-forma, para fugir da desmoralização que era o fato de o PCO ser o único partido a convocar manifestações até o 1° de maio deste ano, os estudantes e os trabalhadores demonstraram uma intenção real de travar uma luta nas ruas pela queda do governo golpista.
Essa contradição presente nas manifestações ocasionou as diversas manobras por parte da esquerda no sentido de tentar aproveitar as mobilizações para satisfazer os seus interesses de colaboração com a direita. As incursões do verde-amarelo e do bloco do PSDB nas manifestações foram fatores que, por um lado, mostraram a tentativa de estelionato político por parte da esquerda e, por outro, mostraram a real disposição dos manifestantes: tanto o verde-amarelo quanto o PSDB foram combatidos nos atos a ponto de serem praticamente erradicados das manifestações.
Esse fato é um elemento de vitória para o movimento popular, mas está sendo utilizado pela esquerda pequeno-burguesa como o motivo para acabar com as manifestações. Está aí a causa do boicote aos atos do dia 18, os quais foram ignorados pela maior parte da esquerda.
O caráter direitista de certas parcelas da esquerda, contudo, não deve ser determinante para o desenvolvimento da luta popular. Essa luta deve se dar de maneira independente dos setores ligados à burguesia e defensores da política burguesa. Por isso, o Partido da Causa Operária e outros setores combativos da esquerda, junto à massa de trabalhadores e estudantes, estará presente nas manifestações desta quarta-feira.
Esses devem ser atos de luta como foi o 1° de maio realizado pelo Partido da Causa Operária: mesmo com a maioria da esquerda contrária à saída às ruas, o movimento se impôs pela ação dos setores mais combativos. É dessa maneira que os militantes da causa dos trabalhadores devem chamar às ruas todos os companheiros das fábricas, das escolas e das universidades. É preciso, neste sentido, de uma ampla convocação realizada de forma militante.
O movimento do Fora Bolsonaro é algo que só pode se desenvolver nas ruas. Deve ser a expressão do processo de mobilização concreto da população, o qual implique em uma mudança na correlação de forças no Brasil em favor da esquerda e da candidatura do ex-presidente Lula.





