O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu “homenagear” as mulheres no mês de março oferecendo oficinas de “rotina familiar”, “planejamento de cardápios” e “homeschooling”. Após pressão e protestos sobre a ação, o tribunal se desculpou e afirmou que as inscrições para as oficinas são para homens e mulheres, apesar de banner de divulgação se dirigir especificamente para as servidoras.
O golpista STJ justifica que com a pandemia de COVID-19 boa parte das mulheres brasileiras se viram sobrecarregadas com as demandas de trabalho remunerado, reprodutivo e doméstico. E sua posição é apenas auxiliar as mulheres para que possam lidar melhor com as dificuldades desse novo “processo”.
Em um período de crise social tão aguda como o atual, que tem boa parte de seu peso jogado nas costas dos setores sociais mais oprimidos como as mulheres, as instituições como o STJ apontam que tudo é somente só uma questão de administração do tempo e reorganização familiar.
A posição parece uma piada de péssimo gosto em um país com quase de 300 mil mortos pela pandemia, desemprego nas alturas, trabalho precário e miséria, com boa parte dos efeitos de todas essas mazelas recaindo sobre as mulheres.
Porém, o assunto não é piada, na verdade é o projeto dos governos de extrema direita e da direita tradicional para as mulheres brasileiras. Acreditam realmente que as mulheres devem ser exímias donas de casa, realizar as tarefas de cuidado dos afazeres domésticos, cuidado e educação dos filhos e, a exemplo do momento atual da pandemia, até de parentes idosos.
Desfrutando do mínimo possível de direitos, nada do direito ao aborto, direitos trabalhistas, creches, licença maternidade e outros. As mulheres que querem trabalho remunerado devem ser “empreendedoras”, que na linguagem comum da sociedade brasileira atual é “bico”.
O aumento da ofensiva contra as mulheres acontece na medida que elas não se organizam em torno de seus direitos mais elementares. É preciso barrar esse projeto fascista enquanto ainda não se desenvolveu plenamente.
No momento eles propõem cursos, com o tempo as posições serão piores e mais violentas. As mulheres trabalhadoras precisam se organizar, pelas bandeiras históricas do movimento feminino e operário. Somente assim será possível resistir aos golpistas, sair da luta defensiva e desorganizada em que nos encontramos, em grande medida influenciada pelo falso debate do identitarismo, para avançar e lançar uma grande ofensiva organizada contra os capitalistas que querem as mulheres amarradas e escravizadas em seus lares.





