No dia 13 de julho, a Polícia Civil de Goiás decretou sigilo de cinco anos sobre os gastos da operação de busca de Lázaro Barbosa, suspeito de ter assassinado quatro pessoas no Distrito Federal, executado sumariamente pela polícia com 39 tiros, além do corpo apresentar marcas de torturas.
A notícia veio a público após o pedido, recusado pelo governo goiano, do jornal Correio Braziliense para ter acesso aos dados da operação. O sigilo muito suspeito está baseado na alegação de que seria uma medida para não expor as estratégias e equipamentos utilizados na operação que mobilizou quase 300 policiais em busca de Lázaro por 20 dias. A polícia alega que a exposição desses dados poderia vulnerabilizar a investigação.
Claro que é apenas uma desculpa, pois o que possibilita que a investigação seja vulnerável e arbitrária é justamente impedir que as informações em relação à busca de Lázaro sejam públicas e trata-se de uma ação antidemocrática típica de regimes de exceção.
É importante ressaltar que o sigilo desses dados serve para dificultar, ou até mesmo nunca desvendar o motivo desses assassinatos, pois como os próprios investigadores da polícia apontam, os assassinatos podem fazer parte de um esquema maior relacionado à grilagem de terras a serviço dos latifundiários da região. E não é novidade que todo tipo de ação criminosa é cometida por esses poderosos, juntamente e com apoio da força de repressão do Estado. Tanto que o sigilo também existe para ocultar a própria ação da polícia durante toda a operação.
O relato de familiares e pessoas da região, como de um caseiro que relatou que um fazendeiro teria ajudado Lázaro a se esconder por cinco dias e fugir e o fato de junto ao corpo ter mais de R$ 4 mil reais contribuem para essa hipótese e demonstram o caráter arbitrário desse sigilo. Revela também que a polícia não está a serviço da população, mas sim dos poderosos e dos seus próprios esquemas.




