A direita vem intensificando aceleradamente sua politica de repressão contra os trabalhadores e suas organizações, com amparo ilegal na reacionária legislação que sobrevive da ditadura militar, como é o caso da famigerada Lei de Segurança Nacional (LSN).
A perseguição e a repressão contra a esquerda aumentaram exponencialmente desde o caso do reacionário deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) , que teve sua prisão ilegal decretada por um ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, o que foi saudado por setores da esquerda, por conta da violação da liberdade de expressão e da própria imunidade do parlamentar, ter ocorrido a pretexto de suas posições direitistas.
Como assinalamos que viria a ocorrer, o pau que bateu em Chico está arregaçando Francisco. A LSN e outros pretextos usados naquele caso e outros apoiados pela esquerda, estão sendo largamente utilizados para perseguir o ativismo de esquerda, artistas etc.
São exemplos dessa situação, as dezenas de processos contra ativistas, como os cinco militantes do PT foram presos por participar de uma manifestação contra o ilegítimo presidente Jair Bolsonaro, por meio de uma faixa onde se lia “Bolsonaro genocida” e que reproduzia uma charge amplamente divulgada na imprensa capitalista e nas redes sociais do artista Aroeira.
Dentre os detidos na sede da Polícia Federal e processados encontra-se o companheiro Rodrigo Grassi, conhecido como “Rodrigo Pilha”, responsável por um blog chamado “Botando Pilha”, no qual difundi a palavra de ordem Fora Bolsonaro.
Mesmo depois de liberar os outros jovens detidos, a Polícia manteve Rodrigo “Pilha” preso, sob o pretexto de que este não teria comunicado uma mudança de endereço e supostamente ter perdido uma audiência relativa a um processo por desacato ocorrido em 2014. Naquela oportunidade, Rodrigo teria se recusado a retirar uma bandeira com a imagem da ex-presidenta Dilma, que estava em volta do seu pescoço, em um estádio.
Fica evidente que “Pilha” é vítima de um processo persecutório por parte dos órgão de repressão que se valem da onda reacionária para impor a censura, a liberdade do ativista e de toda a esquerda defenderem o direito de livre expressão e criticarem o regime golpista.
De forma arbitrária e ilegal, a Polícia e o judiciário golpistas resolveram estabelecer um agravante à pena por desacato que lhe foi imposta, que inicialmente era apenas restritiva, lhe assegurando o regime aberto, passando-o para o regime fechado, na Penitenciária da Papuda no Distrito Federal.
Trata-se claramente, como vem sendo cada vez mais comum, de uma sentença política, como acontece – cotidianamente – com milhares de pessoas da população pobre negra, condenadas pelas considerações e preconceitos sociais e políticos dos julgadores e executores das penas.
Na “ficha criminal” de Rodrigo, consta ainda uma “anotação” por ter vaiado o então ministro do STF, Joaquim Barbosa na saída de um restaurante, quando o ex-ministro era ainda um dos pupilos da direita golpista por seu papel destacado nos processos do “mensalão” contra dirigentes do PT . Ele também foi detido arbitrariamente, em 2014, após uma entrevista com o senador entreguista Aloysio Nunes (PSDB) na qual questionou o envolvimento do tucano com o cartel dos trens em São Paulo; “Pilha” foi insultado, expulso do gabinete do tucano e, já fora do prédio, foi perseguido pela polícia do Senado etc.
Estes e outros episódios evidenciam que a perseguição contra o companheiro “Pilha” é parte do processo geral de censura e perseguição à esquerda e a todos que se oponham ao regime golpista em alguma medida e nada têm a ver com a defesa do estado democrático – como querem fazer crer – que não vigora no País.
Sua prisão após participar de uma manifestação contra Bolsonaro procura intimidar a esquerda e todos os movimentos democrático que se opõem ao governo e à ditadura que ele procura aprofundar.
Contra a política covarde da maioria das direções da esquerda de “fingir-se de morto” e até declarar que não há perigo de ditadura ou até mesmo que a questão central hoje seria defender uma democracia que não existe, é preciso denunciar esses e outros fatos para defender os direitos democráticos da população, desmascarando o avanço do autoritarismo no Brasil e lutar pela liberdade de Rodrigo “Pilha” Grassi.
Ao invés de endossar a política reacionária do regime de arbítrio ou buscar “dourar pílula” fazendo mudanças na ultra reacionária Lei de Segurança Nacional, como defendem certos setores da esquerda, é preciso mobilizar pela sua total abolição e por colocar abaixo todo o regime golpista.





