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Afonso Teixeira

Tradutor, formado em Letras pela USP e doutorado em Linguística com tese em tradução. Tem formação como músico, biólogo e cientista político.

Desumanização

Finch – o cinema e o profundo desprezo pelo ser humano

O apego aos animais já não reflete também a domesticação deles, mas a desumanização do homem

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O filme Finch, estrelado por Tom Hanks (2021, direção de Miguel Sapochnik) tem um enredo bastante simples. O dono de um cachorro tem uma doença terminal e cria um robô para cuidar do cão após a sua morte. No final, ele morre e o robô cuida do cão. É tudo.

Pouca coisa acontece no filme. Começa com o chavão do mundo pós-apocalíptico. Finch, a personagem de Tom Hanks, vive sozinho e aparece montando um robô. Apesar das radiações solares que afetam o mundo, ele viaja sempre de dia, pois, para ele, pior do que o sol são as pessoas. Não que elas se tenham transformado em zumbis, mas porque são capazes de matar por comida. Ou seja, são monstros de qualquer forma.

Finch sabe que vai morrer em consequência das radiações a que se expôs. Sua única companhia é um cachorro e um robô de serviços. Começa, então, a construir um outro robô para servir de babá para o cachorro.

Esse robô tem características humanas. Por uma falha no upload de sua programação, age como criança. E, por meio da educação, vai crescendo. Finch, no entanto, só está interessado em educar o robô com a finalidade de que o autômato cuide do cachorro.

Para Finch, não vale a pena investir no ser humano, e sim em um cachorro. É uma mentalidade politicamente correta. Mas reflete também a falta de esperança do homem solitário quanto à vida e as relações humanas.

O homem desencantou-se. O apego aos animais já não reflete também a domesticação deles, mas a desumanização do homem.

Presenciamos, pelo mundo todo, um grande apego do homem solitário pelos cachorros. Na solidão da existência em uma sociedade de consumo, em que todas as relações são estimuladas pelo dinheiro, o homem não consegue estabelecer relações seguras com outros homens. Mas sabe que pode confiar no cachorro, seu amigo fiel.

Casas de produtos para animais de estimação e clínicas veterinárias passaram a ocupar a paisagem urbana. Os cachorros suprimiram até mesmo a diversão humana. Alguns países proibiram queima de fogos porque incomodam os cachorros. E as pessoas já viajam menos e saem menos às ruas para não deixarem os cachorros sozinhos em casa. E, quando saem para passear, passeiam com os cachorros.

Dizem que os cachorros se parecem muito com os homens. De fato, adaptam-se ao comportamento humano. Mas ocorre também o fenômeno contrário. É o homem que se parece cada vez mais com os cachorros. À medida que a sociedade se desintegra e as relações humanas se tornam mais difíceis, o homem solitário refugia-se cada vez mais em suas cavernas. Já não pode ver a luz. Tem como companhia a televisão, o telefone móvel e o cachorro. 

Da televisão, tem a imagem de um mundo distorcido pela seleção de fatos e pela interpretação da vida que já vem pronta, não dando espaço para o raciocínio.

Por outro lado, ele só tem o cachorro com quem conversar. O vocabulário humano torna-se cada vez mais monossilábico. O homem já não tem o que pensar nem o que falar. Desumanizou-se.

A posição dos colunistas não reflete, necessariamente, a posição deste Diário.

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