A maior dificuldade para um mentiroso é de guardar a mentira para sempre, não contar vantagem nem esquecer que para a integridade da farsa é preciso evitar ao máximo se estender no assunto, pois são maneiras de evitar um ato falho. Algum amigo poderia ter contado isso a Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, que deixou escapar como de fato acontecem as eleições no Brasil.
Aconteceu que esta semana, um vídeo de 9 de junho vazou, mostrando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto andava com alguns deputados da direita pelos mármores de Brasília. Durante a gravação, Barroso esqueceu que estava sendo filmado e soltou o que poderíamos chamar de máxima da burguesia: “eleição não se vence, se toma”. Quando proferiu a frase, referiu-se às eleições em Roraima, mas sabemos bem que vale para o Brasil inteiro. Roraima, por ser um dos estados mais atrasados e pobres do Brasil, certamente é um dos mais fáceis de fraudar consequentemente.
Após os risos e os sorrisos sádicos dos que ali estavam, Barroso voltou para a realidade e lembrou que estava sendo filmado e logo então perguntou: “tá com som?”, apontando para os jornalistas ao mesmo tempo em que fazia cara de preocupado. Na sequência, uma figura ao lado responde “poder ser que sim, poder ser que não”. Barroso então continua com um olhar para o chão e o vídeo corta.
Foi claramente uma “escorregada” do ministro que talvez em umas poucas vezes em sua vida foi sincero diante das câmeras, mesmo que sem querer.
Barroso está certo, infelizmente é assim que funcionam as eleições, não somente em Roraima, mas no Brasil inteiro. Os partidos da direita aqui não ganham nada, mas tomam tudo. Talvez São Paulo seja o melhor exemplo, onde o PSDB ganha sempre para governo do Estado e quase sempre para a prefeitura, mesmo depois de depredar completamente o patrimônio do lugar mais rico da federação, sendo odiado pelo povo.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral), do qual Barroso é o presidente, e também o STF são os órgãos que ao invés de defender a constituição, forjada pela própria burguesia, garantem que a direita vença no Brasil por meio de fraude e tenham um alicerce institucional se precisar. O STF, por exemplo, proibiu o ex-presidente Lula de fazer campanha eleitoral em 2018 “tomando” a eleição do PT.
Todo partido de esquerda sabe como o TSE garante essas fraudes, pelo menos uma das maneiras de fraudar: todo ano mudam as regras das eleições e tornam a burocracia para se puder lançar candidato ainda mais difícil do que nas eleições anteriores. Tamanho de adesivo, diagramação dos panfletos, locais onde pode e não se pode ter alguma atividade eleitoral (nem que seja um adesivo), horários em que se pode ou não panfletar, isso tudo sem falar no número de papelada que se tem que preencher ou de certidões que se precisa emitir que aumentam cada ano. Tudo isso são barreiras colocadas a cada ano para dificultar ao máximo os partidos que não são da burguesia de participar das eleições. O PCO todo ano tem quase todas as suas candidaturas impugnadas, sempre falta uma vírgula ou um acento em algum documento novo para preencher.
Apenas os ingênuos acreditam que as eleições no Brasil são justas e livres. Barroso está certo, ele que é o presidente do TSE sabe disso e sabe melhor do que todos.





